Comandando a luta contra Sarney, Mercadante, a vingança da porta

Foi vice de Lula em 1994, perderam, ficou sem mandato até 1998, por conta da ignominosa coincidência de mandatos. Em 2002, foi eleito com a maior votação (proporcional) para o cargo. Lula presidente na mesma eleição, “tinham certeza”: seria ministro, provavelmente da Fazenda, não foi nada, nem chamado.

Esquecido, abandonado, desprezado

Foi ficando apenas no Senado, houve a queda de toas as potencias do governo, potencias que se consolidaram com ele. (E com Paulo Paim, excelente figura, igualmente jogado para longe como indesejável).

“Esquecimento” até na eleição de São Paulo

Os tempos passam, amizades são desfeitas, inimizades refeitas, (vide Mangabeira Unger, Geddel Vieira Lima e muitos outros) o que se esperava: grande nome como economista e com repercussão popular (daí a escolha para vice e depois senador) o próprio PT (ainda não era PT-PT) se lembrasse de Mercadante para governador ou prefeito. O esquecimento não deixava ninguém lembrar.

A oposição sem fronteiras

Agora, Mercadante abre o jogo para todos os lados, rompe com a oposição com quem sempre foi amigável, passa a um outro nível de comportamento, mas não pode ser criticado, injustiçado, hostilizado.

Combatendo o governo

O Ministro José Mucio, que está deixando um desgastante cargo transitório para ocupar outro, confortável e permanente, recompensa os que o ajudaram, tenta diminuir Mercadante: “Ele é apenas um senador, deve ter um outro com ele”. Tirando a falta de educação, o Ministro mostra uma preocupante falta de visão.

O “coordenador” que não coordena

Puxa, como não ver que Sarney é uma réplica ou imitação do Muro de Berlim? Parecia inexpugnável, achavam que ninguém iria derrubá-lo, mas os que adoram licitações, já estão atentos para liquidá-la e ganhar com a reconstrução de Sarney.

Só que esse trabalho, a Mendes Junior faz recebendo “apenas” 150 por cento do preço.

A longa viagem sem volta

De qualquer maneira, terminou a longa e demorada agonia de Sarney. Falta decidir apenas se haverá enterro ou cremação. É possível que exijam velório, uma forma da oposição se redimir e a situação se reconstruir.

Os últimos instantes

Há ainda um último sacramento não administrado, cada vez mais difícil pela exigência de ser de corpo presente. O próprio Sarney complicou as coisas, e instituiu o corpo presente, já que ele definiu: “Nem licença, renúncia ou demissão”. Então optou pela presença.

Elogios estão pela hora da morte

A resolução será penosa, mas pelo menos, em borá muitos personagens usem a palavra morte, é só para o cargo, não para o político. Embora qualquer político considere que o ostracismo é pior que a morte.

Há quem diga que o senador de São Paulo não atende mais ninguém, vai trabalhar desde já pela reeleição, e pelo fortalecimento do próprio partido. Informado do fato, Lula exclamou e reclamou: “isso é contra mim”. O senador de SP, parodiando o ex-chefe, confidenciou: “Eu não sabia”.

*  *  *

PS- Existe o problema de quem colocar no que parecia o jazigo perpétuo de Sarney, mas estão todos observando o senador do Acre.

Este não desvia o olhar, e responde sem palavras: “Já perdi uma vez, mas o Acre não perde duas vezes”.

PS2- Mas tudo resolvido, decidida a cremação, que pode esconder sentimentos mas não mostrar lágrimas, surge a maior e última incógnita da aventura dos que se elegeram em 2010: o senador das Alagoas. Ele tem força, ninguém o força a nada. No derradeiro caminho da Lampadoza, quase diante do cadafalso do amigo, pode querer discursar. Até neste momento?

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