“Com vitória de Lula ou não, a esquerda terá de se repensar”, afirma Haddad

Haddad

Haddad admite que Lula pode perder a eleição

Deu no Estadão

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, coordenador-geral do programa de governo do PT para a eleição e um dos nomes cotados para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não gosta nem de falar da possibilidade da candidatura do petista ser barrada pela Justiça. Independentemente do futuro de Lula, Haddad diz acreditar que a esquerda precisa se repensar.

Em entrevista ao Estado, o ex-prefeito afirma que o PT não trabalha com a hipótese de Lula ficar inelegível por considerá-lo inocente. Mas disse que os adversários do petista têm chances reais de bater Lula nas urnas. Para ele, seja quem for o eleito, no dia seguinte à posse todos os segmentos políticos, até mesmo a esquerda, vão ter de iniciar um processo de rearranjo.

O discurso de partidarização do Judiciário não é uma tentativa do PT de tapar o sol com a peneira e desviar de um assunto que ainda não enfrentou: os casos de corrupção nas gestões petistas?

Qual o impacto que o julgamento vai ter no processo eleitoral?
Temos de ter a expectativa de que o Lula possa efetivamente ser absolvido em razão da fragilidade da sentença. Ela não se sustenta. Vou um pouco além dos juristas que têm se manifestado a favor do Lula e dizem que não há prova no processo. Na minha opinião, não há nem crime.

O fato de Lula e Marisa terem conversado com a OAS sobre as reformas não é um indício?
Só seria crime se ele tivesse recebido o apartamento sem pagar a diferença entre o que ele tinha declarado no Imposto de Renda e o valor do triplex reformado. Então não há nem o que apurar.

Quais são as consequências de uma eventual prisão de Lula?
Vai frustrar uma parcela significativa da população que considera legítimo o direito de Lula disputar a Presidência. E eu entendo que os adversários do PT têm uma chance de ganhar a eleição legitimamente. Uma chance real. Não é porque perderam quatro eleições que não podem ganhar a próxima. É a tentativa de ganhar por W.O.

Qual o futuro do PT sem Lula?
O lulismo vai sobreviver ao Lula pela força da sua liderança. São 40 anos de Lula. Essa marca ele deixou.

Há quem diga que a candidatura de Lula sirva apenas para atrasar a reconstrução da esquerda.
Acredito que, qualquer que seja o resultado eleitoral, em 2019 começa um novo jogo. As medidas eleitorais que já foram tomadas vão começar a surtir efeitos. Os partidos vão ter de se mexer. Não faz sentido ter cinco partidos de esquerda, 15 de centro, 12 de direita. Não tem razoabilidade. As forças políticas vão ser obrigadas a se mexer, a esquerda também vai ter de se repensar. Com Lula ou sem.

A revogação de medidas do governo Temer vai estar no programa de governo?
Existem aspectos de mudanças legislativas que foram feitas e vão exigir revisão. Não para voltar à situação anterior, mas para pensar outro tipo de relacionamento entre capital e trabalho.

Falta debate na esquerda sobre alternativas além da CLT?
Isso não falo de agora. É óbvio que a esquerda tem de ter compromisso com o trabalho assalariado formal, que é uma conquista da classe trabalhadora. Mas é evidente que o trabalho assalariado formal não emancipa, ele é ainda trabalho subordinado. Se souber aproveitar a modernidade a favor de formas emancipatórias, pode encontrar formas inovadoras que podem representar mais do que o trabalho assalariado.

A favor do trabalhador?
Do nosso ponto de vista, sempre. É curioso notar que o trabalho assalariado formal acaba sendo fetichizado como se fosse o último estágio de desenvolvimento das forças produtivas. E sabemos que não é. A esquerda libertária tem de buscar formas de superar o trabalho assalariado.

Se Lula for eleito deve fazer uma reforma na Previdência?
Falar a favor ou contra a reforma da Previdência não é a melhor maneira de lidar com o assunto. A melhor maneira é perguntar qual é a sua proposta para a reforma, à luz do envelhecimento da população e de uma série de fenômenos além da nossa vontade, dar sustentabilidade ao regime? A pergunta é sobre quem vão recair os reajustes? Este tem de ser um debate permanente porque a sociedade muda permanentemente.

Existe diálogo da equipe de programa de governo com o mercado, com os empresários?
Eu, pessoalmente, estou dialogando. Participei de um encontro do JP Morgan em São Paulo, de um encontro do Movimento Brasil Competitivo do (Jorge) Gerdau, fui a Nova York me reunir com fundos de investimento no Brasil porque é uma forma de me apropriar daquilo que está sendo discutido nestes ambientes. Acho que há interesse mútuo de discutir o País. Lula nunca fechou as portas para quem quisesse buscar interlocução.

