Combate implacável ao crime organizado

Carlos Chagas

Falta a data, mas é certo que Dilma Rousseff, antes de tomar posse, reunirá os governadores eleitos ou reeleitos  visando estabelecer nova estratégia para a segurança pública. O governo federal e os estados deverão agir em conjunto para enfrentar a violência crescente em todo o país. Torna-se urgente uma espécie de mutirão,  incluindo o Poder Judiciário, o Ministério Público, as Forças Armadas e as prefeituras das capitais e principais cidades.

Ao contrário de José Serra,  a presidente eleita não cogita criar um ministério específico para a segurança pública, mas fará do combate ao crime organizado um de seus maiores objetivos. O  tráfico de drogas e o contrabando, em especial de armas, serão combatidos de forma implacável, tem comentado a presidente eleita. O poder público deve uma resposta ao cidadão comum, cada vez mais ameaçado pela bandidagem.

O SEGUNDO TEMPO

Lembramos dia 11 episódio transcorrido no mesmo dia, no longínquo 1955, quando o ministro da Guerra, general Henrique Lott, impediu a deflagração de um golpe engendrado em detalhes para impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. O presidente Café Filho havia se afastado, a pretexto de uma crise cardíaca, ocupando o palácio do Catete o presidente da Câmara, Carlos Luz, escalado para demitir o general Lott, única voz  contrária  à trama ditatorial. O militar, já exonerado, foi horas depois alertado pelo Alto Comando e dispôs-se a resistir, botando a tropa na rua. O Congresso viu-se “convidado” a considerar Carlos Luz impedido, empossando o presidente do Senado, Nereu Ramos, na presidência da República. Seu primeiro ato foi pedir ao Congresso a decretação do estado de sítio, com a suspensão dos direitos e garantias individuais.

Naquele mesmo mês, precisamente nesta semana, 55 anos atrás, aconteceu o segundo tempo da crise. Café Filho, surpreendentemente recuperado, mandou avisar que reassumiria o poder. Ainda no  hospital, recebeu a visita do ministro da Guerra, que apelou para a decisão ser revista e o presidente continuar afastado. Café não aceitou e foi  para seu apartamento, em Copacabana, pronto para retornar ao Catete.  Quinze minutos depois, o quarteirão estava cercado de tanques e soldados.  Ninguém podia entrar nem sair, a começar pelo presidente.  O perigo de sua volta era de o golpe ser revitalizado.

Nereu Ramos não titubeou. Disse a Lott que se Café aparecesse ele imediatamente  entregaria o governo. Fazer o quê para continuar garantindo a posse de JK? Novo “convite” ao Congresso para votar outro impedimento, agora de Café Filho, o que aconteceu de madrugada. Disposto a lutar,  o presidente impetrou mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal. Era seu direito, apesar de torto porque,  se concedido,  reabriria a crise.

ministros da mais alta corte nacional de justiça encontraram a solução: não poderiam decidir porque o país encontrava-se sob estado de sítio. Café acomodou-se. Em janeiro,  Nereu passou o poder a Juscelino e Lott continuou ministro da Guerra, no novo governo.  Tudo sem que corresse uma gota de sangue, apesar de tiros de canhão terem sido disparados, quando as fortalezas do Exército abriram fogo contra o couraçado “Tamandaré”, onde havia se refugiado Carlos Luz. Felizmente, não acertaram, dizem que por estarmos no Brasil…                                        

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