Com governo fraco, os servidores avançam sobre os cofres

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Com o governo enfraquecido politicamente, todos querem avançar sobre os cofres públicos. E os servidores não fizeram por menos ao pressionar o Congresso para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que transforma os reajustes de salários em uma farra — algumas carreiras mais que dobrarão o valor dos contracheques se os parlamentares endossarem a ganância.

O que mais assusta é que os abusos estão sendo defendidos por grupos articulados da elite do funcionalismo, gente que deveria estar dando exemplo diante das dificuldades que o país está passando. Enquanto a grande maioria dos trabalhadores está com os empregos ameaçados por causa da grave crise, os servidores beneficiados pela PEC 433, que vincula seus rendimentos aos ganhos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), se garantem na estabilidade.

SERVIÇO DECENTE?

Numa hipótese remotíssima, seria até aceitável pensar em reajustes de mais de 100% para os servidores — advogados da União, analistas do Banco Central, delegados da Polícia Federal, auditores da Receita Federal, fiscais agropecuários — se eles prestassem um serviço decente à população. Mas não é o caso. A qualidade é péssima. Nada funciona. E a máquina está infiltrada pela corrupção.

Se estivessem na iniciativa privada, submetidos à meritocracia, muitos desses servidores que tendem a se beneficiar da PEC 443 estariam demitidos e engrossando a fila de desempregados que eles podem ajudar a aumentar caso insistam em reajustes abusivos de salários. As contas públicas não suportam mais exageros. O Estado já é grande demais e suga, por ano, quase 40% das riquezas produzidas pelo país. Bom senso é bom e todo mundo gosta.

9 thoughts on “Com governo fraco, os servidores avançam sobre os cofres

  1. Caro Vicente,

    Não sei se o senhor sabe, mas o serviço público não é administrado por servidores públicos, mas por políticos. Quando muito, estes escolhem um “cabo eleitoral de carreira”, geralmente incompetente, mas com alto “QI”, para alguma chefia de confiança, estratégica e com gratificações polpudas! Quem realmente trabalha não tem padrinho.
    Qualquer cargo administrativo de chefia no serviço público não é preenchido por competência, mas por influência política, portanto, não entendo a sua surpresa em dizer que não funcione. Ora, isso é totalmente esperado!

    Até mesmo os Tribunais de Contas têm as suas autoridades máximas escolhidas dessa maneira.
    Como esperar que algo assim, dirigido por incompetentes, ofereça algo que preste à população?
    A surpresa seria se funcionasse!!!

    Abraços.

  2. O articulista deixa margem à desinformação.

    O trabalhador que serve à Administração Pública, principalmente na condição de servidor efetivo, é, em geral, explorado, sobrecarregado, mal remunerado e desprovido de uma série de direitos.

    Há categorias mais próximas de um conceito político, com maior influência e poder de retaliar e acessar e negociar e exigir, que saem na frente mesmo.

    Veja o exemplo da oferta de maiores benefícios, como o auxilio moradia, dentre outras verbas indenizatórias que integram a nova LOMAN, não para as categorias que mais necessitam, mas para aquelas com maior remuneração e mais poderoso arsenal político.

    Há servidores costas quentes (minoria), há verdadeiros escravos, que desenvolvem trabalhos intensos, que exigem elevado nível de preparação e enorme dedicação, mas que recebem muito pouco e nada conseguem, senão esmolas que sequer recompõem a sua remuneração, diante da acelerada alteração da base monetária, e há categorias com maior poder de barganha, pois o serviço público, em sua visão macro, é um espelho da politicagem.

    O importante a destacar é que a grande maioria no serviço público é de trabalhadores qualificados, mas oprimidos, superexplorados, chantageados e adoecidos, que se dedicam extremamente a suas funções, se esquecem da própria vida e saúde, são usados e descartados, em uma estrutura opressora, que explora e despreza a qualidade técnica e é dominada pela politicagem.

  3. Não vejo servidores públicos, em qualquer esfera que seja, desimpregnados da meritocracia, não, de maneira alguma.

    Aliás, depois da exigência legal da admissão por concurso público, é justamente, por mérito que os servidores se encontram revestidos de mérito.

    Agora, se a máquina pública não funciona a contento, temos que rever muitas coisas, uma delas, é a de que para se chegar a chefia de estado ou de governo, nem é preciso ser alfabetizado; então, como é que uma pessoa desqualificada com Lula vai gerir toda uma máquina cujos servidores tiveram de passar por provas de suficiência?

    Parece-me que a meritocracia não alcança, em verdade, os cargos eletivos, isso sim. Então, a figura do Estado sofre por um erro de concepção, já que o conjunto normativo, não exige preparo prévio dos agentes públicos que galgaram a máquina administrativa pelo mecanismo eletivo.

    Essa é a verdade.

    Acerta na mosca o articulista, entretanto, quando chama a atenção para a ampliação dos gastos correntes vinda dos aumentos salariais desproporcionais dos servidores. Mormente neste momento em que a máquina pública tem é de cortar gastos para equacionar o resultado de suas finanças, enquadrando a despesa debaixo do montante das receitas, isto é, promovendo um ajuste fiscal que dê equilíbrio para as contas de resultado do governo.

    Manutenção dos salários, corte de ministérios e gastos operacionais é tudo o que a máquina pública precisa para o saneamento das contas públicas, para a economia de recursos para o pagamento dos serviços da dívida e, por fim, para diminuir a quantidade de moeda em circulação e ajudar o BACEN a conter a inflação pela politica monetária.

  4. É verdade Wagner, para se tornar médico são necessário pelo menos 19 anos de estudos, engenheiro, arquiteto, advogado e outros 17 anos. Caso queira se especializar, mais dois anos e junte-se a isso muitos outros pequenos cursos. Administrar uma grande empresa tem de estudar muito e demonstrar muita competência e no entanto para ser presidente de república, que deveria ser ocupado por uma das pessoas mais capazes desse país, os requisitos necessários são apenas:
    – ser brasileiro nato.
    – ter a idade mínima de 35 anos, completos antes do pleito
    – ter o pleno exercício de seus direitos políticos
    – ser eleitor e ter domicílio eleitoral no Brasil
    – ser filiado a uma agremiação ou partido político. (Fonte:Planalto)
    Até para ser palhaço de circo tem de ter mais capacidade e experiência.

    • Perfeito, sr. Pedro Rios.

      Esqueci de dizer, além dos cargos eletivos, também os de indicação política como os de designação temporária e os de livre nomeação.

      Assim, governados e dirigidos por gente da pior espécie, não só pelo desprepara, mas, também por estarem imbuídos de má-fé e segundas intenções, não há capacitação dos concursados que dê jeito.

      Convenhamos, esta concepção de agente político ocupando a máquina pública está totalmente equivocada.

  5. Não nos esqueçamos dos abusos e da pessoalidade excessiva nos cargos comissionados, raramente meritocráticos e negociados politica e pessoalmente.

    Em diversos locais, como a ANAC, imperam os vínculos precários e a politicagem.

    É muito comum um representante de ente regulado não cumprir regras básicas de segurança e essenciais para o convívio social e para a não ocorrência de terríveis tragédias desafiar um minoritário servidor efetivo e afirmar: “eu tenho um peixe grande na ANAC”, “quem você pensa que é seu concursado, seu efetivo, que só foi nomeado por uma esmola?” por sorte, pois a maioria passa no concurso, realiza com proveito o curso de formação de alto nível, mas não é nomeado.

    Quanto menos poderio com a corja da politicagem, menor o seu salário.

    A estabilidade, tão constantemente violada por PADs fajutos contra quem faz o trabalho certo pela sociedade, mas que ainda encoraja servidores a lutarem pelo legal e pelo correto será destruída muito em breve.

