Com a militarização do governo, cientistas políticos apontam a volta do ‘partido fardado’

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Marcelo Godoy
Estadão

A presença de militares no governo Jair Bolsonaro e o comportamento deles reanimaram o interesse na atuação dos militares da ativa, que em dois anos da ativa postaram 3,4 mil tuítes políticos. Foram redescobertas obras como as dos antropólogos Celso Castro e Piero Leirner e as de cientistas políticos como José Murilo de Carvalho e Oliveiros S. Ferreira, autor de “Vida e Morte do Partido Fardado” e “Elos Partidos”.

Um dos centros do debate atual é o conceito de “partido fardado”, usado por Oliveiros e pelo cientista político francês Alain Rouquié.

ROTINA DE PODER – Oliveiros pensava que as reformas do presidente Castelo Branco, limitando o tempo de permanência de generais na ativa, teriam levado ao fim do partido fardado, deixando-o acéfalo. Generais se candidatavam, exerciam cargo político e depois voltavam aos quartéis. Eles simbolizavam o fenômeno.

Para o cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira, que prepara um livro sobre o tema, o governo Bolsonaro mostra que o partido fardado não havia morrido, só estava hibernando, sobretudo no Exército. “Estamos diante de um ativismo militar, de um partido verde-oliva.”

Segundo a pesquisadora Ana Penido, do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (Gedes), o cientista Oliveiros S. Ferreira dizia que o partido fardado não é algo formal para disputar eleições, mas uma organização temporária, que só se evidencia em momentos de tensão interna nas Forças Armadas ou de desencontro entre a instituição e o governo, favoráveis à politização militar.

PARTIDO MILITAR – A pesquisadora Ana Penido adota, porém, o termo “partido militar” para designar o fenômeno.

“Pertencem ao partido aqueles militares que se julgam no direito de interpretar a Constituição e, na condição de defensores da lei e da ordem, estabelecem, por si mesmos, como e quando agirão. Integram o estabelecimento militar aqueles que agem subordinados às leis e regulamentos, pautados pela hierarquia e disciplina.”

Para o coronel da reserva Marcelo Pimentel, que analisa o fenômeno no livro “Os Militares e a Crise Brasileira”, o atual processo de politização dos militares começou em meados da última década.

UM PÓLO POLÍTICO – “A politização dos militares não se confunde com a mera expressão pessoal de opiniões políticas”, explica o coronel Pimentel.

Diz o historiador que o partido militar se coloca em um dos polos da política e cria o risco de divisões nas Forças Armadas, com a volta ao estado de indisciplina crônica, vivido nos quartéis antes de 1964.

“O que preocupa é a atual geração de tenentes em razão do exemplo dos chefes. O mau uso de redes sociais é um meio de politização do Exército”, comenta.

4 thoughts on “Com a militarização do governo, cientistas políticos apontam a volta do ‘partido fardado’

  1. No Brasil como de resto toda a América Latina (exceto Venezuela e Cuba) seguem os conselhos explícitos ou velados do Grande Irmão do Norte. Também conhecido como Tio Sam.
    E nas últimas décadas não tem mais havido golpes militares e nem a politização dos mesmos.
    O que Bolsonaro fez, decorreu de ele não ter aliados e partido. Já trocou de camisa muitas vezes e em lugar nenhum deixou saudades.
    Como consequência socorreu se de militares que do ostracismo passaram a vedetes. Mas foi um sonho que se transformou em pesadelo.

  2. Chupa, NeyMarkentig-Caí-Cái, já era.

    Não serve nem para lustrar as chuteiras do Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval, Rivelino, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Zico, Pedro Rocha…

    Enfia a viola no saco e volta ao seu Mundinho de Lixo…..

    eh!eh!eh!eh

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