Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

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ELEGIA

Mario Quintana

Há coisas que a gente não sabe o que fazer com elas…

Um velhinha sozinha numa gare.

Um sapato preto perdido do seu par: símbolo

Da mais absoluta viuvez.

As recordações das solteironas.

Essas gravatas

De um mau gosto tocante.

Que nos dão as velhas tias.

As velhas tias.

Um novo parente que se descobre.

A palavra ” quincúcio “.

Esses pensamentos que nos chegam súbito nas ocasiões mais impróprias.

Um cachorro anônimo que resolve ir seguindo a gente

pela madrugada na cidade deserta.

Este poema, este pobre poema

Sem fim…

(Poema enviado por Siomara Ponga)

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