  6. Concordando com tudo que disseram os excelentes comentaristas deste blog, e subscrevendo na íntegra essas lúcidas opiniões, cheguei à conclusão, inevitavelmente, que o Sr. Vicente Nunes, com a devida vênia, NADA conhece de serviço público, por isso perdeu uma ótima oportunidade. De ficar calado.

    Como auditor fiscal, devo-lhe informar que trabalho muito para honrar meus vencimentos e poder prover minha família. Por dever de ofício, sou obrigado a estar informado sobre todo esse emaranhado tributário que o país produz. Não bastante as leis, há decretos, resoluções, instruções normativas, circulares… Se a Constituição Federal, que se diz rígida, uma vez que precisa de um espinhoso procedimento para ser alterada, hoje é uma colcha de retalhos, imagine-se esses outros atos menores.

    Por dever de ofício, sou obrigado a aplicar leis absurdas, às vezes sendo visto como carrasco, seja por contribuintes de menor poder aquisitivo (cuja renda é de mais fácil alcance pelo Estado), ou pelos que imaginam se beneficiar da cornucópia legal que nos envolve.

    E, para encurtar, por dever de ofício, devo denunciar as propostas indecentes que recebo, no sentido de passar a possuir súbita miopia mental e não enxergar os gatos e gatilhos que à minha frente se colocam.

    Como exigir uma máquina eficiente, que possua funcionários graduados, de elite, para poderem combater os advogados regiamente pagos pelos defendentes – tão pesadas são as suas faltas -, se esses servidores recebem vencimentos incompatíveis com suas necessidades? Ou o Sr. Vicente Nunes está do lado daqueles que querem ver a máquina estatal arruinada de vez, para, aí, prosperarem?

  7. Concordo quando o articulista diz que não é hora de se dar aumento para ninguém, rigorosamente ninguém.Mas desde o começo do ano, os partidos políticos tiveram um brutal aumento de verbas públicas de uns 200 milhões para mais 700 se não me engano.
    Piro ainda por parte desse governo e principalmente do principal partido de apoio, que são os PETRALHAS, resolverem ir contra o ajuste fiscal e votarem a EC que coloca os salários de apenas algumas categorias a nível de servidor de Estado e portanto apta a receber uns 90% do salário de ministro do STF!Por que excluíram os auditores-fiscais da Receita?
    Provavelmente porque consideram a Receita Federal como “inimiga” haja visto que não é a primeira vez que issso acontece e hoje há uma ligação muito maior da categoria com o rival Paulinho da Força!
    São realmente mesquinhos e esses deputados PETRALHAS, mas são antes de mais nada muito burros, pois assim estão jogando definitivamente no ralo qualquer possibilidade de ajuste nas contas públicas, meta tão desesperadamente perseguida pelo próprio “desgoverno” deles.
    Depois se fazem de vitimas quando sequer podem ir com tranquilidade a muitos restaurantes e hospitais burgueses! Aliás se de fato são tão ligados ao povão como vivem arrotando, por que é que não vão para hospitais públicos e para bandejões. É UM VERDADEIRO PARTIDO COMUNISTA DE HÁBITOS BURGUESES!
    MAS PODE DEIXAR A BATATA DE VOCêS ESTÁ ASSANDO QUANTO MAIS TEMPO VOCÊS PRORROGAREM O MANDATO DESSE “CADÁVER INSEPULTO” DA PRESIDANTA MAIS ELE IRÁ FEDER E MAIOR O ÓDIO DO POVO BRASILEIRO A ESSE PARTIDO DE MARGINAIS QUE EXERCE SEM PUDORES UM “PROJETO CRIMINOSO DE PODER”

  8. “Concordo quando o articulista diz que não é hora de se dar aumento para ninguém, rigorosamente ninguém.Mas desde o começo do ano, os partidos políticos tiveram um brutal aumento de verbas públicas de uns 200 milhões para mais 700 se não me engano.”

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