Confissões de um comentarista da Tribuna sobre sua experiência como taxista.

Francisco Bendl

Aos 55 anos de idade e sem emprego, em razão da idade e peso avantajado (1,85m de altura e 184 kg), após ser propagandista/vendedor, supervisor e gerente de vendas por mais de trinta anos, não me restou alternativa que não fosse ir trabalhar de taxista.

Afinal, eu viajara o país inteiro durante muito tempo, portanto, dirigir eu sabia e muito bem, além de tratar as pessoas com educação e respeito, haja vista que o aprendizado com compradores de vários hospitais e clínicas me deu um conhecimento extraordinário para lidar com pessoas diferentes no seu ânimo.

Dirigir um táxi em uma capital como Porto Alegre trouxe-me experiências fantásticas de vida e no relacionamento com as pessoas em suas várias classes sociais, além de ter compartilhado com elas momentos de intimidade, quando me contavam no trajeto episódios de suas vidas particulares.

Ora, sempre gostei de escrever. Os laboratórios multinacionais que trabalhei me haviam ensinado a aceitar e gostar – sob pena de virar um inferno a minha profissão – de preencher relatórios, algo em torno de dez por dia! Assim, o táxi me trouxe um manancial de casos extraordinários que eu poderia selecioná-los e, quem sabe, um dia escrever um livro a respeito.

E eu concluí o Ensino Médio há apenas dois anos! Não sou formado em nada. Não tenho faculdade alguma. Sempre fui destemido e arrojado, porque eu tinha uma família para sustentar, mas eu gostava de ler, e a leitura me trouxe uma condição de falar bem, de me comunicar e, desta forma, exercer a profissão de vendedor com bons resultados.

Meus três filhos estão à disposição da sociedade, todos formados, inclusive a minha mulher, até com Pós-Graduação! Eu sou aquele que pertence à plebe ignara, à ratatulha, à patuléia.

Pois estas experiências de vida e de viagens eu as levei para dentro do táxi, que me proporcionaram estabelecer diálogos interessantes com a maioria dos passageiros que transportei por mais de 4 anos, a ponto de eu ter escrito um livro! Chamava-se “O Divã Móvel”.

O título do livro, em decorrência, deveu-se à cena de um paciente no divã de um psicanalista relatando seus problemas para ele, exatamente como a maioria dos passageiros faz com o motorista do táxi. É algo surpreendente, diante da intimidade instantânea que se estabelece. Algo como se essas duas pessoas que jamais se viram antes fossem íntimas e conhecidas de longa data.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA trajetória de Bendl é um exemplo a todos nós, mostrando como se pode ir em frente e avançar sempre na vida, através da leitura, da educação e da cultura. Em anexo, ele enviou uma das crônicas autobiográficas do livro, intitulada “O Gordo”, que vamos postar amanhã.

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