Com artigo “Memento mori”, general Rego Barros se transforma em porta-voz dos militares

Ex-porta-voz do governo, pernambucano Otávio do Rêgo Barros critica  Bolsonaro: 'Poder corrompe'

Rêgo Barros mostrou que os militares estão insatisfeitos

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

O recado do general Otávio do Rego Barros, ex-porta-voz do Planalto, foi elogiado nos meios militares e, embora seja lido como um recado direto ao presidente Jair Bolsonaro, não foi visto com deslealdade. O objetivo, avaliam amigos do general, jamais foi criar celeuma. E sim alertar sobre o perigo de não se dar espaço ao que ele chama de “discordância leal”.

É isso que hoje mais incomoda grande parte dos generais e de antigos apoiadores do presidente, que, diante dos novos amigos do Centrão, deixa de lado aqueles que o ajudaram a chegar ao Planalto e apostaram num projeto.

INTRIGAS PALACIANAS – “Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”, escreveu o general no artigo “Memento mori”, publicado nesta quarta-feira no Correio Braziliense.

Rego Barros, que foi porta-voz da Presidência, mas acabou isolado após um tempo, traduziu no artigo o sentimento que perpassa os militares, de que hoje o presidente confunde discordância leal com oposição e é preciso ter clareza de que nem toda discordância é deslealdade.

O artigo, aliás, fez com que muitos saíssem da “toca”, em solidariedade ao general. Alguns, inclusive que se veem hoje quase que atirados à oposição, embora não tenham essa intenção.

REVOLTA DOS GENERAIS – “Barbara Tuchman tinha razão: ‘A Marcha da Insensatez’ parece se repetir. Toda a minha solidariedade ao General Rêgo Barros pela atitude. Leitura precisa de um sombrio cenário. O mesmo cenário já repudiado por General Santos Cruz, Sérgio Moro e outros atentos defensores da moralidade”, escreveu em seu Twitter o general Francisco Brito, numa referência aos ex-ministros de Bolsonaro e à historiadora, jornalista e escritora estadunidense, ganhadora de dois prêmios Pulitzer.

O que o general Brito menciona de público corre a caserna nas conversas reservadas. O artigo “Memento mori” vale para todos aqueles que, ao alcançar o coração do poder, terminam deixando de lado os projetos iniciais pactuados e se acham acima do bem e do mal, sem levar em conta que a próxima eleição está logo ali e que é preciso manter firme a conexão com a realidade e não apenas com a bolha de seguidores nas redes sociais.

CASO DE PAZUELLO – O artigo de Rego Barros foi escrito logo depois do pito público que o presidente Jair Bolsonaro passou no ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o general que se viu no constrangimento de ter um protocolo de intenções assinado por sua pasta desautorizado pelo presidente da República, num tema tão caro à sociedade como a vacina contra a covid-19.

Já estava escrito, vale dizer, quando a revista Época trouxe reportagem de Guilherme Amado, contando os bastidores dos encontros do presidente com advogadas de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, e autoridades da área de inteligência do governo. Portanto, avisam alguns, quem tentar levar para esse lado estará num terreno que o general não pisou.

SEM ASSESSORIA – Na falta de alguém que discorde do presidente e lhe alerte sobre determinadas atitudes, a lição deixa clara ainda a necessidade de que o funcionamento de todas as instituições tem de ser fundamental.

“As demais instituições dessa república — parte da tríade do poder — precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do “imperador imortal”. Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões”, escreveu Rêgo Barros.

No Supremo Tribunal Federal (STF) e na cúpula do Congresso ficou a sensação de que as críticas às instituições não terão eco na caserna. Até aqui, o Planalto fez “cara de paisagem”. E diz o ditado que “quem cala, consente”.

17 thoughts on “Com artigo “Memento mori”, general Rego Barros se transforma em porta-voz dos militares

  1. O que generais poderiam esperar de um ex tenente que planejava colocar bomba dentro do quartel?
    È muita burrice. Acordem.

