Comissão da Verdade emociona ao abrir a cortina do passado e produz documento político para a História

Pedro do Coutto

A Comissão Nacional da Verdade, ao apresentar seu relatório final, emocionando a presidente Dilma Rousseff, que foi as lágrimas, e ao país, pelo impacto dos fatos, ao abrir a cortina do passado produziu um documento político que ficará eternamente na História do Brasil. Resultado de dois anos de trabalho, pesquisas e investigações, concluiu sua parte num processo de resgate da memória do tempo. Um tempo de violência que transformou em feras de uma desordem agentes que deveriam atuar dentro da lei e da ordem.

A presidente Dilma Rousseff colocou bem a questão da Lei de Anistia ao destacar pacto democrático que a gerou e sobretudo ao dizer não a qualquer impulso voltado para o revanchismo. Neste ponto, vale acentuar, ela seguiu o exemplo de Nelson Mandela, que saiu de uma prisão em que permaneceu por vinte e sete anos na África do Sul para a presidência de seu pais. Nenhum esforço de vingança, nenhuma perseguição, nenhum impulso de revanche.

No caso brasileiro, a repugnância da opinião publica aos autores das torturas, cuja relação nominal publicada pelo O Globo edição de ontem, quinta-feira 11, já deve se constituir num tipo de condenação parte da sociedade e de uma igualmente autocondenação eterna pelos praticantes das ditaduras. Uma questão de consciência da qual pessoa alguma pode escapar, uma pena irresgatável, uma vergonha diante de suas próprias famílias. A cada olhar, os trágicos personagens identificam um momento de reprovação e hostilidade. E o caso do Riocentro? Não fosse o destino, a tragédia produziria milhares de vitimas absolutamente inocentes.

LEI DA ANISTIA

Há os que defendem a revisão da Lei da Anistia, de 1979, pelo Supremo Tribunal Federal. A presidente Dilma Rousseff não integra esta corrente de opinião. Mas seja qual for daqui para frente o destino, esse mistério, decidir e desvendar o episódio produzido pela Comissão Nacional da Verdade prevalecerá como um marco na História brasileira.

Sob o aspecto político, inclusive, contribuiu para fazer com que a presidente da República rompesse parcialmente a atmosfera pesada que a envolve, consequência das investigações que revelaram, nacional e internacionalmente, os processos de corrupção que invadiram e sufocam a Petrobras.

Isso porque, na realidade, todos os acontecimentos marcantes causam reflexos políticos os mais variados, embora sejam eles de conteúdo e direções diferentes. O extenso trabalho da Comissão da Verdade, por sua força em si mesmo, acrescenta também ao elenco das tragédias universais, pertençam elas ao campo da arte ou ao plano da verdade. Produzido por autores múltiplos, a peça inclui personagens em grande escala separados pelos limites da lei e da ética.

Porque uma coisa e a defesa do estado, outra o prazer sádico contido nas torturas e praticado com requintes pelos torturadores.

ÉPOCA QUE PASSOU

Torturas e torturadores fazem parte de uma época que passou. Surgiu com a luta armada (um absurdo impossível) contra o poder. Terminou com a alucinada repressão. Que, no fundo, condena para sempre seus autores, mais preocupados em causar dor e humilhação do que obter informações. Dai a extrema importância do relatório ao revelar a verdade do que aconteceu.

 

17 thoughts on “Comissão da Verdade emociona ao abrir a cortina do passado e produz documento político para a História

  1. Ponderado esse comentário do Pedro do Couto, de quem foi uma “testemunha da história” sombria dos anos de chumbo, entretanto, discordo da conclusão ao afirmar que “Torturas e torturadores fazem parte de uma época que passou”. Não. Se desmobilizou o aparato repressor, porém não demoveu a índole repressora dos agentes militares e policiais. A repressão política do Estado está sempre em estado de latência: vide as repressões das políticas militares aos manifestantes do “junho 2013”. E mais: a prática de tortura de cidadãos continua nas delegacias e cárceres por todo o país, pois a “lógica” e militarização das polícias foram engendradas durante a ditadura militar. Isso sem falar na forma intimidatória das “abordagens policiais” diuturnamente.

