Com PT e PSDB sem perder e ganhar, o surgimento de uma terceira força

Carla Kreefft

Uma grande dúvida na análise dos resultados do primeiro turno das eleições municipais diz respeito a quais são as lideranças que verdadeiramente saíram vitoriosas das urnas. É natural que nomes como o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o do senador Aécio Neves (PSDB) chamem para si próprios esse título. Eles estão nos comandos dos dois grupos políticos que pretendem chegar à Presidência da República em 2014.

É inegável a importância dos prefeitos nas eleições de 2014. Eles, certamente, serão os primeiros cabos eleitorais dos candidatos a presidente. Mas é mesmo muito difícil avaliar qual dos dois líderes se saiu melhor. Na verdade, o eleitorado mostrou que já não está tão influenciado pela força política de grandes nomes. Lula, por exemplo, teve muita dificuldade para conduzir seu afilhado para o segundo turno da eleição paulistana.

Fernando Haddad (PT) conseguiu alcançar o segundo turno depois de permanecer por muito tempo na terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto. O candidato Celso Russomanno apresentou muitas fragilidades no processo eleitoral quando começou a ser atacado por Serra e Haddad simultaneamente e perdeu eleitores já no período bem próximo a 7 de outubro. Lula também não conseguiu garantir o seu candidato em Belo Horizonte ao segundo turno.

Patrus Ananias (PT), embora tenha obtido uma votação expressiva – mas, pela ausência de um terceiro candidato capaz de equilibrar mais a disputa -, foi derrotado ainda no primeiro turno pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB). Sem dúvida, o resultado na capital mineira foi uma vitoriosa expressiva para Aécio Neves, que apoiou Lacerda. Ter a parceria do prefeito da capital de seu Estado natal é importante para um futuro candidato à Presidência da República.

Mas, por outro lado, Aécio Neves não teve sucesso em cidades importantes de Minas Gerais. Foi o caso de Uberlândia, no Triângulo mineiro, região onde o PT sempre teve muita dificuldade. Lá, o petista Gilmar Machado foi eleito em primeiro turno. Caso semelhante aconteceu em Montes Claros, onde Jairo Ataide, que tinha a bênção do tucano, também não está no segundo turno.

A situação foi a mesma em Juiz de Fora, onde o atual prefeito, Custódio Mattos (PSDB), foi derrotado pelo PMDB e PT, que agora estão no segundo turno. No Vale do Aço, o PT retomou sua força, mas o PSDB teve vitória expressiva em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ainda na região metropolitana, em Contagem, dois candidatos do campo oposicionista ao PSDB estão no segundo turno, embora um deles, Carlin Moura (PCdoB), deva ter Aécio ao seu lado até 28 de outubro. O ex-prefeito tucano Ademir Lucas ficou fora do páreo.

Assim, não há, sem dúvida, uma situação majoritária para um dos polos, seja no Brasil ou em Minas Gerais. O que é notório é o surgimento de uma terceira força, o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Vitorioso nas eleições de Recife e Belo Horizonte, o partido ainda está entre PT e PSDB, mas terá lado em 2014, que pode ser o seu próprio.

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