  2. Ora,ora,seu Rego, fazendo reflexão…

    Faltou “dizer”,os militares foram cooptados pelo cavalo do Rio das Pedras..

    Nesse toma lá da cá,bons soldos e alguns duplo,e dez mil cargos no governo.

    Claro,lealdade=
    SILÊNCIO…

  3. O que me surpreende neste governo de incompetetentes e boçais, é que eles(principalmente o ministro Guedes) não sabem sequer tirar algum proveito das consequencias positivas de certos desastres.
    Deixe-me explicar, o desastre foi a brutal desvalorização cambial do real frente ao dólar, diga-se de passagem estimulada pelo pacheco, vulgo ministro Guedes.. Saiu de uns R$ 4,00 disparou para mais de R$ 6,00 e agora mal se estabiliza em uns R$ 5,70.
    Em outras épocas, com ministros da fazenda mais inteligentes como Delfim Netto por exemplo, ele com certeza estaria vendendo as vantagens do fato, dizendo que o país ficou mais competitivo, o custo Brasil diminuiu(é claro com o achatamento dos salários) e ainda professoralmente explicaria a relação cambio – salarios benéficas para a produtividade.
    Mas nem isso este ministro boçal capaz de fazer. Só vem com propostas esdruxulas e falas absurdas.É um autentico zero a esquerda

  4. Bolsonaro não tem jeito, sempre estará desrespeitando os mais humildes, injustamente, e principalmente os subservientes, com justiça pois quem se presta levar pitaco de gente que não tem caráter deve sim ser tratado como o presidente tratou o ministro da saúde.
    Essa farra precisa acabar antes que se aprofundem nossos problemas que são muitos.
    A inépcia do presidente está levando o país ao caos, e se esquecermos que ele dá mau exemplo para toda a sociedade, pricipalmente aos mais jovens que ainda não formaram caráter e podem se mirar nessa forma de agir de um personagem autoritário e descontrolado.
    O Brasil vai mal porque o governo não está a altura do povo e dos trabalhadores, juntamente com os empreendedores que realmente tocam o país com as forças que receberam de Deus.
    Ao contrário, as forças demoníacas que movem esse governo, mostra claramente por onde caminham, ou seja, pela corrupção, pela insensatez e por tudo o que não interessa à sociedade brasileira.
    Os militares parecem que não vão suportar tanta senvergonhice, e deverão estar a ponto de tomar uma decisão lúcida de rompimento com tudo isso.
    Vamos aguardar esse vai ou racha.
    Viva o Clube de Regatas Vasco da Gama que esteve sempre ao lado dos interesses do Brasil!

  5. Os militares merecem passar por esta humilhação, justamente no governo de um ex-integrante das FFAA!

    Se o povo classificava muito bem o Exército, a partir do momento que Bolsonaro assumiu e deu início à troca de generais querendo demonstrar uma autoridade desnecessária, parte desses militares percebeu que, o apoio dado ao ex-capitão, havia sido um grave erro ao conceito desfrutado entre a sociedade anteriormente.

    Bons generais, exemplos ao longo de suas carreiras, repentinamente se viram como incompetentes, pois demitidos de suas funções porque o presidente se incompatibilizara com suas atuações no governo.

    Bolsonaro deixara de lado a condição imprescindível a qualquer militar que se preze:
    A lealdade a seus pares!

    Exclusivista, egoísta, incompetente, truculento, agressivo, mentecapto, insensível com o que hoje acontece com a maioria da população, Bolsonaro por mais que quisesse ser o comandante de todos os brasileiros, esquecia que seria vital à sua intenção respeitar seus subordinados, menos maltratá-los e desprezá-los.
    Resultado:
    O presidente deu motivos suficientes para uma rebelião no meio militar contra o seu modo de agir e de ser, tanto como ex-militar como na presidência do país.

