Com dívidas milionárias, candidatos da base recorrem a Dilma. Mas dinheiro não é problema para o PT.

Cátia Seabra e Gustavo Uribe
Folha

Amargando dívidas milionárias referentes à disputa eleitoral deste ano, candidatos a governador aliados ao governo federal pedem agora socorro ao comando da campanha de Dilma Rousseff à reeleição.

Os apelos são suprapartidários: vão do PT ao PSB de Marina Silva, como é o caso do governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho.”Devo e não nego. Pagarei quando puder”, afirma o governador.

O comitê de campanha de Coutinho recorreu à equipe da presidente no segundo turno. Os petistas recomendaram a um doador que colaborasse com R$ 2 milhões para a campanha do pessebista.

PETISTAS DERROTADOS

Os pedidos mais insistentes partem dos próprios petistas, sobretudo os derrotados. Terceiro na corrida para o governo de São Paulo, Alexandre Padilha encerrou a disputa com um buraco de cerca de R$ 30 milhões.

Nos dois primeiros meses de campanha, a candidatura angariou R$ 4,2 milhões, menos de 1/3 do que arrecadou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no mesmo período.

Além de Padilha, o senador Lindbergh Farias também pede ao PT ajuda para liquidar suas dívidas de campanha ao governo do Rio. Segundo ele, o rombo pode superar R$ 6 milhões. “É muito ruim perder. Os doadores acabam fugindo”, lamenta Lindbergh.

PRAZO FINAL

As prestações de contas finais dos candidatos que não foram ao segundo turno deverão ser entregues à Justiça Eleitoral até terça-feira (4).

O prazo para os que disputaram o segundo turno é maior: 25 de novembro. As dívidas pendentes devem ser assumidas pelos partidos.

A penúria não é exclusividade dos derrotados. A campanha de José Ivo Sartori (PMDB) teve como intermediário o ex-ministro Eliseu Padilha, que pediu ajuda para o recém-eleito governador do Rio Grande do Sul.

A dívida do comitê de Sartori é de cerca de R$ 5 milhões, segundo a Folha apurou. “Pedi dinheiro ao comitê de Dilma até a véspera da eleição”, conta Eliseu, que representava o PMDB na coordenação de campanha da presidente Dilma.

Embora derrotado, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), não deve registrar dívidas significativas. “Devem ser de cerca de R$ 300 mil”, calcula Carlos Pestana, coordenador da campanha de Tarso.

NO RIO

Reeleito para o governo do Rio, o peemedebista Luiz Fernando Pezão contou com o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) como porta-voz junto ao comitê de Dilma. Ele solicitou recursos para bancar atividades conjuntas organizadas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). “Pedi dinheiro, mas não sei quanto recebemos”, diz Paes.

Também no Rio, a deputada Clarissa Garotinho (PR) buscou ajuda da campanha de Dilma para o pai, deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Derrotado na disputa ao governo, ele admite ter dívida milionária, mas não a revela. “Ela [Clarissa] fez por conta própria. A situação está difícil. Não quero mais conversa com essa gente”, queixa-se.

Procurado, o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, afirma que seu foco agora é saldar dívidas do comitê da presidente. Ele não quis comentar a situação financeira das candidaturas aliadas. O comando da campanha da presidente não acredita que ela deva fechar o balanço eleitoral com dívidas.

Apesar disso, o PT ampliou neste mês em R$ 40 milhões o limite de gastos do comitê para cobrir despesas compartilhadas com os estados. O teto passou de R$ 298 milhões para R$ 338 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCalma, gente! Todas as dívidas serão pagas. Os empresários estão aí mesmo, para socorrerem o PT, partido mais rico do país. Em 2013, que nem era ano eleitoral, o PT recebeu R$ 80 milhões de “contribuições”. Não é preciso dizer mais nada. (C.N.)

 
 

4 thoughts on “Com dívidas milionárias, candidatos da base recorrem a Dilma. Mas dinheiro não é problema para o PT.

  1. Lembrando que as “doações” são o contraponto, uma espécie de agradecimento ao governo, pelos empréstimos vultosos adquiridos por estas empresas junto ao BNDES.

