Confronto

Edson Khair

Assisti a magnífica peça O Confronto escrita por  Luis Carlos Soares dirigida e narrada por Domingos de Oliveira em cartaz no teatro Glauce Rocha. Trata-se de obra de arte que partindo do real nem precisa chegar à ficção para mostrar o quadro de corrupção, perversidade e falta de perspectivas para a maioria da população do  Rio, o que vale dizer do Brasil.Domingos de Oliveira comandando o espetáculo mostra a corrupção de há muito implantada nos sucessivos governos do Estado do Rio.

Talvez os últimos governadores competentes e honestos que o Rio teve foram Carlos Lacerda e Negrão de lima. Sendo de dois pólos opostos da política do então Estado da Guanabara, tinham em comum a probidade no trato  com a coisa pública e a competência administrativa.

Depois, mais ou menos após a edição do AI5, a 13 de dezembro de 1968, foi implantado no Estado do Rio o atual quadro de pranto e ranger de dentes. O Rio não resistiu a transferência  da capital para  a delirante e corrupta Brasília (1960) Ah J.K!

Não bastasse tal calamidade, o general Geisel deu o golpe de misericórdia na então Cidade Estado da Guanabara, juntando-a ao miserável antigo Estado do Rio em 1975. Tais digressões históricas são necessárias para que as novas gerações compreendam porque chegamos a tal ponto. O Rio não cidade. O Rio  violência. O Rio corrupção. O Rio banditismo.

Tais tragédias urbanas são retratadas de forma histórica por Domingos de Oliveira e Luis Carlos Soares. Ao final do espetáculo Domingos de Oliveira sobe ao palco e clama em tom patético: “Não temos apoio de qualquer repartição governamental, nem federal, nem estadual, nem municipal. Só contamos com você publico para divulgar esta peça. Esta tentativa de desalienar a juventude brasileira”.

Realidade de alienação observada num teatro num sábado, com apenas sessenta e poucos espectadores numa casa de espetáculos com capacidade para duzentos e cinqüenta pessoas. Domingos de Oliveira clama no deserto num país que já foi chamado de deserto de homens e idéias?

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