Com a glorificação de Silveira, Bolsonaro inicia campanha para um golpe militar em novembro

Bolsonaro ostenta cópia do decreto que indultou Silveira

Pedro do Coutto

Com o evento na tarde de quarta-feira no Palácio do Planalto, praticamente glorificando, abraçando o deputado Daniel Silveira e ao mesmo tempo dirigindo manifestação contra o Supremo Tribunal Federal e a imprensa, o presidente Jair Bolsonaro iniciou concretamente a campanha  de um golpe militar em novembro, logo após as eleições presidenciais deste ano.

Como revelou a reportagem de Alice Cravo, Julia Lindner, Daniel Gullino, Jussara Soares e Mariana Muniz, manchete principal da edição de O Globo de quinta-feira, ficou nítido o projeto do Planalto de partir para uma tentativa de ruptura democrática que só pode ser obtida por um golpe militar.

DESFECHO IMPREVISÍVEL – Sentindo-se atrás nas pesquisas do Datafolha e do Ipec, o presidente da República partiu para um desfecho imprevisível, pois não é possível que sem qualquer sentido menos aparente ele possa destacar a atuação do deputado.

Na primeira página de O Globo, Bolsonaro aparece ostentando uma cópia do decreto que indultou Silveira, o que representa uma clara agressão aos dez ministros do STF que condenaram o parlamentar do PTB. Bolsonaro quis de fato demonstrar que concorda com os ataques  de Daniel Silveira dirigidos ao Supremo e ao ministro Alexandre de Moraes em particular.

Silveira propõe o retorno ao Ato Institucional nº 5 de 1968. Deixando flagrante o seu apoio a quem foi condenado pela justiça, Bolsonaro mais uma vez tornou evidente, desta vez com tintas mais fortes, o seu projeto político de reeleição, que antes da ideia do golpe militar, passa pelas urnas democráticas do país.

GOLPE – Dando mais força à perspectiva de golpe militar, Jair Bolsonaro defendeu uma apuração paralela das Forças Armadas nas eleições de novembro. Ao defender tal ideia, Bolsonaro afirmou que a lisura das apurações não pode ser assegurada numa sala secreta do TSE em que apenas 12 técnicos participam dos trabalhos. Ele propõe então que as Forças Armadas também possam contar os votos no Brasil e estimulou a desconfiança ao Tribunal Superior Eleitoral.

Ao propor a apuração paralela de votos pelas Forças Armadas, o presidente da República voltou-se integralmente contra a Constituição do país. Portanto, não pode ser outro o seu objetivo a não ser o de que, derrotado nas urnas nas quais ele não confia, partirá para uma ação que no seu projeto reúne o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.

Diante da colocação feita ao TSE, o ministro Edson Fachin deverá responder ao inusitado pronunciamento. Da mesma forma, as lideranças militares deverão se manifestar indiretamente no sentido de fortalecer a democracia e o resultado das urnas que está ligado a ela de forma plena e total.

MOBILIZAÇÃO – Como se observa, a tempestade começou forte nas áreas da Esplanada de Brasília sopradas pelo plano alto do Planalto. Serão tempos difíceis os que começaram a ocorrer mais intensamente a partir desta semana. Na minha opinião, deve haver uma mobilização de todos os pré-candidatos em favor da democracia e do eleitorado porque não tem o menor cabimento usar o caminho do voto para chegar ao poder e recorrer à estrada das armas para nele se manter.

Todos os democratas, inevitavelmente, foram atingidos pela consagração a Daniel Silveira. O alvo principal, vejam as passeatas na Esplanada dos Ministérios, é o STF. Porém, a hipótese de um golpe militar atinge igualmente o princípio da liberdade e a existência do próprio Congresso, pois formalizada a ditadura, senadores e deputados federais nada a terão a fazer.  O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, compreendeu o peso da atmosfera e ontem mesmo pronunciou-se na defesa do regime democrático.

UMA PEÇA DE HUMOR –  Foi uma peça de alto humor, pelo conteúdo, pelo estilo e pelo fato, o artigo do meu amigo Ruy Castro publicado na quinta-feira, na Folha de S. Paulo, cujo título foi “Os brutos também amam”, fazendo uma associação ao faroeste de Hollywood, de 1954, sob a direção de George Stevens e o fato recente ocorrido com o ex-ministro Milton Ribeiro.

Ele, ao portar uma arma de fogo, deveria estar preparado para a possibilidade de algum  conflito que inesperadamente pudesse tê-lo como alvo. Mas com a arma dentro de sua valise de viagem, não poderia reagir de plano a qualquer ataque que lhe fosse desfechado.

Ruy Castro coloca bem o assunto e dá para se acrescentar a pergunta: quem seriam os inimigos capazes de promover um duelo igual ao que no filme reuniu Alan Lade e Jack Palance ?

22 thoughts on “Com a glorificação de Silveira, Bolsonaro inicia campanha para um golpe militar em novembro

  1. Este é, talvez, o artigo mais ridículo escrito pelo Pedro do Couto nos últimos anos. Sabe quando que os militares vão apoiar o Bolsonaro num golpe militar? Só no dia de São Nunca. Podem, os militares, até darem um golpe se o stf continuar com o trabalho sórdido que tem sido feito mas, com certeza, sem o Bolsonaro. E, se o Lula, apesar de tudo, for o eleito, o militares não vão fazer nada.

  2. Pessoal, acreditem, cavalo não tem chifre!
    Como pode depois de tantos anos sem golpes militares termos pessoas que acreditam (ou desejam) golpes militares?
    Atualizem se. Atualmente os golpes são todos maquiados de legalidade.
    Até acho possível um novo golpe acontecer no Brasil de Bolsonaro.
    Seria a anulação da eleição. Os próprios interessados produziriam as provas para a anulação e com isso o congresso prorrograria todos os mandatos Federais e Estaduais.
    Todos os golpistas ficariam felizes como em 2016.

  3. Conforme dizia o velho deitado: quem nunca comeu melado quando come suja a blusa, ou: tanto é ladrão o que rouba como o que fica vigiando. Ambos ditados caem bem para Bolsonaro;
    O filme “Os brutos também amam” conta também com o artista Van Heflin, o qual, conheci num carnaval dos anos 60 no social Ramos Clube,

    • Também ia de vez em quando, nos bailes do Social Ramos Clube na década de 60. Mas, todo domingo frequentava as noites dançantes do Grêmio Recreativo de Ramos.
      Assisti lá, os Shows do The Fevers, Os Incríveis, Azimuth, . Esteve lá também, o maior discotecario do Brasil: Big Boy
      Os Bailes de Carnaval bombavam de sábado a terça.
      Quantas recordações!!!

  4. O golpe de 64 foi uma desgraça para o Brasil. É possível que o Boçal deseje repeti-lo, mas não conseguirá. Ele não tem condições de aprender nada. As FFAA, no entanto, aprenderam e muito. Hoje, seu único intuito é defender a pátria e respeitar a Constituição vigente. Militares de alta patente já disseram, reiteradas vezes, que quem for eleito será empossado. Eu acredito.

  5. O que escreveu no artigo o Pedro de Coutto, tem um certo fundamento.

    Esse Silveira,ainda por cima, ganhou como prêmio, na Câmara, um lugarzinho na CCJ.

    Como dizia o ex-senador Mão Santa em suas intervenções no Senado:

    Atentai, atentai para os fatos.

  6. Esse pensamento não está errado. Antes mesmo de ser presidente ele já demostrava a sua inclinação por regimes antidemocráticos. Não consegue ficar um dia sem atacar alguma instituição democrática do país. O ponto é que ninguém sabe se os militares broxosos, que estão sim do seu lado, terão coragem de levar a cabo seu plano em caso de derrota nas urnas.
    Agora é aguardar o próximo artigo do Guzzo onde tentará justificar o pior governo da história com um “mas o PT…”.

  7. Isso é análise política baseada em fatos ou nas advinhações da Mãe Dinah? Vergonhoso um jornalista veterano escrever tanta bobagem, deveria parar de ler a imprensa narco-socialista (Globo, Folha, Estadão e seus puxadinhos).

