Confissões de uma comentarista da Tribuna que também é um exemplo para todos nós.

Siomara Ponga

Francisco Bendl é um exemplo, parabéns. Eu também, por ter casado bem jovem, estudei após do casamento. Depois de colocar meus filhinhos para dormir estudava na cozinha das 21 às 23h. As provas eu as fazia no Rio de Janeiro na Escola Pública Pedro Álvares Cabral. Parti para o vestibular, a mesma coisa, disciplinadamente. De dia cuidar da casa e dos filhos, á noite estudar. Passei para a primeira faculdade, UFF com conceitos A durante os quatro anos.

Depois segui adiante, sempre sem deixar faltar nada como mãe, esposa e dona de casa. A segunda faculdade UFRJ sempre conceitos A, Mestrado Suma cum Laude na defesa (que era exigida naquela instituição) Tese da Memória do Recital. Pois bem, cheguei a fazer um anúncio no jornal oferecendo meu trabalho como governanta que falava inglês e português.

Nessa mesma semana veio o convite para dar aulas na Faculdade Estácio de Sá, para onde havia mandado currículo. Iam formar a Universidade e estavam acrescentando mais departamentos. Durante 11 anos trabalhei como Professora Titular nessa instituição (era no tempo da caçada ao Escadinha) onde os helicópteros sobrevoavam nosso departamento que ficava no sopé do morro.

Fiz quatro concursos para a UFRJ, passando nos quatro e finalmente abriram uma vaga para Professora Assistente. Passei meses estudando. Gravava, e enquanto fazia os trabalhos comuns, ia ouvindo. Pedi livros emprestados (importados) a parentes professores e médicos, para fazer as provas que abrangiam a parte de Anatomia.

Preparei duas fitas gravadas com peças diferentes, com duração de uma hora cada uma para os jurados escolherem na hora da prova, qual eu deveria apresentar. Ganhei a vaga. Se tenho saudade? Não. Tenho orgulho, mas prefiro minha vida sossegada agora.

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