Com a morte de Eliseu Resende, chega ao Senado mais um suplente de carreira nebulosa, o “sindicalista” Clésio Andrade

Carlos Newton

Mais um suplente polêmico e com antecedentes suspeitos vai tomar posse no Senado. Desta vez, é o sindicalista patronal Clésio Andrade, que desde 1993 preside a Confederação Nacional do Transporte (CNT), sediada em Belo Horizonte e que congrega 40 mil empresas e 300 mil transportadores autônomos de carga e de passageiros.

Cobrador de ônibus aos 11 anos de idade, Clésio fez carreira na política graças à liderança como dirigente sindical. Ganhou visibilidade nacional ao fazer parceria com o Instituto Sensus, de Minas Gerais, que vive a divulgar pesquisas sobre o Índice de Satisfação do Cidadão e foi o primeiro instituto a registrar índices estratosféricos de popularidade ao governo Lula.

Clésio foi do zero ao milhão (e bota milhão nisso) e tanto fez que acabou se tornando vice-governador de Aécio Neves, no primeiro mandato do neto de Tancredo. Tudo ia bem até que o Ministério Público Federal decidiu investigar suspeita de lavagem de dinheiro (com doleiros) para financiamento de campanha eleitoral em operações realizadas por duas instituições dirigidas por Clésio Andrade, então filiado ao PL.

O juiz Jorge Macedo Costa, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte, determinou a quebra de sigilo bancário do Idaq (Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade em Transporte), vinculado à CNT (Confederação Nacional do Transporte), e do Instituto J. Andrade, de Juatuba (MG), uma instituição de ensino superior cuja entidade mantenedora também é presidida por ele.

Este foi o motivo de Clésio Andrade ter sido abandonado por Aécio Neves. Em 2006, ao tentar o segundo mandato, o então governador de Minas preferiu colocar Antonio Anastasia como vice. Clésio Andrade, porém, não titubeou e na mesma eleição conseguiu se tornar suplente na chapa de Eliseu Resende (DEM), que era candidato ao Senado. Agora, com a morte do titular, o ex-cobrador de ônibus, que está no PR, ganha de presente quatro anos de mandato e poderá fazer cobranças bem mais expressivas.

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