Com três anos de antecedência, a sucessão presidencial já começou, com Lula como candidato. E Dirceu, que tenta dominar o PT, vai ficar do lado de quem? De Lula ou Dilma?

Carlos Newton

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidatíssimo para 2014, manobra com grande habilidade nos bastidores e planta notícias nos jornais para pavimentar sua volta ao poder. Primeiro, foi o ministro Paulo Bernardo que deu entrevista defendendo habilmente a candidatura de Lula e adiantando que a escolha do candidato do PT à Presidência na próxima eleição não será feita pelo partido, mas numa simples conversa entre Lula e Dilma.

Agora, Lula usa jornalistas ligados ao PT para divulgar especulações e fazer chegar a líderes petistas a avaliação de que julga um “tiro no pé” debater agora a sucessão de 2014 e que o PT deve se preocupar no momento com as eleições municipais de 2012, o que, aliás, seria o óbvio.

O ex-presidente também divulga informações de que ele próprio desaprova o comportamento de petistas que, por estarem contrariados com a presidente Dilma, pregam a volta dele em 2014 como candidato do PT na eleição presidencial.

Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada quarta-feira, especula que Dilma tenta se aproximar da sua base aliada, sobretudo PT e PMDB, para procurar conter pela raiz uma prematura e crescente especulação interna sobre uma nova candidatura presidencial de Lula em 2014.

Sobre o palpitante tema, Lula mantém duas posições. Nos bastidores, manobra intensamente defendendo sua candidatura, mas sempre que se encontra com jornalistas, faz o contrário. Em diferentes oportunidades, o ex-presidente já manifestou apoio a uma eventual candidatura de Dilma à reeleição.

Uma exemplo dessa manipulação nos bastidores é o caso das prévias para escolher o candidato a prefeito de São Paulo. O PT tem seis pré-candidatos: Marta Suplicy, Aloizio Mercadante, Eduardo Suplicy, Fernando Haddad e os deputados federais Carlos Zarattini e Jilmar Tatto.

Lula já escolheu como candidato o ministro da Educação, Haddad, e estamos combinados. Mas para efeito externo, o ex-presidente afirma defender a realização de prévias. Na direção do PT, quem realmente luta pelas prévias é José Dirceu, pretensamente defendendo os direitos dos demais pré-candidatos, especialmente Marta Suplicy e Aloizio Mercadante.

O que se desenha, nesse xadrez político da maior importância, não é um possível embate entre Lula e Dilma, mas entre os dois e… José Dirceu, a grande incógnita da equação. Já colocamos aqui no blog que, por hora, quem dá as cartas é Lula. Mas Dirceu também sabe jogar e faz questão de entrar em cena como figura exponencial do PT.

Como se sabe, Dirceu ficou milionário com as “consultorias” que deu a alguns dos maiores empresários que atuam no país, nacionais ou estrangeiros, entre eles o próprio Eike Batista. Por ora, não tem o que fazer e se diverte se tornando uma eminência parda no PT, cujo presidente atual, Rui Falcão, é inexpressivo, e deve ser substituído por José Genoíno, réu do mensalão, vejam a que ponto o partido chegou.

Dirceu está fora da política eleitoral, devido à sua cassação, mas não deixa de lado a política partidária. “Até 2015 farei o que sempre faço: política. Sou dirigente do PT, militante e, como todo mundo, também tenho que trabalhar, sou advogado”, anuncia.

Com esse objetivo, intervém em todas as questões de importância dentro do partido. Agora, por exemplo, está defendendo a candidatura do juiz aposentado João Gandini à Prefeitura de Ribeirão Preto, pelo PT, nas próximas eleições municipais.

Acreditem, se quiserem. Gandini foi o juiz que condenou Palocci em primeira instância por enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres públicos quando havia sido prefeito de Ribeirão Preto (2001-02), causando prejuízo de R$ 72 mil ao erário.

Dirceu esteve recentemente em Ribeirão Preto para participar de um encontro regional entre prefeitos, vices e vereadores do PT. O objetivo era debater, a portas fechadas, a reforma eleitoral e as eleições de 2012. “O partido cresceu porque soube renovar e mudar. O PT é o responsável por essa nova classe média, que já tem emprego e agora quer melhores condições de vida, saneamento, transportes”, afirmou na reunião.

Detalhe: em junho, após a queda de Palocci, o presidente do diretório do PT em Ribeirão, Pedro de Jesus Sampaio, afirmou que queria o petista como candidato às eleições municipais. Mas na reunião, Dirceu argumentou que a decisão de voltar ou não à política é de Palocci e que, caso faça isso, terá o seu apoio. “Ele sempre teve minha amizade. Você pode discordar do ponto de vista político, mas do ponto de vista ético não há nada que possa condená-lo neste sentido”. Assim, por enquanto, segue apoiando o juiz Gandini.

E o jogo está só começando. De que lado está Dirceu? Do lado de Lula ou de Dilma? A propósito, é preciso lembrar que existe a possibilidade de ambos serem candidatos em 2014, se Dilma Rousseff romper com Lula e mudar de partido, beneficiada pela reforma eleitoral que já está em curso e vai abrir uma “janela” para possibilitar um troca-troca de legendas. São hipóteses, por enquanto, mas na política brasileira tudo é possível, não é mesmo? E vale à pena esperar para ver como é que fica.

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