Confirmado: Doleiro Youssef atuou também no mensalão

Aguirre Talento e Mariana Haubert
FolhaPress
A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, afirmou nesta quarta-feira (8) que buscou dinheiro com um jornalista ligado ao PT para pagar a multa pela condenação no mensalão de Enivaldo Quadrado, para quem a contadora trabalhava. Segundo Meire, ela foi neste ano três vezes à casa do jornalista Breno Altman buscar parcelas de R$ 15 mil a pedido de Enivaldo Quadrado, operador do mercado financeiro que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por ter distribuído dinheiro do mensalão no início do governo Lula e que mais tarde passou a trabalhar para o doleiro.
Procurado pela reportagem, Altman, que é filiado ao PT de acordo com a Justiça Eleitoral, negou ter entregado o dinheiro a Meire e classificou suas declarações de “fantasiosas”.
“O sr. Enivaldo Quadrado me pediu para receber R$ 15 mil, que era um valor que ele recebia de um jornalista chamado Breno Altman, em que ele [Enivaldo] dizia que era o PT pagando a multa dele no mensalão”, afirmou Meire, durante depoimento à CPMI da Petrobras nesta quarta. E completou:
“Ele me pediu que fosse buscar na casa do senhor Breno Altman, em São Paulo. Como Enivaldo mora em Assis (interior de São Paulo), ele não podia ir e me pediu que eu fosse lá buscar os valores. Eu entreguei esse dinheiro para o Enivaldo depois. Peguei sempre no último dia do mês ou no início do outro mês. Primeiro ele me entregou uma pasta, depois entregou um envelope”, disse.

AMIGO DE DIRCEU

“É curioso porque Enivaldo operava na Bônus Banval para o PP, cujo principal nome era Janene que curiosamente indicou Paulo Roberto para a Petrobras e que era amigo de Dirceu”, afirmou o deputado Ônyx Lorenzoni, que mostrou uma foto de Altman ao lado de José Dirceu para confirmar que era ele mesmo a pessoa a quem ela se referia.
Quadrado era sócio da corretora Bônus-Banval que atuou para distribuir dinheiro do mensalão. Ele foi condenado a pagar 300 salários mínimos, além de prestar serviços comunitários. Quadrado foi quem apresentou Meire a Alberto Youssef.
Segundo Meire, o restante do dinheiro para quitação da multa continuaria sendo paga por Altman. Foi por meio de Enivaldo que Meire diz ter conhecido Youssef e ter começado a trabalhar para o doleiro, investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal.
“ATIVIDADES NO EXTERIOR”
Procurado, o jornalista afirmou que tem relações com Enivaldo Quadrado desde os anos 90 e que ele foi duas vezes a sua casa acompanhado de Meire Poza, apresentada como “amiga e contadora”. “O motivo desse encontro, solicitado por mim, foi obter assessoria contábil para exportação de serviços, pois realizo – como jornalista e consultor – muitas atividades no exterior”, diz Altman.
“As declarações da sra. Meire Poza sobre eventuais pagamentos da multa de Enivaldo Quadrado no processo do mensalão, envolvendo meu nome, são fantasiosas. Fico curioso para saber quais as razões dessas invenções e a que interesses atende”, declarou. O jornalista afirmou que pedirá a seu advogado que analise o depoimento da contadora para tomar as “medidas jurídicas cabíveis”.

4 thoughts on “Confirmado: Doleiro Youssef atuou também no mensalão

  1. O Breno era aquele cara que estava pedindo a todo custo que houvesse o golpe de estado chamado constituinte exclusiva. Uma figurinha carimbada, basta ver na internet a seu papel nas negociações com a máfia russa. A Operação Perestroika da PF deixa tudo claro.

  2. Um pouco sobre o Sr. Breno Altman…
    “Altman, jornalista, segundo dizem, financiado pela cúpula petista, possui ligações estreitas com José Dirceu, sendo inclusive o responsável pelo contrato de “consultoria” assinado pelo mensaleiro, e confirmado pelo próprio, para assessorar Berezosky em seus negócios particulares.
    Assim que a revista VEJA publicou o relatório do MPF, em que soube-se que por intermédio de José Dirceu e também do deputado federal Vicente Cândido (PT), tentava-se aproximar o mafioso russo do então governo Lula, em que o nome de Altman também é citado, o jornalista correu para as tribunas ligadas ao partido para dar sua versão dos fatos.
    Na ânsia de desvincular o nome do “companheiro”, então nome mais poderoso do PT à ocasião, Altman declarou, em carta aberta publicada no “Blog do José Dirceu”:
    “(…) fui contratado pelo sr. Bóris Berezovski em fevereiro de 2006, para atuar como consultor de suas empresas – entre as quais não se incluía a MSI, é bom deixar claro. Meu trabalho consiste de reuniões mensais com o board de seu grupo, para analisar a situação política e econômica do Brasil e da América Latina, bem como o desenvolvimento de estudos sobre possíveis investimentos em nosso país. Trata-se de trabalho profissional normal e transparente, definido em contrato, sem vínculos de outra natureza, apartado de minha militância partidária e de meus outros afazeres.
    Nessa condição, fiz sondagens informais junto a membros do governo brasileiro para averiguar a possibilidade de reconhecimento de sua condição de asilado político, a ele outorgada pelo Reino Unido nos termos da Convenção de Genebra. As informações que recebi, sobre como proceder, eu as repassei ao escritório de advocacia que o representa na Inglaterra. Essas consultas estão nas gravações realizadas pela Polícia Federal, como é de conhecimento público.”
    http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=archivecategory&year=2007&month=09&id=1&module=1
    Ou seja, Breno Altman confirma, de próprio punho, no site do “companheiro” José Dirceu, ser funcionário de Boris Berezovsky, além de ter tentado realizar negócios, em nome dele, com o Governo brasileiro, chegando até a tentar asilá-lo politicamente por aqui.
    Embora negue, sem convencer muito, de que entre as tratativas estava a parceria MSI-Corinthians, temeroso de que seu então patrão, que era negado por todos os envolvidos no negócio, pudesse ser prejudicado de alguma maneira nas investigações que já se aprofundavam no período.
    Informado do que já havia sido descoberto sobre as ações do russo noutros países, Lula foi desaconselhado por sua cúpula à recebe-lo, evitando assim assinar recibo que poderia ser cobrado posteriormente.
    BRENO ALTMAN, FALÊNCIA E “RENASCIMENTO” FINANCEIRO
    O jornalista Breno Altman era proprietário, junto com alguns membros de sua família, de uma gráfica denominada SCRITTA OFICINA EDITORIAL LTDA.
    Passou a dar calote em diversos credores, foi processado e pediu falência, um ano depois, em 1997.
    Na ocasião, utilizava-se do CPF: 084.899.758-17.
    Para poder novamente se inserir no mundo dos negócios, Altman adotou novos documentos, entre eles outro CPF: 089.428.718-44.
    Documentação esta que utilizou até o final de 2007, conforme comprova novo processo judicial em que foi réu, nº 0801280-23.2007.8.26.0100, aberto pela Sra. Vilma da Cunha Lobo Natividade.
    Logo após ser citado pelo MPF como um dos intermediadores de possível negócio do Governo Lula com Berezovsky, Altman cancelou o novo CPF na Receita Federal e retornou ao antigo, que já estava com suas pendências “caducadas”. ( Blog do Paulinho) .

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