Como lidar com Chávez, o aliado “muy amigo”, que insuflou o cocalero boliviano Morales contra o Brasil, prejudicando a Petrobras?

Carlos Newton

O acompanhamento da atuação dos comentaristas deste Blog nos traz belas surpresas. O nível é muito alto, em comparação com a grande maioria dos blogs de sucesso no país. É salutar, por exemplo, que já exista aqui no blog uma convicção da importância do trabalho do australiano Julian Assange na ONG WikiLeaks, para democratização das informações internacionais.

Se não houvesse o WikiLeaks, como saberíamos que, de acordo com diplomatas americanos, o presidente venezuelano Hugo Chávez incitou o governo do cocalero Evo Morales, na Bolívia, a nacionalizar as instalações da Petrobrás no país em 2006, provocando grave problema econômico e diplomático com o Brasil, com elevados prejuízos à Petrobras? No entrevero, até Eike Batista (que diz não perder nunca) saiu no prejuízo com sua usina siderúrgica na Bolívia.

Como está sendo divulgado pela imprensa, a informação surgiu em telegramas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, enviados ao Departamento de Estado em Washington. Um dos telegramas relata o seguinte:

“Marcelo Biato (assessor especial do Planalto) disse que em março (de 2006), Petrobrás e interlocutores bolivianos haviam começado o que pareciam ser discussões relativamente positivas. No entanto, Evo interrompeu abruptamente as conversas, insistiu que só discutiria o assunto diretamente com Lula”, diz o documento, datado de maio de 2006, acrescentando: “No intervalo entre as conversas de março e a nacionalização, Biato observou que houve várias conversas entre Evo e Chávez.”

O mais importante: o telegrama revela que o governo brasileiro tinha (e tem) conhecimento das estripulias “diplomáticas” de Chávez, que se julga o maior líder do Terceiro Mundo, uma espécie de Muammar Kadafi em versão latina.

E o que fazer com um “aliado” desse tipo? Nada. O importante é continuar se relacionando bem com Chávez, sabendo de quem se trata e como tratá-lo. Afinal, o comércio bilateral tem sido altamente favorável ao Brasil. Em 2009, de janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões para lá e importou apenas US$ 747 milhões (quase tudo em produtos petrolíferos). Nada mal, não é mesmo? Como dizia o então secretário de Estado dos EUA, Foster Dulles, “países não têm aliados, têm interesses”.

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