  2. Carta enviada ao editor de O GLOBO e não publicada, certamente por falta de espaço, interesse e disposição e que tem correlação com o tópico do Pedro do Coutto:

    Prezado Editor,

    Estimo e espero (não vou dizer desafio por ser muito forte e por em dúvida sua imparcialidade) que publique o seguinte:

    A Comissão da Verdade divulgou seu relatório parcial; parcial pois está prenhe de lacunas, entre outras:
    1- Entre os 434 mortos e desaparecidos listados não estão inclusos os 119 mortos nos diversos atentados terroristas perpetrados durante, e antes, o período da ditadura militar, com nomes, nacionalidades, datas dos atentados, circunstâncias e seus autores;

    2- Não estão listados ou identificados os ativistas justiçados por seus próprios aliados, com nomes, nacionalidades, datas do justiçamento e seus autores;

    3- Não estão listados os ativistas desaparecidos e os mortos que portavam identidade falsa (o que impediu sua correta identificação) quando do desaparecimento ou sepultamento ( jornalista Anselmo Gois já assumiu que utilizou documentos falsos fornecidos pela KGB quando foi estudar na antiga União Soviética).

    4- Não está citada a atual presidente da República como responsável por crimes cometidos durante o período, como os cinco presidentes nomeados.

    Alem disso a presidente Dilma deve explicações sobre o destino dos dois milhões de dólares expropriados no episódio conhecido como cofre do ex-governador Ademar de Barros e se o ataque de choro durante a apresentação do relatório da Comissão da Verdade deveu-se à lembrança dos anos que passou no cárcere, à lembrança dos companheiros mortos em campanha ou arrependimento pela morte do cabo Mário Kosel Filho, vítima no atentado ao quartel do II Exército em 26/06/1968, antes, portanto, do AI-5.

    Adalberto Nunes Neto,

    • Não é comissão da verdade, mas sim, meia verdade.
      Eles não lutavam contra o regime militar, mas sim, com apoio de potencias estrangeiras (URSS – Cuba ) a implantação de outro regime.
      Por que recebiam todo o apoio destas potencias, será que elas o faziam gratuitamente ou haveria outros interesses ali.
      Se os militares não tivessem contido estas corjas, será que teríamos interner a nossa disposição, moderiamos locomover de um local para outro, liberdade de expor as nossas ideias e outras coisas mais.
      Houve excesso de ambos lados, por que só um penalizado?

  3. A cortina sempre esteve aberta aos historiadores isentos e ao povo brasileiro para o check-list dos fatos e das vítimas dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores, assaltantes de bancos, de indústrias e de casas comerciais.
    Esta comissão – um “soviet”, na verdade – primou pela distorção da história e do relato dos fatos e deixou, deliberadamente, de esclarecer o lado dos que defenderam a pátria do assalto armado, bem como de coletar as informações registradas em vários livros sobre a tentativa de quebrar as instituições democráticas brasileiras e instaurar o nefasto regime comunista.
    As vítimas, civis, assassinadas aleatoriamente, em atos de terrorismo explícito,tombaram sem qualquer chance de defesa. Os militares, para-militares e policiais civis tombaram no estrito cumprimento do dever constitucional. Alguns com a crueldade característica dos bolcheviques amestrados.
    Aquela guerra de guerrilha não foi iniciada pelos militares ou congêneres. A sociedade brasileira impôs a presença das Forças Armadas para atuarem em socorro a ela.
    Observei, sim, a repugnância da sociedade esclarecida a esses assassinos e justiceiros de seus próprios camaradas. Torturadores cruéis, frios, insensíveis, pretensamente lutadores por um regime democrático, rigorosamente inaceitável na cartilha totalitarista marxista.
    Vale lembrar que os “democratas”, agora vitimizados pela CV, foram adestrados em países comunistas, para o fim específico de tomar o poder e aqui instaurar o comunismo sob a tutela de Fidel Castro, capacho da então URSS.
    Na guerra não são usadas flores para combater. Nem oferecido caviar aos contendores.
    Faltaram, na lápide, os 119 nomes dos assassinados e torturados pelos “heróis” da insensatez. Por essas vítimas, a terrorista Vanda, não chorou. Por esses torturados , a Terrorista do COLINA / VAL-PALMARES, presidindo a Nação – infelizmente -, a mesma nação que tentou destruir pelas armas da guerrilha, não pediu para que os sinos dobrassem por eles.
    Nonamente, o jornalista Reinaldo Azevedo (Veja.com) publicou, ontem, em três posts, a relação das vítimas, nominando os seus valentes assassinos e os locais dos fatos. Por que a CV omitiu a identificação dessas vítimas do comunismo e dos seus autores em terrirtório brasileiro?
    De fato, é de embrulhar o estômago a honestidade desse “Soviet da Verdade Parcializada”.

