“Como muçulmano, me choquei com as caricaturas do jornal”

Abdelghani Abdelmalek
Folha

Conhecido por suas reportagens ousadas e “politicamente incorretas”, o “Charlie” estava no centro de polêmicas na França havia anos. Alguns anos atrás, cartunistas visados no ataque publicaram caricaturas do profeta Maomé, desencadeando uma onda de revolta na opinião pública e entre os franceses muçulmanos.

De acordo com o Islã ortodoxo, qualquer representação divina ou do profeta é formalmente proibida. Mas, além do caráter sacrílego da representação do profeta, o que provocou a cólera dos muçulmanos foram as simplificações e ideias equivocadas que, segundo eles, as caricaturas poderiam difundir: um Islã violento e misógino, conjugado à ridicularização da figura do profeta, mostrado às vezes em cadeira de rodas, às vezes deitado nu.

Como francês muçulmano, fiquei chocado com essas imagens. Além de chocarem minha consciência, elas contribuíram para intensificar a estigmatização dos muçulmanos na França, num período em que os atos de islamofobia não paravam de aumentar.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Lamentavelmente, a chantagem usando o argumento da “liberdade de expressão” reforçou uma ideia preconcebida que vê os muçulmanos como contrários às liberdades. O ataque de quarta, rapidamente apresentado como obra de islâmicos, corre o risco de reforçar os discursos mais extremistas em relação aos muçulmanos na França.

É exatamente esse o receio compartilhado por muitos muçulmanos franceses.

SOLIDARIEDADE

A sociedade em seu conjunto exprimiu sua solidariedade e sua compaixão pelas vítimas e suas famílias. Os muçulmanos não fugiram à regra. Contudo, eles, em sua grande maioria, se negam a ser associados de qualquer maneira a esse ataque e rejeitam a ideia de que precisem pedir desculpas por ele.

Nosso livro sagrado, o Alcorão, nos ensina que “quem mata um homem mata toda a humanidade”. Hoje, com essa matança, os muçulmanos e sua religião também foram atacados.

ABDELGHANI ABDELMALEK, 27, é franco-argelino, muçulmano e vive em Paris. É mestre em comércio internacional pela Escola de Comércio Inseec Paris

3 thoughts on ““Como muçulmano, me choquei com as caricaturas do jornal”

  1. Se choca a consciência, não leia. Mas quem tá matando cristãos, são os muçulmanos, que em 2014 chegaram a bagatela de só cem mil . Se é a minoria desses imbecis que tão assassinando , a maioria tem que tomar providência, se não, ela é e será tão vil e culpada quanto a minoria.

  2. Nosso livro sagrado, o Alcorão, nos ensina que “quem mata um homem mata toda a humanidade”.

    Essa frase – que me desculpem os muçulmanos – parece até o Estatuto do PT quando se refere a honestidade, ética e liberdade de informação.

    A frase citada faz-me lembrar os filmes que divulgaram na internet de pessoas que prestavam serviço social sendo decapitados à facão.

    Há outras frase no Alcorão que praticamente anulam a citada.

  3. Considerando ser o texto de um estrangeiro e pessoa religiosa declaradamente assumida , não há o que comentar sobre o artigo.
    Mas, duas perguntas ficam para a resposta e questionamento de cada um…
    – Existe liberdade de expressão em algum Pais governando por muçulmano?
    – Havendo maioria muçulmana em Pais de tradição ocidental, a lei da Sharia poderá ser instituída?
    …….

Deixe uma resposta para Vitor Cast Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *