Começa um novo capítulo

Carlos Chagas

Euforia de uns, ranger de dentes de outros, mas a verdade é que conhecidos os resultados das eleições de hoje, para prefeito nas cidades onde se exigiu segundo turno, começa amanhã capítulo político fundamental para o futuro do país. Saem de campo as preocupações municipais, entram as estaduais e a nacional.

De agora em diante farão planos em tempo integral os aspirantes aos governos estaduais, ao Congresso e às Assembléias Estaduais e, em especial, ao palácio do Planalto.

Poucos duvidam de que Dilma Rousseff será candidata a um segundo mandato, ainda que alguns companheiros, mal-satisfeitos com a presidente, venham a insistir para o Lula se apresentar. Como o antecessor já enfatizou incontáveis vezes dever a sucessora disputar a reeleição, afasta-se a hipótese de que obtenha sucesso o ressentimento de petistas frustrados por não haver ocupado o poder como imaginaram.

Até agora a presidente não avançou uma só palavra a respeito de concorrer em 2014, ainda que a natureza das coisas deva seguir seu rumo sem percalços. Estaria até agendada a mesma aliança de 2010 com o PMDB, permanecendo Michel Temer de vice-presidente, no caso de Dilma sair vitoriosa. Coisa muito provável, até, caso não sobrevenham inusitados.

Há expectativa com relação ao comportamento das forças afins. O Partido Socialista, por exemplo, cresceu bastante nas eleições municipais e na ambição de seu presidente, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco. A mosca azul anda solta, podendo o neto de Miguel Arraes arriscar sua candidatura antecipada, mesmo precisando bater de frente com Dilma. Abre-se também a possibilidade dele aliar-se a outro neto, no caso Aécio Neves, numa dobradinha oposicionista. Ou será que vai virar ministro no segundo governo da atual presidente?

Uma certa dose de inconformismo, quem sabe moeda de troca, circula no PTB, no PR, no PP e no PDT, que formam na base do governo. Perderam mais espaço do que ganharam, ao longo dos últimos dois anos e gostariam, pelo menos, de recuperar o tempo perdido. Traduzindo: para apoiar a reeleição de Dilma, seus dirigentes querem ministérios e cargos, ainda mais porque os hoje ocupados pelos partidos não rezam pela cartilha dos caciques. Ameaçam com a passagem para o outro lado, mas sem muita convicção. Quanto a lançarem candidatos próprios, nem pensar. Falta-lhes densidade.

No PSDB, a oposição real, prevalece a já referida natureza das coisas: o candidato deve ser o atual senador e ex-governador de Minas, ainda que os paulistas se ressintam de perder a hegemonia. Geraldo Alckmin andou assustando ao admitir que poderá candidatar-se, mas a questão parece ornitológica, isto é, ligada às pombas: melhor uma na mão do que duas voando. O governador de São Paulo dispõe de boas condições para reeleger-se. José Serra, por motivos diversos, ficará de fora.

Deixando para outro dia a análise das inúmeras disputas para governador, bem como as previsões a respeito de quem poderá fazer maioria na Câmara e no Senado, sobra apenas um coringa nas cartas sucessórias: será fogo de palha essa súbita admiração nacional pelo ministro Joaquim Barbosa? Ou cederá o já agora novo presidente do Supremo Tribunal Federal à tentação de mudar de lugar na Praça dos Três Poderes? Impossível a opção não é, ainda que inusitada.

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