Com a economia no rumo certo, cresce risco de um “acordão” na Lava Jato

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Charge do Casso (cassocartuns.blogspot.com)

Raquel Landim
Folha

Ainda é cedo para avaliar todos impactos para a Operação Lava Jato da trágica morte do ministro Teori Zavascki, mas é preciso estar atento a um “acordão”. Vítima de um acidente aéreo na quinta-feira (dia 19), Teori, relator do processo, estava perto de homologar a delação dos executivos da Odebrecht, com acusações contra dezenas de políticos.

A tensão em Brasília é grande e já foi feita mais de uma tentativa de “estancar essa sangria” – expressão utilizada pelo senador Romero Jucá, aliado do presidente Michel Temer, para se referir às investigações.

O episódio mais recente ocorreu no fim de novembro. Enquanto o país sofria com outro acidente aéreo, que matou os jogadores da Chapecoense, deputados e senadores desfiguravam um projeto de lei contra a corrupção na tentativa de intimidar juízes e o Ministério Público.

Naquela época, alguns políticos chegaram a procurar empresários, pedindo que pressionassem os parlamentares sobre os quais tem influência para aprovar o pacote de medidas.

Eles argumentavam que Temer tinha colocado a economia no rumo certo, mas que o Brasil precisava de estabilidade política para sair da recessão. E que isso só seria alcançado brecando a Lava Jato.

A iniciativa foi barrada pela opinião pública, mas outras manobras podem surgir nas próximas semanas. E, paradoxalmente, o risco de “acordão” cresce à medida que a economia melhora.

Os primeiros sinais de recuperação da atividade começaram a aparecer nas últimas semanas. Com a inflação sobre controle, o Banco Central intensificou o corte de juros, o que pode, ainda que lentamente, estimular o consumo.

Depois de três anos de crise, parece ser uma questão de tempo para o país sair da recessão, se a instabilidade política não piorar por causa de novas revelações da Lava Jato que comprometam o governo.

Por isso, é muito provável que a pressão para que o setor privado entre no “acordão” volte a aumentar. Com as vendas em queda e demitindo funcionários, alguns empresários já falam reservadamente que é preciso aplicar as punições cabíveis e encerrar a investigação, mas essa visão ainda não é consenso.

Infelizmente, a morte de Teori, que vinha conduzindo o processo sem ceder a pressões, embaralha ainda mais o jogo e pode favorecer aqueles que preferem “estancar a sangria”.

Se for selado um “acordão”, será um erro histórico. A Operação Lava Jato tem um efeito negativo de curto prazo sobre a economia porque provoca instabilidade, mas os benefícios de médio e longo prazos são muito maiores.

A corrupção é um elemento importante do “custo Brasil”, porque torna mais caro e complicado operar no país e afasta investimentos de companhias sérias que se recusam a desobedecer à lei.

11 thoughts on “Com a economia no rumo certo, cresce risco de um “acordão” na Lava Jato

  1. MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

    JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

    MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

    JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

    MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

    JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

  2. “Momento Antagonista: Delação da Odebrecht pode minar favoritos de Temer no Congresso (O Antagonista)

    Brasil 25.01.17 20:11

    Claudio Dantas explica que Michel Temer é contra a urgência da homologação da delação premiada da Odebrecht porque teme seu impacto na eleição para o comando da Câmara e do Senado na próxima semana.

    Os favoritos Eunício Oliveira e Rodrigo Maia são citados pelos delatores. Cármen Lúcia precisa correr!”

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