    O Daniel Silveira não foi indicado para a CCJ como prêmio, ele foi indicado porque é do PTB, o mesmo PTB do Roberto Jeferson, um preso político do STF, o escritório de advocacia do crime organizado brasileiro.

  8. Pedro do Apocalipse está cavalgando a toda brida no sentido de desconstruir Bolsonaro.
    Volta e meia ele vem com essa estória de golpe militar.
    Não vou de Freud, Jung, Pavlov ou Lacan mas esse senhor está muito traumatizado.
    Seu Pedro, eu poderia aventar a ideia de que quem quer golpe é Lula, mas não, ele só quer é poder roubar mais.
    Bolsonaro onde vai logo cria uma multidão em volta, já o Dom Curro de la Grana está mais escondido que joelho de freira e rapariga de soldado, se der as caras em público leva tomate e ovo na cara.
    A grande mídia se ressente da falta de verba de publicidade, os artistas da Lei Rouanet, a síndrome de abstinência produz tanto bezerro desmamado que faria chorar um guarda de campo de concentração nazista.

  9. Veja bem a desproporção das coisas: quase todos os articulistas que escrevem denunciando as farsas esquerdistas estão em blogs, alguns poucos em jornais e outros poucos em revistas. Nenhum deles, de fato, pertence à grande mídia, principalmente a televisiva. Seus leitores pertencem a uma diminuta faixa da sociedade e, mesmo nesta, não conseguem angariar todos para seu lado. Enquanto isso, aqueles que fazem parte da mídia comprometida ideologicamente têm em suas mãos todos os órgãos de imprensa que alcançam a maior parte de leitores e, principalmente, telespectadores. Ainda assim, basta que algum daqueles faça uma denúncia um pouco mais incisiva ou diga algo que exponha as mazelas esquerditas para que os jornalistas vermelhos comecem a se debater como peixinhos indefesos diante da ameaça de um tubarão devorador.

  10. Pedro do Couto, mais uma vez, você emerito jornalista está de parabéns. Seu artigo, além de visionário, retrata em análise excepcional, a verdade dos fatos.
    A tentativa de solapar as instituições no último Sete de Setembro, ainda bem, que não deu em nada, pode sim ser repetida, nas comemorações do dia 15 de novembro, quando o Brasil já saberá o resultado do segundo turno.
    Muitos não lembram, da fatídica reunião Ministerial do dia 20 de abril de 2020, quando ministros atacaram o STF, atacaram o Meio Ambiente, atacaram o Banco do Brasil, na frente do ministro Sérgio Moro estupefato com os olhares do Bolsonaro na sua direção. Os palavrões ditos ali, são indícios de pessoas sem um mínimo de educação proferidos num Palácio do governo. Incrível.
    O confronto com a Suprema Côrte é um recado claro do presidente, de que não respeitará o resultado das eleições, caso seja derrotado pelo povo nas ruas. O deputado Daniel Silveira é apenas um instrumento de retórica, para desqualificar o ministro Alexandre de Morais, que por acaso, presidirá o TSE a partir de Agosto. Antes, batia no Luiz Roberto Barroso, depois ficou no Edson Fackin e agora a bola da vez é o Alexandre de Morais, o futuro a presidir o TSE.
    A canoa está remando para uma ruptura do Sistema Democrático de Direito, a exemplo dos meses que antecederam ao Golpe de 1964.
    Em janeiro de 1964, chegaram as mãos do presidente João Goulart, um relatório sob a preparação do golpe civil/ militar. O presidente chamou o general ministro do Exército, Jair Dantas Ribeiro para se manifestar. Então foi dito ao presidente, que todos os comandantes estavam firmes com o comandante em chefe das Forças Armadas.
    O presidente Goulart foi depósito três meses depois em 31 de março.
    Hoje não estão postas, as condições faticas, que detonaram a união das forças conservadoras e a CIA para interromper o processo democrático de direito. Muitas fakenews foram ditas para deflagrar o processo, até dizer que o fazendeiro Goulart iria entregar o país para a URSS e que montaria uma República Sindicalista, um delírio daqueles que estavam com mais propósitos. Ora, os sindicalistas não dispunham nem nunca terão dispositivo militar ou armamentos para controlar um país. No entanto, embarcaram nessa utopia para derrubar o governo.
    Os ditadores como Trump e PUTIN, não suportam resultados de eleições. Se puderem se tornam presidentes vitalícios.
    Por exemplo, Donald Trump perdeu para Joe Biden e usou todos os artifícios como fraudes nas urnas. Não conseguiu provar. Então partiu com seus apoiadores em direção ao Congresso para o tudo ou nada. Cinco pessoas morreram na aventura de Donald Trump. A sorte dos EUA, foi a fidelidade das Forças Armadas americanas a Constituição americana e o respeito ao resultado das eleições.
    Pelo exposto, concluo que não é nada inusitado ou delírio do articulista Pedro do Couto, ao analisar os fatos pretéritos e o nosso presente bem vivo, vislumbre algo nas entrelinhas, do que acontece nos bastidores do Poder para a continuação nele, de maneira indefinida, do atual inquilino do Planalto.

