Começou mal a CPI

Carlos Chagas

Começou mal a CPI do Cachoeira. Divididos, mas por maioria, seus integrantes decidiram realizar sessões secretas. Na primeira, terça-feira, já não conseguiram, porque a imprensa inteira, ontem, divulgou o depoimento sigiloso do delegado da Polícia Federal, Raul Marques Sousa. Houve vazamento, por parte de deputados, senadores e funcionários presentes à reunião. Pelo jeito, o que Suas Excelências não queriam era aparecer nas telinhas, quando os mais afoitos superariam os mais cautelosos.

O grave na questão, porém, foi a decisão: por que fazer segredo de investigações a que a nação inteira tem direito de conhecer? Uma Comissão Parlamentar de Inquérito decorre da expressão “parlamento”, que significa falar, discutir, ouvir e debater. Como essas práticas podem ser subtraídas da sociedade?

É pueril a argumentação de que o sigilo garante a qualidade das investigações e que a publicidade das oitivas poderia fornecer munição aos acusados. Daí à existência dos execráveis decretos-secretos da ditadura, a distância é pequena.

A razão está com o deputado Miro Teixeira, para quem tudo deveria transcorrer às claras. Até pelo ridículo de que nada ficou escuro, inclusive a crítica do delegado ao Procurador Geral da República.

Quanto a Roberto Gurgel, mesmo impedido de depor, disporá de meios para justificar porque não investigou os autos da Operação Veja, deixando de pedir a abertura de processo contra o senador Demóstenes Torres e três deputados.

Haverá que aguardar os próximos depoimentos, tornando-se um verdadeiro sacrilégio supor que Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres e os governadores Marconi Perilo, Agnelo Queirós e Sérgio Cabral venham a ser protegidos pelo sigilo. Se isso acontecer, melhor fechar por antecipação a CPI.

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BATMAN E ROBIN

Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres estão convocados para depor na CPI e no Conselho de Ética do Senado. A postura que mantiverem numa, será repetida na outra. Duvida-se de que, mesmo preso, nos últimos dias o bicheiro não tenha trocado informações com o senador, através de advogados e parentes. A informação é que um dará cobertura ao outro, numa ação conjunta da dupla mais dinâmica do que Batman e Robin…

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EXEMPLO DE FIRMEZA

Aplausos para o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, que negou pela terceira vez o pedido de desmembramento do processo do mensalão, para que os réus não parlamentares viessem a ser julgados pela Justiça Comum e não pela mais alta corte nacional de justiça.

Tratava-se de um artifício do advogado Márcio Thomaz Bastos e outros, visando transferir para a primeira instância, começando tudo de novo, os processos em vias de conclusão contra os mensaleiros. De José Dirceu a Marcos Valério, de Delúbio Soares a muitos outros, sem mandato, eles ficariam praticamente livres de condenações. Agora, e dentro de pouco tempo, serão julgados.

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QUEM CONTROLA OS CONTROLADORES?

Insiste o PT na tentativa de enquadrar os meios de comunicação. Missão inócua, porque nem os governos militares conseguiram. Melhor fariam os companheiros se, em vez de querer nivelar o noticiário em função de seus interesses, convencesse a presidente Dilma Rousseff a conceder sua primeira entrevista coletiva.

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