  4. “ Torturas e torturadores fazem parte de uma época que passou. Surgiu com a luta armada (um absurdo impossível) contra o poder. Terminou com a alucinada repressão…”

    A época da covarde prática da tortura não passou. Infelizmente. Prova disso, é que vez por outra temos notícias dessa infame e psicopata prática na polícia do Brasil, e também lá fora, como a mundialmente conhecida prática da covarde tortura pelos EUA.

    Recentemente, a turma de preto, descontente com a Comissão da Verdade, tentando preservar a memória dos torturadores da ditadura militar, em aberto desafio a Deus e a sociedade brasileira, promoveram gigantescas badernas. Fizeram até o impensável, tirando a quase certa Copa do Mundo do Brasil para entregar para a Alemanha, na humilhante filipeta 7×1, tentando vingar-se do governo Dilma/PT.

    Também, lamentavelmente, as nossas Forças Armadas continuam devendo ao Brasil o corajoso e honroso público reconhecimento dos crimes cometidos na ditadura militar, pedindo perdão a Deus e a sociedade, em voz firme e segura. Da justiça dos homens, lerda, falha e corrupta, arranja-se um jeito. Mas, da justiça de Deus, não escaparemos. Acreditem.

      • Sra. Carmen: a verdade não tem lados… as versões sim. E a versão mais cínica é negar e escamotear o Estado terrorista engendrado por militares golpistas e empresários ladrões, que ontem e hoje, roubam a Nação. A histeria em curso de setores da classe média urbana, açulada pela mídia só tem o propósito, a pretexto de tirar a turma do PT do governo, é o retorno dos mesmos de antes.

  5. Caro Welinton Naveira e Silva … Bom dia!

    É perigoso usar o Nome de Deus … principalmente, quando se fala em Justiça.

    “5. Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais? 6. Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração. 7. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. 8. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. 9. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. 10. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; 11. ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado. 12. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. 13. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. 14. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará. 15. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará. (Jo 16)

  6. Na verdade, esta comissão não passa de uma COMISSÃO DA MENTIRA E DA EMPULHAÇÃO,e tem mais o cidadão Pedro Couto é partidário e parcial, seus artigos não são lá grande coisa, sua visão da vida e dos fatos é equivocada e burra.

  7. Senhores, a coluna de hoje, do brilhante Colunista Reinaldo Azevedo, veja.com- traz uma matéria extremamente esclarecedora dos fatos acontecidos, e didaticamente explica como esta comissão da verdade, é uma COMISSÃO DA MENTIRA, os artigos estão sensacionais.

  8. Destaco:

    1 – 10. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;

    É da JUSTIÇA Jesus ficar junto de Papá do Céu … esteve entre nós como enviado … e voltará para os trâmites finais da Justiça relativa a nós mortais!!! para também ficarmos junto de Papá, que nos criou!!!

    “Não julgueis, e não sereis julgados”. (Mt 7,1) … “Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos”. (Mt 7,2) … “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;” (Lc 6,37)
    … … …
    Esta meia VERDADE carrega julgamento para o Brasil!!! !!! !!! snif snIF SNIF

  9. Senhor Welinton Naveira e Silva,so que boa parte das pseudos vitimas da ditadura CIVIL-MILITAR,tornaram-se agentes publicos(governadores,politicos,prefeitos e ate mesmo presidentes da republica) das diferentes esferas da administracao publica,e estao adotando(praticando) a corrupcao como politica de GOVERNO e porque nao dizer politica de ESTADO,e nos submetendo a TORTURA psicologica e fisica, atraves das MUDANCAS e ELABORACOES de nossas LEIS,de forma CRIMINOSA,com um unico objetivo de LEGITIMAR os diferentes crimes de LESA PATRIA praticados pelos mesmos,ate agora nao vi,nao li e nao ouvi nenhuma dita entidade de formacao de opiniao publica ( por exemplo: a OAB nacional ),proporem a criacao de uma comissao da VERDADE nacional para INVESTIGAREM tais crimes e questionarem tais praticas de constants mutacoes criminosas de nossas leis.