14 thoughts on ““Com vitória de Lula ou não, a esquerda terá de se repensar”, afirma Haddad

  1. “É curioso notar que o trabalho assalariado formal acaba sendo fetichizado como se fosse o último estágio de desenvolvimento das forças produtivas. (…) A esquerda libertária tem de buscar formas de superar o trabalho assalariado.”
    “Participei de um encontro do JP Morgan em São Paulo, de um encontro do Movimento Brasil Competitivo do (Jorge) Gerdau, fui a Nova York me reunir com fundos de investimento no Brasil porque é uma forma de me apropriar daquilo que está sendo discutido nestes ambientes.”

    Traduzindo, o negócio da ‘nova esquerda’ é governar para os ricos e largar os pobres à própria sorte, já que criar empregos não é coisa para gente ‘moderna’.

  2. O burrinho do Haddad, também conhecido como Naddad em São Paulo, está ajudando na construção do programa de governo do PT. Quando o Maluf sair da prisão vai chamar o Naddad de novo na sua mansão e fazer outro beija-mão em troca de apoio. O Lula vai junto e os três vão pousar orgulhosamente para as fotos. Vai ser esperto assim lá no Doi-Codi.

  3. O Lulla não era o dono do apartamento e pagava aluguel, só que não para proprietário e sim para um cidadão amigo. O recebedor, que não era o proprietário, também não é reconhecido como representante do dono e aí não tem mais como entender a história. Agora, sempre que alugar um imóvel vou pagar para qualquer pessoa que me ofereça o menor valor. Recapitulando, o Lulla não era dono mas tinha o apartamento no nome dele no IR e rompeu o contrato feito com data fraudada e adulterada devolvendo o imóvel para o vendedor. Como não era o dono, mas usava o imóvel que tinha sido reformado por alguém que não se sabe o nome inclusive recebendo móveis sob medida que nunca foram pagos, pelo inquilino o Lulla passou a pagar aluguel para uma pessoa que se dizia proprietária e era muito burra a respeito da emissão de recibos e principalmente ainda não tinha aprendido os meses do ano. Só que uma juiza do DF determinou que o dono é o antigo dono e que aquele que se dizia dono não era dono embora alugasse o imóvel para aquele que não sendo o dono agia como se o fosse. E, depois, não querem que o Lulla vá para a cadeia. Bem, falta o Lulla explicar o pagamento do aluguel em espécie, que é característico de quem usa dinheiro sujo. Dinheiro honesto fica no banco e é usado através de cheques, docs, teds, etc…

  4. A “esquerda” à qual Haddad se refere é na verdade o lulismo, que obviamente é uma quadrilha criminosa!

    Haddad aliás foi um prefeito tão estúpido (da cidade de São Paulo) que perdeu a eleição já no primeiro turno, quando tentava um segundo mandato!

    Ele é mais um lixo criado pelo lulismo, e ao qual deve favores para sempre, de acordo com as regras dessa quadrilha…

  5. Nada mais fútil do que ficar ziguezagueando por entre os dois extremos dessa polarização imaginária: esquerda x direita; comunismo x capitalismo.
    No Brasil, esse antagonismo ideológico nunca existiu. A “ideologia” se distingue apenas no discurso para ludibriar o eleitotado. Uma vez eleita, qualquer que seja a banda vencedora, eis que simplesmente se instaurou mais uma CLEPTOCRACIA. A diferença entre os governos civis e os militares, é que no segundo, nunca se ouviu falar no envolvimento na figura central (o general) com roubalheiras. Porém, os expoentes políticos que davam suporte à estratocracia, para impingir à comunidade à paisana de que ela se fazia representar; entre eles a safadeza era a mesma de hoje. Exemplos: Sarney, Maluf, Delfim, ACM etc. Dentre os empreendimentos, durante a ditadura, o que abriu a maior sangria nos recursos públicos, chama-se: setor da construção civil.

  6. O Haddad fala como se o PT fosse um partido de esquerda. Se ser esquerda é dar uma esmola aos pobres, um banquete aos ricos e assaltar os cofres públicos levando o pais a maior crise de sua história.
    Essa esquerda deve ser eliminada do Brasil. São lobos com pele de carneiro.

  7. “Eu, pessoalmente, estou dialogando. Participei de um encontro do JP Morgan em São Paulo, de um encontro do Movimento Brasil Competitivo do (Jorge) Gerdau, fui a Nova York me reunir com fundos de investimento no Brasil porque é uma forma de me apropriar daquilo que está sendo discutido nestes ambientes. Acho que há interesse mútuo de discutir o País.” Então tá. Discutir o país, ou vendê-lo aos gringos a preço de banana ? Melhor flertarmos com a RPL-PNBC-DD-ME, que é a reinvenção do país, transformado em confederação e num gigantesco canteiro permanente de obras, com parceiros mais interessantes do que banqueiros, rentistas, agiotas, empresários bandidos e afins.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *