Com fim do recesso, a luta da resistência democrática mobiliza Supremo e Congresso

Bolsonaro usa o cercadinho para ir minando a democracia

Eliane Cantanhêde
Estadão

Boa definição do senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Covid: “Quando tem CPI, o presidente fica restrito ao cercadinho do Alvorada. Quando não tem, ele põe o Brasil no cercadinho”. Em sendo assim, o presidente Jair Bolsonaro vai parar de ocupar tanto espaço na mídia e voltar a falar só com um punhado de apoiadores a partir desta segunda-feira, 2. É quando recomeçam os trabalhos do Legislativo e, de quebra, do Judiciário.

A “ocupação de espaço” nem foi tão boa assim. Bolsonaro sai do recesso da CPI e do Supremo com o Centrão engolindo “a alma do governo”, com o liberalismo de Paulo Guedes enterrado pela reeleição e o fiasco do circo sobre “as provas” de fraudes nas urnas eletrônicas, uma farsa, um patético tiro no pé.

URNA ELETRÔNICA – Ao tentar comprovar a fragilidade do sistema, Bolsonaro conseguiu exatamente o oposto: ele é a maior prova do quanto a urna eletrônica é segura. Se o presidente, com todos os serviços de inteligência, instrumentos e equipes civis e militares que tem à mão, levou anos buscando fraudes e não encontrou nada… É porque não tem nada mesmo.

Com o fim do recesso, tudo volta ao normal: as revelações sobre vacinas pululam na CPI e a resistência democrática mobiliza o Supremo, aliás, já de véspera: o ministro Alexandre de Moraes reabriu na sexta-feira as investigações sobre a denúncia de Sérgio Moro de ingerência política de Bolsonaro na Polícia Federal.

O presidente do STF, Luiz Fux, abriu o semestre judiciário dando recados a favor da democracia, da República e da Federação, posicionando-se contra mentiras e bravatas que atingem ministros do Supremo, o sistema eleitoral e a realização das eleições. Fux disse em público o que já disse em privado para o presidente. Em tradução livre: Não vem que não tem. Muito menos golpes.

REUNIÃO COM JURISTAS – Também na segunda, os senadores Simone Tebet e Alessandro Vieira tiveram reunião em São Paulo com a comissão de juristas que assessora a CPI, no escritório do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, que assinou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. 

Segundo Vieira, busca-se o “nexo entre fato e consequência e definir responsabilidades”. Reale acrescenta que Bolsonaro “tenta se eximir integralmente de cumprir o dever de proteção das pessoas” e diz que a CPI evidencia “o negacionismo e a consciente omissão diante do dever de proteção da sociedade”.

CONJUNTO DA OBRA – No VI Seminário Caminhos contra a Corrupção, do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac) e da Unesp, Reale focou menos nas questões pontuais, como negociatas de vacinas, e mais no “conjunto da obra”, dizendo que o presidente só ouviu na pandemia o gabinete paralelo do Planalto, “verdadeiro grupo de conspiração a favor do vírus”.

Reale atribui a Bolsonaro a prática de homicídio comissivo por omissão: “Observo no comportamento do presidente a prática de homicídios comissivos em série, por omissão, descumprindo o dever de agir quando deveria”. É uma pista de como será a orientação dos juristas para o relatório final da CPI, que vem quente.

Senhores e senhoras, o segundo semestre está começando, com o presidente saindo do cercadinho para enfrentar seus maiores campos de batalha, a CPI e o Supremo, onde há toneladas de documentos, mensagens, vídeos e áudios, muitos comprovando: o maior inimigo de Bolsonaro não são eles, é o próprio Bolsonaro.