    OBS.: Recentemente foi proposta e aceita pelo congresso nacional a mudanca da lei de responsabilidade fiscal,visando unicamente legitimar um crime de responsabilidade cometido pela presidente Dilma.

  10. O artigo do Sr. Pedro do Couto, é bem sensato, assim como o artigo de ontem
    do sr. Carlos Newton também o foi.
    O golpe de 64 foi contra o “comunismo”, como se João Goulart, Brizola e
    todos que o rodeavam fossem comunistas. Para ficar claro: após a abertura
    o Brizola nunca foi apoiado pelo partido comunista, chegaram a apoiar o
    Moreira Franco contra o Darcy Ribeiro.
    Quem viveu à época, sabe que após o primeiro de abril de 64 a ditadura saiu
    em campo, numa verdadeira caça as bruxas barbarizando para intimidar a
    todos que apoiavam o governo de Jango, que era a maioria da população e
    até das Forças Armadas. Comunistas mesmo eram meia dúzia de gatos pingados,
    mas conseguiram arregimentar muitos incautos não comunistas alegando a
    volta da democracia, embora a verdadeira finalidade fosse outra.
    Todos deveriam ser condenados por crimes, independentemente da sua condição civil,
    tanto os grupos terrorista que queriam derrubar a ditadura para implantar outra como
    os terroristas da ditadura que implantaram o medo na maioria da sociedade.
    Há uma diferença muito grande entre o terrorismo de marginais e o terrorismo do Estado.
    Como bem disse o Carlos Newton: punir pobres diabos, caquéticos e desmoralizados, e a
    maioria que já morreu e o outro lado também terroristas em que a maioria foi morta e outros
    já morreram de morte natural. Depois de tantos anos, o melhor é respeitar a anistia.
    A verdadeira história do golpe de 1964, e suas consequências devem ser contada e fazer parte da história do Brasil, essa é uma boa punição aos dois lados.

    • Tem um outro problema. Sempre tentam colocar a ditadura como exclusivamente militar. Ora, várias entidades/empresas e pessoas civis colaboraram em muito. Os amigos atuais da Dilma, Delfin e Marim, foram notórios arrecadadores de fundos para o DOI-Codi/SP, tem até empreiteira envolvida na Lava Jato que ajudou no financiamento. Por outro lado houve várias instituições internacionais que ajudaram no golpe e ficaram de fora, como a AFL-CIO que ‘preparou’ mais de 100 sindicalistas nos EUA e não teve sequer o seu nome citado, talvez em respeito ao Stan e/ou aos vários acordos efetuados com a CUT.

  11. Tortura é um crime hediondo. Não se discute.
    Hediondo também são lágrimas de crocodilo como as da presidente no meio de seu discurso na na tal comissão da “verdade” .
    Logo ela que abraça e beija Fidel. Adora-o como um deus. Isto não é exagero, os fatos estão aí. Visíveis. E não é só ela que faz isto, seus cumpanheiros o fazem.
    Ele Fidel que, como advogado, deveria fazer justiça, através daquilo que toda pessoa dita normal possui, que é o um pouco bom senso e um mínimo de piedade, através de provas e testemunhas, mas que optou junto com seu comparsa Che, um médico, que deveria salvar vidas, pela tortura e o linchamento tal e qual na ditadura militar, pela qual a nossa crocodilo verteu suas boas e velhas lágrimas.
    E, só para lembrar, Fidel e Che assassinaram 20 mil ou mais num país de 6 milhões de habitantes em que milhares tiveram que fugir, e que ainda fogem até hoje para não serem assassinados também.
    Já os militares daqui que, como militares são treinados para matar, mas que não deviam ter feito o que fizeram, pois nada justifica o assassinato, mataram 400 num país de 100 milhões de habitantes.

  12. Prezado Virgílio, correta sua colocação: várias entidades/empresas, nacionais
    e internacionais, inclusive a Igreja Católica e vários políticos atuais fizeram parte do golpe de 64.
    saudações.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *