Concentração de renda desfez o planejamento urbano das grandes cidades do país

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Em São Paulo, em todo verão ocorrem enchentes  insuportáveis

Pedro do Coutto

Na minha opinião, a concentração de renda que tem se ampliado ao longo das décadas abalou e até bloqueou o planejamento urbano projetado para as grandes cidades brasileiras. É o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, da cidade de São Paulo e de Brasília que são suficientes para comprovar a vinculação entre os projetos urbanísticos e as concentrações de renda.

São Paulo torna-se o maior flagelo agora com as chuvas torrenciais e as enormes enchentes que tantos prejuízos causaram a maior cidade brasileira.

RIO E BRASÍLIA – O Rio de Janeiro, com sua favelização crescente, encontra-se entre os exemplos definidos pelo contraste social capaz de evitar que bairros da periferia cresçam respeitando os princípios que devem nortear a evolução urbana.

Brasília é outro exemplo definitivo. O Distrito Federal, de acordo com o plano urbanístico de Lúcio Costa, tinha previsto um ritmo de ampliação das cidades satélites. Mas a Ceilândia, Gama e outras cidades cresceram muito rapidamente, o desenvolvimento social tornou-se muito inexpressivo e terminou acarretando problemas para toda a capital federal.

As enchentes que atingiram também Belo Horizonte e Porto Alegre representam bem uma consequência do fato de as galerias pluviais não darem escoamento compatível com o número de habitantes.

SUPERLOTAÇÃO – As populações passaram a apresentar diferenças cada vez maiores entre o que Elio Gaspari chama de andar de cima do andar de baixo. Na realidade, existem andares de cima e andares de baixo cada vez com maior número de habitantes.

O fato é que as populações de menor renda, em face de uma estrutura de concentração de renda muito forte, terminam se expandindo com maior velocidade do que as áreas de rendas média e alta. Quem percorre o Rio de Janeiro constata que as favelas estão presentes em praticamente todos os bairros. A cidade tem hoje 6 milhões e 500 mil habitantes. E um terço desse total pode se situar e dar força aos critérios que definem situações de risco.

Na capital paulista, a GloboNews apresentou ontem desabamentos de casas e prédios construídos de maneira precária, causados pela impossibilidade de resistirem à força das águas. O triste fenômeno apresenta-se também como sintoma de risco em vários centros urbanos.

PODER AQUISITIVO – Enfim, se as populações de renda menor tivessem um poder aquisitivo que lhes permitisse viver em outras condições certamente os problemas se reduziriam de forma bastante sensível.

O tema arquitetura e urbanismo apresenta-se como uma solução de bom gosto para os pontos principais do crescimento urbano. Mas o embelezamento das cidades é apenas uma parte da questão que envolve os seres humanos.

O caso das enchentes infelizmente atinge toda a população. A pergunta que se faz é se um novo projeto de urbanização tornar-se-á possível depois dos fatores adversos que bloquearam seu êxito ao longo das últimas décadas.

12 thoughts on “Concentração de renda desfez o planejamento urbano das grandes cidades do país

  1. 1) Especialistas dizem que os polos estão degelando; a semana que passou, na Antártida fez 18 graus…

    2) Os oceanos irão aumentar o nível e possivelmente invadirão algumas (já estão) cidades litorâneas.

    3) O apocalipse terá muitas chuvas… e as elites brasileiras em sua ganância de grana e poder não prepararam as cidades onde moram …

    4) Um tiro no pé… pois tudo está interligado…

  2. “PODER AQUISITIVO – Enfim, se as populações de renda menor tivessem um poder aquisitivo que lhes permitisse viver em outras condições certamente os problemas se reduziriam de forma bastante sensível.”

    O poder aquisitivo é menor porque os impostos retiraram dos mais pobres para sustentar a Nomenklatura.

    • Solução: Congelar o Teto até que o Salário Mínimo alcance seu “religioso dízimo”, resultando em natural estabilidade emanada daqueles que não quererão ver corroído seu “poder de compra”!

  3. Alguém precisa ganhar dinheiro para enriquecer, pois nem todo mundo nasceu em berço esplêndido, talvez isto explique muito do que acontece nas nossas megalópolis. Soluções existem aos milhões, bilhões, milhões e bilhões também existem para implantá-las, mas milhões e bilhões de vontades não existem. Resolver um problema e não criar outro é oportunidade perdida de fazer dinheiro.

  4. Alguns acreditam que os EUA sejam um modelo de liberalismo, sem um Estado forte e repetem essa tese aqui. Desinformação? Os EUA acabam de retirar de diversos países, incluindo o Brasil, o status de países em desenvolvimento, o que dava uma série de vantagens aos mesmos.

    O Brasil necessita de um Estado forte que privilegie a maioria da população (não uma minoria,

    https://portaldisparada.com.br/economia-e-subdesenvolvimento/protecionismo-soberania-economica-e-as-trump-towers/omo acontece há muito tempo).

  5. Caro Pedro, enquanto o pessoa de classe média tem dois filhos bem cuidados, os favelados e pobres, sem dinheiro para pagar uma laqueadura ou vasectomia, têm quatro, cinco… jogados na rua.

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