    Como os recursos do BNDES – mais de R$400,0 bilhões – ou são transferências do Tesouros Nacional, que levanta os recursos através da dívida pública -, ou montantes correspondentes aos 40% do FAT – Fundo de Amparo do Trabalhador, constituído pelas contribuições do PIS/PASEP -, quem está pagando, de verdade, é o cidadão-contribuinte-eleitor.

    Maciçamente o trabalhador e a classe média.

    As conclusões são as mais diversas e variadas.

    • Complementando: 60% dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), pela lei, são direcionados para o financiamento do Seguro Desemprego.

      Os outros 40%, pela lei, são direcionados ao BNDES para compor seus recursos de empréstimos às empresas, essencialmente, do setor privado.

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      Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT

      Introdução

      O Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT é um fundo especial, de natureza contábil-financeira, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, destinado ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial e ao financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico.

      A principal fonte de recursos do FAT é composta pelas contribuições para o Programa de Integração Social – PIS, criado por meio da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, instituído pela Lei Complementar nº 08, de 03 de dezembro de 1970.

      Através da Lei Complementar nº 19, de 25 de junho de 1974, as arrecadações relativas aos referidos Programas passaram a figurar como fonte de recursos para o BNDES. A partir da Lei Complementar nº 26, de 11 de setembro de 1975, estes Programas foram unificados, hoje sob denominação Fundo PIS-PASEP.
      Posteriormente, com a promulgação da Constituição Federal, em 05 de outubro de 1988, nos termos do que determina o seu art. nº 239, alterou-se a destinação dos recursos provenientes da arrecadação das contribuições para o PIS e para o PASEP, que deixaram de ser direcionados a este Fundo, passando a ser alocados ao FAT, direcionados ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial e, pelo menos quarenta por cento, ao financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico, esses últimos a cargo do BNDES.

      A regulamentação do Programa do Seguro-Desemprego e do abono a que se refere o art. 239 da Constituição ocorreu com a publicação da Lei nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990. Essa lei também instituiu o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT e o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFATLink para um novo
      site.

      O FAT é gerido pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT, órgão colegiado, de caráter tripartite e paritário, composto por representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, que atua como gestor do FAT. Dentre as funções mais importantes do órgão, estão as de elaborar diretrizes para programas e para alocação de recursos, de acompanhar e avaliar seu impacto social e de propor o aperfeiçoamento da legislação referente às políticas públicas de emprego e renda, bem como de fiscalização da administração do FAT. O CODEFAT estabeleceu, por meio das Resoluções nº 63 e nº 80 (que tiveram pequenas e sucessivas alterações), critérios para o reconhecimento das comissões de emprego (PDF – 12 kB) estaduais, distrital ou municipais, que representam a consubstanciação da participação da sociedade organizada na administração do Sistema Público de Emprego.

      As principais ações de emprego financiadas com recursos do FAT estão estruturadas em torno de dois programas: o Programa do Seguro-Desemprego (com as ações de pagamento do benefício do seguro-desemprego, de qualificação e requalificação profissional e de orientação e intermediação de mão-de-obra) e os Programas de Geração de Emprego e Renda (com a execução de programas de estímulo à geração de empregos e fortalecimento de micro e pequenos empreendimentos), cujos recursos são alocados por meio dos depósitos especiais, criados pela Lei nº 8.352, de 28 de dezembro de 1991.

      Veja mais sobre o FAT: Ministério do Trabalho e Emprego

  2. Dinheiro não é problema. A megassena ” sorteou” R$ 60 mi na semana das eleições e já está prestes a” sortear” outros R$ 37 mi, amanhã. Outra caixa preta que a PF deveria investigar!!!!

  3. Uma das conclusões a que se pode chegar é a de que, o financiamento público de campanha não altera o resultado final em relação ao gasto público, já que é a população que, comprovadamente, quem já financia as doações aos partidos. Indiretamente.

    Caso o financiamento público de campanha fosse a provado no Congresso, a participação se tornaria direta.

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