Comunicação do governo tem que ser gratuita, a publicidade paga é muito diferente

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Nizan Guanaes, da CDN, perdeu um contrato de 30 milhões

Pedro do Coutto

Hoje, escrevo sobre três assuntos: a comunicação governamental; a proposta do Ministro Paulo Guedes de reduzir Imposto de Renda para as empresas e o recurso de editoras contra o que seria a venda da Abril, que edita a revista Veja. Então, vamos por partes.  

Primeiro, a reportagem de Leonencio Nossa e Vera Rosa, edição de ontem de O Estado de São Paulo, focalizando opiniões do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, Secretário de Governo, sobre a necessidade de uma reforma no sistema de divulgação do governo federal.

MUITOS ABSURDOS – O general Santos Cruz está realizando uma análise dos contratos de publicidade da administração pública, já encontrou verdadeiros absurdos nos contratos publicitários da administração pública. Ele repetiu afirmações feitas pelo próprio Presidente da República de que em muitas fontes encontrou ações escusas de grupos que estavam no poder, numa escala em que responsáveis inclusive estão sujeitos a um leque de acusações.

Há, na minha opinião, um pensamento absolutamente errado no que diz respeito a publicação de assuntos governamentais. Essa divulgação tem que seguir obrigatoriamente um estilo jornalístico. Não há necessidade alguma de tal comunicação ser paga.

O problema é que os assuntos da administração pública sejam claramente redigidos e possuam interesse público. O mesmo critério se aplica à divulgação pelas emissoras de televisão e rádio.

INFILTRAÇÕES – No meio do tema comunicação penetram agências de publicidade e prestadoras de serviços que atribuem a si próprias a publicação de matérias não produzidas por elas. Existem contratos de vários milhões de reais jogados fora.

Além disso, ocorre também fraude quando essas empresas atribuem também como trabalho seu o fato (falso) de terem conseguido bloquear matérias contrárias a este ou aquele setor ou a esta ou aquela empresa estatal. Farsa total que se desloca para uma tarefa impossível.

Só com a agência CDN, de Guga Valente e Nizan Guanaes, o governo tinha um contrato de R$ 30 milhões.

MENOS IMPOSTOS – O segundo assunto refere-se à proposição do Ministro Paulo Guedes de reduzir o Imposto de Renda para as empresas para apenas 15%. Estranho que, para as pessoas físicas com rendimento mensal acima de 4.200 reais, sejam descontados mensalmente 27,5% para o IR. Dois peso e duas medidas, portanto.

O terceiro assunto tem base em matéria de Fábio Pupo, Valor, destacando que editoras de jornais e revistas estão recorrendo à Justiça contra o que seria a venda da Abril, que edita a Veja para o advogado Fabio Carvalho, que teria adquirido o grupo por 100.000 reais. O fato principal é que ele assumiu uma dívida de 1 bilhão e 600 milhões de reais. As empresas concorrentes queixam-se que não tiveram oportunidade para apresentar suas propostas.

No jornalismo existem inúmeros precedentes de ações deste tipo. Seu objetivo é fugir do passivo trabalhista e das dívidas acumuladas para o INSS e FGTS. Ou seja, mais fraudes.

7 thoughts on “Comunicação do governo tem que ser gratuita, a publicidade paga é muito diferente

  1. achava intragavel abrir uma veja e ver mais propaganda do que notícias. Para ser mais específico, era impossível achar a notícia.
    abandonei esse lixo. se falir, mereceu.
    Nunca entendi porque estatais e monopólios tinham de fazer propaganda. Agora sei que se tratava de favores.
    Como temos uma democracia verdadeira agora, não precisa comprar jornalistas e editorialistas.
    Agora, esses jornalistas já esqueceram da profissão e chorarão a perda de renda.

  2. Propaganda paga de órgãos governamentais, são um verdadeiro atestado de mau uso das verbas públicas. Isso de uma forma bem superficial. Se formos a fundo no processo, outras coisas fatalmente serão descobertas.

  3. Propaganda e governo, se misturam a muito e sabemos no que dá,
    Menos impostos, não é o que todos querem, esqueceu-se de falar que ele falou em modificar as cotas o ir de pf.
    Jornais e revistas vivem de que? propaganda, quem é o melhor cliente? o governo, o que dá propaganda e governo? jornalistas comprados a preço de banana enquanto os pilantras ficam com milhões, ah lembrei que nenhum jornalista por aqui falou sobre o caso ROBERTO D’AVILA

  4. Realmente é absurda a redução da carga tributária das empresas sobre o IR de 34% para 15%, quando o trabalhador paga 27,5%. Mas o governo faz bem em cancelar os contratos com as agências de publicidade, verdadeiros escândalos.

  5. Assim, o lógico seria que, todas as concessões tivessem espaços, não exagerados, para veiculações de avisos, campanhas e demais chamadas quando do total e irrestrito interesse público.
    E nada de publicidade governamental, nada de chamadas do governo que se encontra no poder. É o estado brasileiro informando ao povo brasileiro.
    Simples assim!
    Fallavena

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