Como ministro da Saúde, Ricardo Barros pagou R$ 20 milhões por remédios jamais recebidos 

Quem é Ricardo Barros, líder do governo citado em 'rolo' da Covaxin -  Notícias - R7 Brasil

Barros montou um esquema de corrução no setor da Saúde

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

Polícia Federal afirmou à Justiça Federal ter reunido elementos que indicam ter havido “pressão” de integrantes do Ministério da Saúde durante a gestão do deputado Ricardo Barros (PP-PR) para o pagamento antecipado de quase R$ 20 milhões à empresa Global Saúde pela compra de remédios para doenças raras que nunca foram entregues.

Representação da PF obtida pela TV Globo reúne depoimentos de servidores do ministério que atribuem a liberação da verba a cobranças do próprio Ricardo Barros e de pessoas ligadas ao gabinete dele, além de mudanças, introduzidas durante a gestão do então ministro nos processos de aquisição de medicamentos comprados por decisão judicial.

PÉS DE BARRO – O material reunido pela Polícia Federal foi a base da Operação Pés de Barro (vídeo abaixo), realizada na última terça-feira (21). A operação apura fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo pelo Ministério da Saúde, entre maio de 2016 e março de 2018, período em que Barros — atual líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados — comandava a pasta, durante o governo do então presidente Michel Temer.

Na operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados (Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo) e no Distrito Federal.

DISSE A PF – A contratação irregular envolve a empresa Global Saúde, sócia da Precisa Medicamentos – arrastada para o centro das investigações da CPI da Covid após suspeitas de irregularidades nas tratativas de compra da vacina indiana Covaxin.

A Polícia Federal informou à Justiça que não estava investigando o caso Covaxin, mas que os fatos revelados pela CPI mostram que o mesmo grupo investigado na Operação Pés de Barro pode ter perpetuado outro esquema para desviar dinheiro público.

Segundo a PF, as medidas de busca e apreensão eram necessárias diante da exposição dos alvos pela CPI, que poderiam agir para destruir provas, e de indícios dos crimes de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, prevaricação, advocacia administrativa e organização criminosa.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Sem citar o nome de Barros, o delegado José Augusto Versiani afirmou que o esquema não seria comandando por Francisco Maximiano, dono da Global e da Precisa, mas por alguém com “influência política”.

O depoimento do servidor Victor Lahud cita diretamente a suposta interferência de Barros. Ele afirmou aos investigadores que antes do pagamento houve muita pressão dos superiores para a liberação dos valores e que se recusou por entender que não estavam preenchidos os requisitos para justificar a antecipação do pagamento.

Segundo relata a representação da PF, “as cobranças partiram do Sr. Alexandre Lages, bem como de outras pessoas ligadas ao gabinete, alegando sempre que o Diretor, Davidson Tolentino, e o próprio Ministro, Ricardo Barros, estavam cobrando que fosse feito esse pagamento”.

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