‘Conceição’, o nome do petróleo do pré-sal

Carlos Chagas

Sem dúvida, o ano vai terminando pior do que começou. Do julgamento do mensalão à Operação Porto Seguro, da presença de Marcos Valério, Carlinhos Cachoeira e Rosemary Noronha no noticiário, a conclusão não pode ser outra. O diabo é que em meio a tantas lambanças, pouca gente se dá conta do ridículo também ocupando o centro do palco. Fala-se da mais nova tertúlia entre Judiciário e Legislativo, referente aos royalties do pré-sal, perigosa ante-sala de uma guerra de secessão entre estados ditos produtores de petróleo e estados sem uma gota do combustível.

Só rindo, porque brigam a respeito de uma riqueza enterrada no fundo do mar. Quando os municípios sem petróleo receberão os percentuais que reclamam? Por enquanto, no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Alguém pode informar como vão os trabalhos de extração no pré-sal? Terá a Petrobrás condições de fixar um prazo, mesmo para daqui a dez ou vinte anos?

O petróleo do pré-sal merece um batismo. Deveria chamar-se “Conceição”, aquela que, se subiu, ninguém sabe, ninguém viu. Vem de outros poços situados no litoral do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo os recursos agora reclamados pelas demais unidades da Federação como se fossem do pré-sal. Lá do fundo, mesmo, nada, tendo em vista o custo monumental da iniciativa e a falta de recursos das empresas públicas e privadas.

Engalfinham-se e agridem-se para quê, os poderes da União e os Estados? Lembram os Cavaleiros de Granada descritos por Cervantes: “alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca disparada. Para quê? Para nada…”

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ÚLTIMO PRESENTE AO VELHO GUERREIRO

Todo-poderoso interventor no Japão, depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, o general Douglas MacArthur recebeu a notícia da invasão da Coréia do Sul pela Coréia do Norte. Comentou com a mulher: “É o último presente do Destino para um velho guerreiro”. Lançou-se em mais uma guerra, que aliás não terminou, demitido que foi pelo presidente Truman, porque queria invadir a China.

A historinha tem sua razão de ser por aplicar-se ao senador José Sarney. Estava posto em sossego, tendo até ocupado interinamente por três dias a presidência da República. Deixará a presidência do Senado em fevereiro e já anunciara a disposição de não concorrer a novo mandato de senador, em 2014.

Pois não é que de repente vê-se no olho do furacão, obrigado a contestar o Supremo Tribunal Federal ao autorizar a pirueta da votação de 3 mil vetos da presidência da República numa única sessão do Congresso, para permitir à maioria parlamentar derrubar ato da presidente Dilma Rousseff? Em nome da afirmação do Legislativo, não hesita em desafiar Executivo e Judiciário.

Apesar das aparências, no fundo é disso que ele gosta: confusão, briga, conflitos institucionais, holofotes e, se possível, a vitória. Mesmo sob o manto da conciliação.

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VEXAME

Do vexame da CPI do Cachoeira, nem há que falar. PSDB, PMDB e PT acertaram-se para que ninguém fosse indiciado, salvando-se todos, entre mortos e feridos. Nem os governadores Marconi Perilo e Agnelo Queirós, nem o empreiteiro Fernando Cavendish, muito menos a empresa Delta. O relatório final faz as vezes de réquiem para as Comissões Parlamentares de Inquérito. Depois dessa, nunca mais se constituirá outra.

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