    De que lado me posiciono, apesar da minha insignificância?
    Evidentemente que ao lado dos que se rebelaram!
    Então por que afirmei, acima, que os militares merecem a humilhação vivida nesse momento?
    Porque, imagino, que estejam reagindo às suas próprias omissões no passado:
    Se o Brasil hoje se encontra nesse patamar de imoralidade e falta de ética;
    Corrupção;
    Incompetência;
    O Centrão dando as cartas e jogando de mão;
    Generais sendo chamados à atenção publicamente;
    Os que defendem Bolsonaro se mostraram que, na política, se tornaram verdadeiros desastres;
    O país não consegue decolar;
    A economia está estagnada;
    A imagem nossa no exterior nunca esteve tão ruim;
    Pobres e miseráveis aumentam a cada ano;
    Analfabetismo absoluto e funcional colocam o povo na categoria de inculto e incauto;
    A violência não tem sido combatida …
    A desonestidade dos filhos do presidente;
    Tais dificuldades hoje presentes poderosamente na vida nacional se tivessem sido combatidas pelos militares no seu início, logo depois de Sarney, com o confisco de Collor, o país não teria um Bolsonaro no seu comando, um ex-militar que fora enxotado do Exército pelo seu comportamento rebelde e inadequado à hierarquia militar!

    A eleição de Bolsonaro tinha como intenção precípua do povo livrar-se da roubalheira petista.
    E se tivesse o apoio dos militares consigo, melhor seria para o seu governo e limpeza da corrupção na política.
    Ledo engano do eleitor!

    No primeiro dia de sua posse, e o presidente já se mostrou que não seria nada daquilo que prometera e fingira na sua campanha ao Planalto:
    A escolha dos ministros pelo presidente foi uma tragédia;
    A reforma da Previdência foi realizada com graves problemas e enfiada goela abaixo do povo, de modo a contentar o empresariado e bancos;
    Guedes jamais apresentou um plano de recuperação econômica, mas apenas e tão somente de reformas que atingiam o povo diretamente;
    A forma criminosa, irresponsável, como considerou a pandemia, hoje registrando 160 mil óbitos, uma catástrofe apocalíptica;
    O troca-troca de generais que o assessoravam, jogando na lama suas carreiras militares;
    A negligência e irresponsabilidade com a saúde pública;
    A questão sendo levada com extrema incompetência com relação à Amazônia;
    Dois generais que se mostraram inábeis politicamente, e que tentam defendê-lo das críticas recebidas;
    A humilhação pública de um general, ministro da Saúde;
    A nomeação de um novo integrante do STF na preferência do Planalto, trazendo consigo um currículo adulterado e sua esposa como assessora de um senador, comprova que a intenção presidencial não é qualificar o país, mas em deixá-lo à sua feição, ao seu gosto, aos seus propósitos;
    Os generais que ainda tinham um resquício de brasilidade, de civismo, patriotismo, e de respeito à cidadania paisana, decidiram romper com esse projeto ditatorial e autoritário de Bolsonaro!

    Na condição de o Brasil estar caracterizado pela divisão do povo politicamente, em razão de Lula e Bolsonaro, agora nos defrontamos com militares divididos!
    O que anteriormente comentei a respeito da nossa fragmentação política, social e econômica, eis o resultado.

    Bolsonaro neutralizou a oposição aliando-se ao Centrão. Agiu como Lula no mensalão.
    No entanto, sabiamente os petistas não se envolveram com os militares, então lograram êxito em seus planos de dilapidar com o Brasil.
    Ao ser causador da separação entre as FFAA, Bolsonaro está diante de uma situação extremamente difícil quanto à sua reeleição.

    Se os seus próprios pares não o aceitam, e ainda por cima o criticam publicamente, o presidente perdeu a sua sustentação ética e moral, autoridade e respeito, dando início ao seu fim político!