    • O Centrão está convicto, de que permanecerá controlando as verbas do Orçamento, as Emendas para obras nos Municípios e outras benesses como cargos ministeriais com verba que fura poço para uso nas suas paróquias.
      Mas, em meio a ruptura do Estado Democrático, suas cabeças serão as primeiras a rolar, como ocorreu na Revolução jacobina na França de 1876.
      Antes da eleição de 2018, o general Heleno produziu um vídeo emblematico do que os atuais ocupantes do Poder pensam deles: ” se gritar pega ladrão, não fica um Centrão”. Pois bem, hoje estão abraçados e andam de mãos dadas compartilhando as mesmas idéias e objetivos no governo Bolsonaro.
      Diria que todos são pragmáticos, portanto, o general continua pensando do mesmo jeito e Arthur Lira e sua turma sabem disso, mas, a vida precisa andar e todos esqueceram o fato.
      As pedras só doem, quando batem na cabeça dos outros, a corrupção e os mal feitos só ocorrem na casa dos inimigos. Na nossa casa, nada disso acontece, não é mesmo?
      Tem gente aí, que não seria aceito num Convento, por questões óbvias e porque não suportariam viver sem um flash das câmaras e um bom palanque. Isso não!

  11. No Golpe civil militar de 1964, desferido no dia 31 de março, quando veio o dia 9 de abriu de 1964, o regime autoritário editou um Ato cassando diversos deputados. Senhor presidente da Câmara Arthur Lira, naquele caso, o Congresso não foi ouvido para votar se poderiam ser cassados ou não.
    Sob um governo ditatorial, o Judiciário e o Legislativo, além do Executivo são comandados pelo ditador de plantão. É ele, quem define, quem está certo ou não.
    Veja o caso do governador Carlos Lacerda, que apoiou o golpe contra João Goulart, na esperança de sair candidato a presidência em 1965. Se deu mal, soube que as eleições foram suspensas. Tentou conspirar contra o regime que apoiou e foi preso e cassado, perdendo todos os direitos políticos.
    Rodrigo Pacheco e Arthur Lira não podem desconhecer esses detalhes tão pequenos da vida nacional.
    O Centrão só continuará como aquele grupo, que sustenta os governos e por isso recebem cargos e verbas sob o regime democrático. Nas Ditaduras podem ser cassados e presos ou então se exilar numa Embaixada para não verem o sol nascer quadrado.
    Se mirem no exemplo de Juscelino e Lacerda, que apoiaram o golpe e meses depois foram cassados. Juscelino viajou para Paris e se tornou um homem triste, logo ele, que adorava uma dança, uma valsa.
    Dava pena ver o seu semblante, como eu vi, pessoalmente, subindo o elevador da Sede da extinta Manchete, no bairro da Glória, junto com seu amigo Adolfo Bloch, que cedeu o último andar para escritório do fundador de Brasília.
    Se os políticos não conhecem a história, do país, estão sempre condenados a repetir os mesmos erros.
    Ora isso é inaceitável, pelo menos errem por algo que nunca aconteceu.

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