Combate ao crack já precisa ir além das grandes cidades

Milton Corrêa da Costa

Rio de Janeiro e São Paulo já vêm reprimindo as cracolândias. Antes tarde do que nunca. O crack, a chamada ‘droga da morte’, uma ameaça seríssima à juventude, é um derivado da planta de coca, resultante do resíduo da cocaína, com bicarbonato ou amônia e água destilada, formando pedras e fumado em cachimbos.

Cerca de 1/3 dos dependentes de crack e agora também do oxi, um derivado da folha de coca ainda mais potente (feito com cal, gasolina e cocaína) morrem em cinco anos. O que é pior, o crack está presente não só nos grandes centros urbanos, mas também no interior do país.

Se as grandes cidades estão despreparadas para enfrentar tal epidemia, imaginem as cidades menores e sem recursos. Ou seja, a droga se dissemina em pequenas e médias cidades do interior, onde não há como contê-la..

Um estudo da Confederação Nacional de Municípios identifica problemas em nove entre dez cidades pesquisadas do interior e contém impressionantes relatos de casos reais de dependência do crack no interior, envolvendo trabalhadores de canaviais, os bóias-frias.

Estes tristes relatos da dependência põe em xeque a tese da chamada ‘corrente progressista’ das drogas, encabeçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defendendo que a maconha seja liberada, porque não seria porta de entrada para drogas mais pesadas.

É preciso, urgentemente, criar uma legislação penal específica para o caso do tráfico do crack e oxi. Quem vende crack ou oxi é homicida em potencial, pois está vendendo uma passaporte muito rápido para a morte.

A questão é tão complexa que não há consenso entre psiquiatras e psicólogos sobre o recolhimento compulsório para o tratamento e tentativa de recuperação do dependente. Não se pode confundir recuperação do vício, com simples desintoxicação, para sanar a síndrome de abstinência, e volta para o consumo.

Há que se ter em mente, também, que o recolhimento compulsório deve ser necessário, prioritariamente, aos que se encontram em último grau de dependência com risco de morte. A chamada narcossala também é terapia discutível e dispendiosa. Não haveria tantos recursos para a sua implantação e manutenção. Só no Rio de Janeiro, vivendo no submundo das 11 cracolândias, há 3 mil dependentes.

Talvez, antes de combater o crack tenhamos mesmo é que aprender a lidar com os usuários. Por enquanto, a droga da morte continua sendo uma gravíssima ameaça à juventude brasileira.

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