‘Com Lula e Bolsonaro, o Brasil vive uma utopia regressiva’, diz cientista político

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Última pesquisa indica crescimento de Bolsonaro

Amanda Pupo
Estadão

Especialista em liderança e cultura política no Brasil, o professor e cientista político Carlos Melo, do Insper, não define a classe média brasileira como conservadora ou liberal, mas como reativa. Para ele, o fato de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro liderarem as pesquisas das eleições de 2018 reflete um sentimento nostálgico da população, descontente com a situação atual.

A classe média brasileira exercerá alguma pressão ou peso especial nas eleições de 2018?
Sim. Quando a classe média se expande, ela tem força, e quando se retrai, não perde essa força. E se, no momento de expansão, era um momento propositivo – em que se olhava para o futuro, o filho entrando na faculdade, arrumando emprego, as famílias trocando de carro, hoje é reativo. A classe média pensa: “naquele tempo havia emprego, meu filho entrava na faculdade, comprávamos carro e pensa: olha como está hoje”. Isto é o que eu tenho chamado de utopia regressiva: o desejo de voltar ao passado, um passado autoritário, pensando nos militares, no Bolsonaro, ou para o passado populista, pensando no Lula, no crédito, nos bons tempos da economia.

E por que isso ocorre?
Entre os que votam no Bolsonaro, existe um grande contingente de jovens. E é exatamente porque essa parcela da população não viveu os maus tempos da ditadura, não tem conhecimento das questões de um regime autoritário. Eles simplesmente olham para a falta de autoridade, sem compreender o outro lado da moeda, do autoritarismo.

Mas esse contingente não tem um teto de crescimento?
Esta é a esperança de muita gente. Mas o quanto isto é ou não é real? É natural imaginar que, com pouco tempo de televisão, Bolsonaro não dispare na frente. Este seria um processo esperado. Mas no mundo e no Brasil que vivemos nos últimos anos nada parece ser natural, previsível e dado. Surpresas podem acontecer. O que se pode dizer hoje é que essa opção por Lula e por Bolsonaro passa por esta utopia regressiva, a sensação de que o passado era melhor. E isto não é verdade, o presente foi construído pelo passado.

A classe média, além de reativa, é também conservadora?
Essa classe média que dizem ser conservadora votou no Lula, na Dilma, no Fernando Haddad. Não é nem liberal nem conservadora, ela reage ao momento econômico em que vive, ao bem-estar ou mal-estar.

O que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos ensinou ao mundo?
Quando o Trump ganha a eleição, o Obama é absolutamente sincero. Ele diz: “Se o Trump ganhou a eleição, foi porque aconteceu uma série de fenômenos de que nós não nos demos conta”. O Trump era o sintoma de uma transformação que a política tradicional não conseguia compreender, que cria produtividade, mas também cria pessoas bem formadas e desempregadas. Quem elegeu o Trump nos Estados Unidos foi o branco recém-formado e desempregado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA mais recente pesquisa do DataPoder360 revela que Lula pontua de 28% a 32%. Bolsonaro registra 20% a 25%, a depender do cenário. (C.N.)

23 thoughts on “‘Com Lula e Bolsonaro, o Brasil vive uma utopia regressiva’, diz cientista político

    • Acredito que aos poucos a nossa sociedade está conseguindo mudar e vislumbrar outros horizontes que possa contrapor a realidade existente.
      E melhor buscar grandes vitórias, mesmo expondo-se a frustração que viver a eterna angústia do descontentamento existencial.

  1. Lula e Bolsonraro são orelha esquerda e direita de um mesmo corpo , Capachos e servis do sistemas . A diferença está unicamente , na forma qje se travestem .

  2. O PT passou TRINTA ANOS atrasando a vida dos governantes dos outros partidos e depois, mais TREZE anos no poder roubando, mas foi somente agora, quando o Bolsonaro apareceu (e nem entrou no governo ainda) é que a moça percebeu a “regressão” do país?

  3. A lógica e a dinâmica que alimenta a disputa Lula X Bolsonaro, e vice-versa, é a mesma simbiose que alimenta a guerra entre partidarismo e golpismo, primeira e segunda via que se revezam no poder há 127 anos, na verdade, irmãos siameses, que logram o povo brasileiro há 127 anos, povo esse que, por sua vez, não obstante sempre avisado com bastante antecedência, teima em continuar caindo no conto dos vigários, partidarismo e golpismo.

  4. Da entrevista, a única coisa que se salva é a resposta a pergunta: “O que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos ensinou?”

    “O Trump era o sintoma de uma transformação que a política tradicional não conseguia compreender, que cria produtividade, mas também cria pessoas bem formadas e desempregadas. Quem elegeu o Trump nos Estados Unidos foi o branco recém-formado e desempregado.”

    É evidente que esse processo não é novo ou recente… e que não se restringe apenas aos EUA… cada pais faz parte desse processo… uns em estágios mais avançados (Inglaterra, EUA, etc) outros em estágios não tão avançados…. como o Brasil…

    A questão que fica: nossa elite política vai insistir nesse caminho? como se não existisse alternativa?

  5. E quem vai eleger Bolsonaro são os brasileiros que cansaram de ver o país governado por bandidos e dominado por corporações estatais e para estatais mafiosas. Cansaram de uma ” democracia” atípica onde a maioria do povo é esmagada por uma ditadura de conchavo entre três poderes que espoliam a nação e se auto- protegem e querem se perpetuar no poder revezando a mesma safra de corruptos.

  6. Os comentários dão de 10×0 na notícia e não tem nada a ver com utopia regressiva. Tem a ver sim com frustração. Abriram nossos olhos. Vamos mostrar quem manda nas urnas.

  7. Pergunta se o Bolsonaro é corrupto, pergunta?
    É isso que eles vão sofrer, não há argumentos diante disso. O povo cansou!
    A vitória vem tranquilamente.
    Nem as Smartmatic vão poder manipular…
    Podem esperar, será a vitória mais acachapante da história das eleições!
    É bom Jair se acostumando!
    Atenciosamente.

  8. Caro sr. Francisco ,comparativamente são números impressionantes em relação aos mortos ingleses na segunda guerra. Isto reforça minha opinião de que OS GENERAIS ESTÃO VENDIDOS! Que vergonha!

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