    • Amigo Bendl
      Li a matéria na data da publicação. Pensei muito em comentá-la quando possível, mas desisti. Não por falta do que dizer mas sem vontade do que escrever!
      Concordo com a imensa maioria do que escreveste. Não existem reparos, talvez alguma coisinha que ficou de fora, mas sem importância maior.
      Tempos estranhos, difíceis de entender. Quanto mais “democracia”, mais injustiças, erros e indecisões.
      Não acredito mais que possamos, com esta democracia que temos, tenhamos condições de mudar e buscar rumos melhores, mais sólidos e corretos.
      Quando na democracia erramos, colocamos mais um “prego neste caixão”!
      A cada manifestação coerente, lembro de Ruy Babosa, de suas afirmações e desespero.
      O Brasil é grande demais, tem problemas demais e consciência e povo de menos!
      Braço e muita saude.
      Fallavena

      • Caríssimo Fallavena,

        Obrigado pelo comentário.

        A soma de incompetência com pobreza e miséria, resulta um país sem comando, sem liderança, sem ordem e progresso!

        Mantém-se uma democracia falsa, relativa, com cartas marcadas nas eleições, mas a essência é o poder, enquanto o povo permanentemente tem sido roubado, explorado e manipulado.

        O Brasil se encaminha para um esfacelamento da sua sociedade e nação.
        Já não temos mais unidade como povo, agora muito menos como um Estado.

        Nada mais existe coeso, sólido, mas apenas e tão somente algumas estruturas mantidas por interesses e conveniências pessoais, partidárias e ideológicas.

        Nesse meio tempo, a palavra menos pronunciada, até mesmo deletada é o bem-comum.
        Hoje, denomina-se o mal de todos!

        Abração, parceiro.
        Saúde e paz.

  6. A humilhação sofrida por Pazuello é inaceitável a um militar que se preze. Militar é supostamente preparado para ser um guerreiro – não um submisso. Mas, pelo que parece, existem muitas exceções.
    Obrigado, Deus meu, por não termos guerra.

    • Se o general Pazuello fosse mesmo de estirpe, se prezasse a sua ficha militar, inevitavelmente teria de pedir demissão.

      A sua permanência no governo deve ter sido o estopim da rebelião de uma ala do Exército contra Bolsonao, pois a humilhação sofrida pelo general alastrou-se, naturalmente, entre todo o generalato brasileiro.

      Pazuello errou ao permanecer com Bolsnaro, sendo criticado até pelo reajuste salarial obtido, de modo a ser tão subserviente às determinações do presidente e sua voz de comando!

  7. Jornalista Denise Rothenbung – ( Correio Braziliense ) – este grande Jornal Brasileiro com circulação nacional – Denise, venha apoiar a ABI no Brasil fazendo como o Jornalista Internacional Jorge Pontual ( Grupo Globo ) – ABI – http://www.abi.org.br

  8. Pela Liberdade de Imprensa, opinião e de expressão -Apoio Total a ABI de todos os Jornalistas / Estudantes de Comunicação e Empresários da Comunicação Brasileira – total Apoio a ABI no Brasil – http://www.abi.org.br

  9. Como eu já venho falando aqui no TI as alas divididas das FFAA irão se enfrentar.

    2 alas dividem as FFAA atualmente:

    a) Ala nacionalista
    b) Ala entreguista

    A ala entreguista estão compondo o governo junto com o Bozo, como por exemplo: general de pijama Heleno, Mourão, Luiz Ramos, Pazuello,…

    A besta do Bozo ainda deu para atacar militares entreguistas que o apoiam, mas que agora caiu em desgraça. Como é o caso do Otávio do Rêgo Barros.

    O passado indigno do Bozo nas FFAA fez com que ele não tivesse escolha a não ser se aliar a ala entreguista das FFAA.

    Mas para burrice estratégica do Bozo, a ala entreguista das FFAA são insignificantes dentro da corporação militar.

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