Com Orçamento secreto de Bolsonaro, a Codevasf incha e se torna “a estatal do Centrão”

 Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba

Codevasf tem sede em vários Estados, inclusive o Amapá

Breno Pires
Estadão

O esquema do presidente Jair Bolsonaro para controlar o Congresso foi além da criação de um orçamento secreto de R$ 3 bilhões, como revelou o Estadão. Bolsonaro também expandiu e turbinou a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal loteada pelo Centrão que vai aplicar cerca de um terço desses recursos por imposição dos políticos que a controlam.

Criada à época da ditadura para desenvolver as margens do Velho Chico, a Codevasf tem uma história marcada por corrupção e fisiologismo. Neste ano, conseguiu um orçamento recorde de R$ 2,73 bilhões, composto principalmente por emendas, mas o governo fez cortes.

MAIS MIL MUNICÍPIOS – Em campanha pela reeleição, ‘incluiu na área de atuação da empresa mil novos municípios, muitos deles localizados a mais de 1.500 quilômetros das águas do São Francisco. Na prática, o governo transformou a “estatal do Centrão” num duto de recursos para atender interesses eleitorais.

A empresa se tornou a preferida de deputados e senadores, principalmente do Centrão, pela capacidade de executar obras e entregar máquinas aos municípios e Estados mais rapidamente do que o governo. Motivo: sendo uma estatal, tem regras de contratação mais flexíveis do que um ministério.

Como mostrou o Estadão, boa parte dos recursos do orçamento secreto é destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas superfaturados, com valor acima da tabela de referência.

INDICAÇÕES EXPRESSAS – Documentos obtidos pelo jornal revelam que um grupo de aliados do governo determinou o que comprar, por quanto e indicou a Codevasf como o órgão que deveria fazer a operação, o que contraria leis orçamentárias.

A agilidade na “entrega” é essencial para o prestígio eleitoral dos parlamentares em suas bases. Se a transposição das águas do São Francisco ainda é um sonho para moradores da bacia hidrográfica do rio, a distribuição dos recursos da empresa já está sendo ampliada. A área original da Codevasf incluía apenas Alagoas, Bahia, um pedaço de Goiás e de Minas, Pernambuco e Sergipe – por onde correm o rio, seus afluentes e subafluentes –, além de Brasília, sede da companhia.

Por decisão de Bolsonaro, a Codevasf também atende agora o Amapá, reduto do senador Davi Alcolumbre (DEM); o Rio Grande do Norte, base do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (sem partido), e a Paraíba, do deputado Wellington Roberto, líder do PL na Câmara.

EXPANSÃO ALUCINADA – Na sua criação, em 1974, a empresa atendia 504 municípios, o que representava 7,4% do território brasileiro. De 2000 para cá, apenas Dilma Rousseff não alterou a abrangência da estatal. Foi Bolsonaro, porém, que fez a maior ampliação da história da empresa. Desde que ele assumiu a Presidência, a área de atuação da Codevasf cresceu de 27,05% para 36,59% do território nacional. Chegou ao Sul da Bahia, passou a cobrir quase todo o Ceará, o litoral de Pernambuco, o Sul de Goiás e grandes trechos do Pará e de Minas, atingindo a divisa de São Paulo.

A empresa atende hoje 2.675 municípios em 15 Estados, além do Distrito Federal. A ampliação não tem freio. O Senado já aprovou proposta para a estatal atuar no Amazonas, em Roraima e no Sul de Minas. A companhia também passou a operar no clima equatorial úmido da floresta do Amapá.

ALCOLUMBRE DESPONTA – A sede da Codevasf em Macapá foi inaugurada no dia 16 de abril, com a presença de Davi Alcolumbre. Em uma empresa que não gera receitas próprias, o ex-presidente do Senado foi responsável por determinar o capital inicial de R$ 81 milhões para projetos no Amapá, com aval do Palácio do Planalto.

Enquanto isso, a diretoria executiva da estatal, composta por quatro indicados do Centrão, aprovava a criação de mais quatro Superintendências Regionais (SRs), além das oito já existentes. As novas SRs ficarão em Macapá, Goiânia, Palmas e Natal — as duas últimas, aliás, são as bases do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e do ministro Rogério Marinho, que estuda concorrer ao governo do Rio Grande do Norte.

VOTAR COM O GOVERNO – O diretor-presidente da Codevasf é o engenheiro baiano Marcelo Moreira, ex-funcionário da Odebrecht, indicado em 2019 pelo deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), com respaldo do então ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, hoje chefe da Casa Civil. À época, Ramos disse à Coluna do Estadão que Elmar fez a indicação porque era líder do DEM, partido que votava “com o governo”.

O Progressistas, por sua vez, tem dois nomes na diretoria executiva da Codevasf. O primeiro é Luís Napoleão Casado Arnaud Neto, homem de confiança de Arthur Lira, e Davidson Tolentino de Almeida, ligado ao presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI). Outro diretor, Antônio Rosendo Neto Júnior, também tem um padrinho, o senador governista Roberto Rocha (sem partido-MA).

Procurada, a Codevasf disse que as “nomeações atendem as disposições legais e os normativos internos”. O Palácio do Planalto não se manifestou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com esse Orçamento secreto, o governo se comporta em ritmo de altíssima irresponsabilidade, comprando votos na maior desfaçatez, no estilo celebrizado por Lula. Só falta também fatiar a Petrobras. É desalentador. (C.N.)

6 thoughts on “Com Orçamento secreto de Bolsonaro, a Codevasf incha e se torna “a estatal do Centrão”

  1. Mais um comentário bobo de de um senhor idoso da reserva do exército, como muitos outros que estão defendendo um salário extra, em que o idoso se contrapõe ao atendimento de doentes de covid no hospital do exército: “Ele não é público, o militar paga”.
    Que Praga ó Braga.

  2. Indústria brasileira faturou 12,7% mais em março sobre março de 2020
    A atividade industrial voltou a crescer no mês de março, de acordo com a pesquisa mensal da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta segunda-feira. Foi registrada alta de 2,2% no faturamento das indústrias no período.

    O resultado do mês de março não conseguiu compensar a queda de 3,6% no faturamento registrado em fevereiro. A atividade industrial sentiu os efeitos da segunda onda da pandemia naquele mês.

    Na comparação com o mesmo mês no ano passado, que é a comparação mais usada pelos economistas e empresários, a alta no faturamento de março foi de 12,7%. Na época, os resultados foram reflexos dos primeiros efeitos da pandemia sobre a atividade industrial.

  3. Chesf, Codevasp, Denocs, Sudene.
    Se o Brasil tomasse de volta os turbilhõe$ assolapados nesses cinco sumidouros, daria para eliminar todos os problemas crônicos do Nordeste.
    Curioso era que o comando dessas quatro Superintendências acima ficavam, quase exclusivamente, nas mãos de políticos baianos e pernambucanos.

  4. Boa noite , leitores (as):

    Senhor Carlos Newton , a Petrobras já foi fatiada e privatizada ( na surdina ) em quase sua totalidade , ela passou á comprar (importar) gasolina e óleo diesel de si mesma , devido á redução e até mesmo a paralização da produção p/consumo interno , através das empresas estrangeiras que ganharam esse quinhão de mão beijada e preço ” VIL ” , sem contar os constantes e abusivos aumentos de seus derivados no mercado interno asfixiando economicamente o povo Brasileiro , não se importando com seu baixíssimo poder aquisitivo, ou seja , o Brasil e seu povo perderam a Petrobrás duplamente , para empresas estatais estrangeiras e seus testas de ferro brasileiros .

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