11 thoughts on “Com fim do recesso, a luta da resistência democrática mobiliza Supremo e Congresso

  1. Esses comunopatas doentes, fumadores da erva-doce , são demais da conta, é a piada pronta todos os dias.
    Até semanas atrás, o Poderoso Chefão abraçava seu irmão metralha mais novo, Luladrão, dizendo que ia votar no larápio.
    Já mudou de ideia, agora vai com o burguesinho comunopata Johnny Doryan Grey……
    Demais..
    O que o THC não faz no cérebro dos lixos…

    Pela primeira vez, FHC declara voto para João Doria nas eleições de 2022

    https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pela-primeira-vez-fhc-declara-voto-para-joao-doria-nas-ecleicoes-de-2022.html

  2. O que mais mudou em Bolsonaro foi seu deslumbramento em ser falado o tempo todo.
    Ficou décadas no ostracismo. Nunca fez questão de aparecer, justo o contrário.
    Mas agora a mosca da fama o contaminou.
    Ser falado é o que importa.

    • A meu ver, o Coiso não quer deixar o poder e também garantir imunidade aos seus garotos comprometidos com a Justiça. Como é também louco, fica difícil vislumbrar a sua real razão.

  3. Infelizmente, o que seria uma esperança na atitude destes dois poderes, STF e Legislativo, tornou-se um pesadelo.
    Ambos, tem credibilidade bem abaixo de zero, perante a população.

    Este “confronto”, não pode dar nada de bom…..

  4. Dinheiro do pagador de impostos
    Quanto dinheiro o Brasil investiu em obras em Cuba e na Venezuela

    Tiago Cordeiro

    É comum empresas estatais fazerem investimentos em obras de outros países, principalmente quando eles geram emprego e renda para corporações da nação de origem. Mas, como todo investimento, este costuma considerar os riscos envolvidos.

    Durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pareceu não levar em consideração as chances de sofrer calotes. Uma série de operações financeiras favoreceu construtoras brasileiras em países aliados ao PT. Elas geraram dívidas que ainda estão sendo pagas. Algumas com atraso, outras viraram calote.

    O banco mantém também uma página em que informa valores liberados, saldos devedores e saldos em aberto por país. Entre 1998 e março de 2021, Cuba recebeu US$ 656 milhões em desembolsos. Tem US$ 447 milhões em saldo devedor a vencer. As prestações em atraso a serem indenizadas são 13, a outras 140 já foram indenizadas – ou seja, não foram pagas nem mesmo depois de tentativas de acordo.

    Companheiros venezuelanos
    Um desses investimentos gerou um elefante branco em Moçambique: o aeroporto de Nacala, reformado para receber 500 mil passageiros por ano em uma cidade com 220 mil habitantes, foi construído a partir de 2010 e inaugurado em 2014, mas recebe tão poucos voos que espaços vazios são alugados para eventos.

    O crédito que o BNDES concedeu virou calote em 2017, e o banco acabou acionando o seguro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), um instrumento do Ministério da Fazenda para cobrir calotes em operações de empresas nacionais fora do país. Foi ressarcido pelo Tesouro nacional em US$ 37 milhões. Segundo o próprio banco, Moçambique foi alvo de US$ 188 milhões em desembolsos, US$ 55 milhões a vencer e 122 prestações em atraso já indenizadas.

    Nos últimos anos, os empréstimos concedidos à Venezuela deram origem a outra escalada de pagamentos do FGE para o BNDES – em outras palavras, dinheiro público vem sendo utilizado para cobrir financiamentos de alto risco realizados pelo banco no passado.

    No país de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, empresas brasileiras contaram com subsídio governamental para vender de carne a aviões e realizar obras em uma siderúrgica e em estações de metrô. Em crise política e financeira, o país não tem cumprido as parcelas de seus empréstimos. A Venezuela recebeu US$ 1,506 bilhão, deve US$ 235 milhões, tem 42 parcelas em atraso e outras 510 não foram pagas.

    Aliás, segundo o próprio BNDES, entre os 15 principais destinos de investimento do banco, apenas os três países, Moçambique, Cuba e Venezuela, geraram parcelas em aberto que não foram pagas e obrigaram a instituição a recorrer ao FGE.

    Companheiros cubanos
    Cuba também recebeu verba do BNDES, principalmente para a Companhia de Obras e Infraestrutura, subsidiária da Odebrecht que contratou a reforma do Porto Mariel, que fica a 40 quilômetros de Havana e foi destino de US$ 682 milhões, financiados até 2034.

