Como conviver com a lambança?

No mesmo dia em que Duque foi solto, surgiram novas provas

Carlos Chagas

Argumentos jurídicos podem ser despejados em cascata para justificar a liberdade do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, concedida em habeas-corpus pelo ministro Teori Savaski, do Supremo Tribunal Federal. Mas parece no mínimo vingança da natureza que no mesmo dia, quarta-feira, tenha sido conhecida a delação premiada do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça, da Toyo Setal, braço brasileiro de uma multinacional japonesa. Porque o agora candidato à diminuição da pena a que será condenado revelou haver a empresa repassado 152 milhões de reais a título de suborno, por orientação de Renato Duque, para o clube das empreiteiras conseguir contratos com a Petrobras. Aliás, 4 milhões foram doados a campanhas eleitorais do PT.

Os outros 148 milhões foram distribuídos entre dirigentes da Petrobras e políticos de variados partidos, registrando-se que um subordinado de Renato Duque na estatal petrolífera, o ex-gerente Pedro Barusco, por enquanto preso, comprometeu-se a devolver 248 milhões depositados em bancos na Suiça. Ele também pretende uma condenação menor, aguardando-se com curiosidade sua delação premiada, certamente mais explosiva ainda.

Dá para entender que um ladravaz confesso se encontre fora das grades apenas porque o ministro Teori considerou que dinheiro depositado no exterior não justifica prisão preventiva? Mesmo tendo sua origem sido confessada?

Não se passa um dia sem que mais detalhes do escândalo da Petrobras ganhem as manchetes. Pelo jeito, não só da Petrobrás, mas conforme depoimento de outro bandido, por sinal cumprindo pena em casa, estão envolvidas várias empresas públicas encarregadas dos setores hidroelétricos, rodoviários, ferroviários e ligados a portos e aeroportos. Toda essa roubalheira aconteceu nos últimos anos, parecendo difícil ter sido ignorada pelo primeiro escalão do governo.

Só falta, agora, conhecer a lista de dezenas de políticos implicados nesse assalto aos cofres públicos na forma de contratos superfaturados, escolhas fajutas de empreiteiras, propinas entregues a partidos e centenas de milhões desviados para o exterior.

Pode um governo conviver com tamanha lambança? Agora que se aguarda a composição do novo ministério, que tal se candidatarem o Tigrão, o Melancia e o Eucalipto?

VALEU PARA SUAS EXCELÊNCIAS

Espantou o país inteiro o esforço feito por deputados e senadores durante 19 horas acomodados no plenário do Congresso para, no final, a maioria aprovar o projeto da presidente Dilma que transforma déficit em superávit. Poucos arredaram pé, mesmo dormindo nas poltronas e comendo biscoitos. Valeu, porque por promessa da chefe do governo, 444 milhões serão destinados a financiar as emendas individuais ao orçamento apresentadas por cada parlamentar, com a média de 750 mil reais por cabeça. Não se garante que esses recursos serão todos aplicados em obras e realizações municipais, mas essa é outra história. O preço de cada voto, pelo menos, foi conhecido.

4 thoughts on “Como conviver com a lambança?

  1. Sr., Chagas, parabens pelo artigo. Qual a moral que o PT-Lula-Dilma tem frente ao FHC na compra de deputados, com essa safadeza, PT-Governo, é pior que o PSDB. PT é HIPOCRITA, MENTIROSO, na sua formação, vendeu um “SONHO DE DIGNIDADE”, e NOS DÁ PODRIDÂO GOVERNAMENTAL.
    Esse Congresso, está mais do que podre, isso é crime, é “ditadura de compra de consciência”, o que esses vendilhões não tem.
    Aos CIDADÔES (ÃS) DO BEM, Só nos resta “DEUS”, pois, os governantes dos 3 podres poderes, estão mergulhando a cada dia, mais fundo, o BRASIL, neste “Oceano de lama”.
    Os poucos parlamentares, quem ainda tem senso de dignidade, ficarão omissos, caladinhos, ou vão por a boca no “trombone!?!?”, e ficarem solidários com a safadeza!!?

  2. FHC comprou a reeleição no cargo, eNQUANTO a Petrobras gera recurso; FHC ganha R$ 22 mil de aposentadoria na falida USP, A Petrobras paga royalties; FHC emprega a filha no gabinete de um senador do DEM para ela ganhar um “dinheirinho” para pagar contas comezinhas , a Petrobras dá oportunidades para estagiários em engenharia, geologia ,economia, administração de empresas e empresariado. FHC não é referência como político tampouco como acadêmico. Hoje, 5/12/14, está tomado posse na Academia Brasileira de Letras, o poeta José de Ribamar Ferreira, mais conhecido com Ferreira Gullar, sua cadeira será a de número 37, que já foi ocupada por Getúlio Vargas e Assis Chateaubriand. Ferreira Gullar receberá as honras do decano José de Ribamar, mais conhecido como José Sarney. FHC disse que era Getulio tinha acabado, mas a era de FHC nunca começou.

  3. Garotos, não sejam babacas! Fomos traídos pelo PT. Um alvo concentrado de cada vez! E não se iludam; os três poderes, historicamente, nos bloqueiam os mais comezinhos das necessidades, o acesso da sociedade à saúde, educação, segurança, transporte… e outros mais!

  4. Quem diria, hem! Minha decepção seguida de arrependimento: 1- com o PSDB; 2 com o PT; 3 com o sistema atual. Prefiro a democracia, pois posso me manifestar. E ela permite aperfeiçoar. Acho que é coisa pra neto, mas vamu qui vamu!

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