Comentarista dos EUA pede explicações (procedentes) sobre as dívidas interna e externa do Brasil, que estão em R$ 2,47 trilhões e US$ 250 bilhões, respectivamente.

Carlos Newton

Por modéstia, Helio Fernandes jamais tocou no assunto, mas este blog está sendo lido nos mais diversos países, em todos os continentes (até agora, só não tivemos acessos de um continente, a Antártida, mas a gente chega lá).

Segundo o site norte-americano Histats, que monitora cada acesso a este blog, no momento em que eu escrevia este texto, às 15h55 de domingo, dia 13 de fevereiro, a Tribuna já fora lida hoje nos EUA por 60 pessoas; Portugal, 8; Israel, Japão, Alemanha e Suécia, 4 pessoas em cada país; Itália e Grã-Bretanha, com 3 cada; Paraguai, Holanda, Argentina e Canadá, com 2 cada; e Finlândia, Rússia, Tunísia, Dinamarca, Espanha, França, Turquia e Emirados Árabes, com um leitor em cada país.

Eles não só lêem o blog da Tribuna da Imprensa no exterior, como também enviam mensagens. Hoje, por exemplo, o comentarista Sam de Mattos Jr., da cidade de Moore, na Carolina do Sul (EUA), mandou-nos as seguintes perguntas, a propósito de uma recente matéria sobre a evolução das dívidas interna e externa:

“Primeiro, peco-lhe desculpas pela minha ignorância econômica, todavia como acho o seu artigo de importância vital, peço-lhe – e também aos queridos amigos que queiram me ajudar – que, se possível, façam a gentileza de me explicar em linguagem leiga, quase em “mineirês”, algumas perguntas que tenho sobre o seu brilhante comentário, substanciados por nomes, datas e circunstâncias (bom jornalismo).
1- Qual é “de fato” a diferença substancial entre a dívida INTERNA de um país e a sua dívida EXTERNA? Há um grau de maior ou menor periculosidade econômica entre uma e outra? Uma pode ser dissimulada (pulverizada, dissimulada) e a outra não?
2 – Qual é o genesis de nossa Dívida Mobiliária do Tesouro Nacional Interna? Foi dinheiro usado para quê? Em mineirês, por gentileza.
3 – Corrija-me se não entendi: a dívida interna do Brasil e de cerca de R$ 2,4 trilhões, incluindo-se a “Divida Mobiliária” acima. Aproximadamente 1/3 dela foi vendida em títulos, depositados no BC. Como o dinheiro da venda dos títulos foi usado, ficou (maquiado) no BC, R$ 760 bilhões de “títulos podres” e sem lastro?

***

Vamos por partes. Sam. Dívida interna ou externa, tanto faz, tem que ser paga. A diferença é que a interna é lastreada em títulos, contratos e outras negociações feitas no próprio país, enquanto a externa é baseada em títulos colocados no mercado externo, além de contratos e outras negociações. No final, é tudo dívida. Veja, por exemplo, o que ocorre nas operações de equalização cambial, classificadas como “relacionamento Tesouro Nacional/Banco Central”: as operações são com moeda estrangeira (geralmente para manter a cotação do dólar), mas as despesas (quase R$ 49 bilhões em 2010) caem na rubrica da dívida interna.  Como você percebe, é muito difícil falar “mineirês” nesse assunto.

A periculosidade é maior na dívida externa, porque pode haver retaliações no caso de moratória ou atraso no pagamento. Depende das circunstâncias, como você diz.

Antigamente, só se operava em dinheiro ou troca (escambo). Hoje é o contrário, o dinheiro circula cada vez menos, substituído pela chamada quase moeda, como cheque e cartão de crédito. Os títulos e bônus do governo (assim como as letras de câmbio, as debêntures da iniciativa privada etc.) também são uma espécie de quase moeda, embora raramente se discuta esse assunto. Mineiramente, todo mundo deixa para lá.

Você pergunta sobre a origem de nossa Dívida Mobiliária do Tesouro Nacional Interna: “Foi dinheiro usado para quê?” Trata-se de títulos emitidos pelo governo e que não foram colocados no mercado. Ou seja, continuam em carteira no Banco Central. Significa que o governo usou o dinheiro referente a esses títulos, que rendem juros (Taxa Selic, de 11,25% ao ano). Para que finalidade o dinheiro foi usado, realmente não sei. Não há transparência a esse respeito. Mineiramente, não me comprometa, Sam.

Por fim, esses R$ 760 bilhões da Dívida Mobiliária do Tesouro Nacional Interna não são títulos podres e sem lastro. Eles têm valor no mercado. Se forem oferecidos, o governo conseguirá compradores na hora. Afinal, têm o maior rendimento do mundo, pois o Brasil continua praticando as mais elevadas taxas planetárias. E nosso governo paga as suas contas. Até quando, mineiramente, não sei.

Mas acontece que esses títulos não podem ser oferecidos ao mercado, porque o governo já gastou o dinheiro e transformou os títulos em dívidas.

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