    Em setembro de 2018, já sob nova gestão no Palácio do Planalto, o então presidente do BNDES Dyogo Oliveira declarou, a respeito das operações de crédito a Cuba e à Venezuela: “Há uma crítica a esses empréstimos e até diria que, olhando hoje, que fica claro que eles não tinham condição de pagar. Provavelmente não deveriam ter sido feitos e agora temos que ir atrás do dinheiro para receber”.

    Na medida em que o FGE fica sobrecarregado por empréstimos malsucedidos, os encargos para o erário aumentam. Em 2019, o orçamento federal incluiu uma previsão e R$ 1,4 bilhão para cobrir calotes ao fundo. Durante as investigações da Operação Lava Jato, a empreiteira Andrade Gutierrez admitiu que pagou propinas tanto na Venezuela quanto em Moçambique.

    Explicações
    Em seu site oficial, o BNDES mantém uma página com explicações sobre os investimentos no exterior. “O BNDES não financia todo o empreendimento, mas apenas a parte de bens e serviços brasileiros que são exportados para uso naquela obra”, alega.

    “Essas operações funcionam da seguinte maneira: o BNDES desembolsa recursos no Brasil, em Reais, à empresa brasileira exportadora à medida que as exportações são realizadas e comprovadas. Quem paga o financiamento ao BNDES, com juros, em dólar ou euro, é o país ou empresa que importa os bens e serviços do Brasil”. O banco informa que financia exportações de empresas brasileiras para mais de 40 países. “Ao contrário do que comumente é noticiado, o maior destino dessas operações são os Estados Unidos (US$ 17 bilhões de 1998 a 2017). Em seguida, vêm Argentina (US$ 3,5 bilhões), Angola (US$ 3,4 bilhões), Venezuela (US$ 2,2 bi) e Holanda (US$ 1,5 bi)”. Angola e Venezuela se destacam precisamente pela proximidade ideológica com o PT.

  5. Prezado David,

    Se existe um responsável pela transformação do Legislativo e Judiciário, trata-se do Executivo.

    O Executivo cedeu às pressões do parlamento, e isso não é de agora, mas vem de décadas;
    O executivo é quem escolhe os ministros do STF, logo, se o comportamento do Supremo deixa a desejar, esta conduta tem sido a desejada pelos presidentes que nomearam os magistrados!

    Bolsonaro declarou guerra ao Supremo, pelo fato de a maioria dos ministros ter sido escolhida por Lula e Dilma.
    No entanto, aquele que escolheu, Nunes Marques, consegue ser pior que seus atuais colegas, que não possuem acusações de adulteração em seus currículos, ou seja, não são criminosos!

    E, caso Bolsonaro escolher Mendonça, trata-se de outro “engenheiro” de currículos, mesmo estilo de Nunes Marques!
    Pergunto:
    É o Supremo ruim ou é ruim quem escolhe seus ministros?!

    Abraço.

  6. Areia nos olhos

    Cortina de fumaça

    … ou a mais deslavada FUGA da discussão e das responsabilidades – tanto do ladrãozim mequetrefe e ex-coiteiro de milicianos quanto de seus teleguiados.

    Inapelavelmente Boçalnalha será responsabilizado criminalmente por disseminar informações falsas sobre a Covid-19 o que acarretou milhares e milhares de mortes EVITÁVEIS.
    Isso é crime não só contra pessoas brasileiras. É crime contra a Humanidade.

    Para jmb ou Boçalnalha, o sistema de votação pouco importa, até porque ele e todos os membros de sua familícia foram beneficiados pelas regras eleitorais há mais de 30 anos.

    CORTINA DE FUMAÇA!
    Só os ingênuos se recusam a ver.
    Quanto aos teleguiados do presidente criminoso, continuam a “tacar fogo em pneus”.

    Tudo inútil. jmb e seus cúmplices pagarão por seus crimes ainda nessa existência.

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