Conheça uma maneira simples e eficaz de conferir se há fraudes nas eleições brasileiras

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Essa questão da urna eletrônica é um debate meio religioso, cheio de dogmas de caráter espiritual. As autoridades eleitorais dizem que o sistema é à prova de fraudes, porque opera isoladamente, sem estar ligado à internet. Belo argumento, mas é apenas um dogma fantasioso, pois todo mundo sabe que a informática jamais se mostrou imune a falsificações, muito pelo contrário.

Antes da eleição, são sorteadas as urnas de uma “votação paralela”. No dia do pleito, funcionários da Justiça Eleitoral votam em candidatos pré-determinados. Depois, verifica-se se os resultados dessas votos coincidem com os votos pré-determinados. E até ai morreu Neves, como se dizia antigamente, não prova nada.

OUTRAS SALVAGUARDAS – Meses antes do pleito, o TSE convida uma série de especialistas em informática de importantes instituições públicas e privadas, para que testem a segurança do sistema. Assim, se surgir algum problema, a Justiça eleitoral tem como corrigi-los até a data da eleição. Ou seja, admite-se a priori que pode haver falhas. 

Dizem também que, com o advento da biometria, fica impossível substituir a pessoa na cabine eleitoral. Além disso, as urnas são lacradas, de modo a impedir a inserção de algum dispositivo estranho, como um pendrive.

Por fim, os votos são embaralhados no sistema, de forma a impedir que se identifique como cada um votou. E para mim é justamente aí que mora o perigo, porque a votação fica inauditável.

NADA É PERFEITO – Fala sério, diria Bussunda. Se os hackers conseguem penetrar na rede do Pentágono, podemos avaliar o que conseguiriam fazer no modesto esquema do Tribunal Superior Eleitoral…

 É claro que ninguém defende um retrocesso para o tempo do voto impresso, o que se procura é dar a máxima garantia de fidelidade ao voto. De toda forma, é importante discutir alguma maneira de dar maior segurança ao sistema eleitoral no Brasil.

A reforma está na Câmara e tem de estar em vigor antes de 9 de outubro, porque a legislação proíbe alteração eleitoral no mesmo ano do pleito. E o desafio é arranjar uma forma de auditar a eleição que seja barata e eficaz.

POR AMOSTRAGEM – Com a máxima vênia, acho que poderia haver uma auditoria por amostragem.  Em cada mil seções eleitorais de cada Estado, seria sorteada uma delas, onde haveria votação dupla.

Os eleitores digitariam a urna eletrônica e depois preencheriam um voto impresso à antiga, no qual escreveriam os números de seus candidatos a deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, depositando o papel numa urna separada. 

Depois, basta conferir os resultados de cada sistema – eletrônico e impresso, que devem ser rigorosamente iguais.

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P.S.A amostragem é uma das bases da ciência estatística. Simples e eficaz, sem gastar muito dinheiro, e logo se saberá se a eleição é verdadeira ou fraudada. E assim poderemos manter a urna eletrônica, com um sistema tão seguro que pode até ser usado nos mais países mais desenvolvidos. (C.N.)

12 thoughts on “Conheça uma maneira simples e eficaz de conferir se há fraudes nas eleições brasileiras

  1. Caro Newton, você diz:

    “Por fim, os votos são embaralhados no sistema, de forma a impedir que se identifique como cada um votou. E para mim é justamente aí que mora o perigo, porque a votação fica inauditável.”

    Ora. Tudo que é feito num sistema, que é registrado, gravado, modificado, é feito deixando impressões.

    Se a votação é aberta num horário e encerrado em outro, então o sistema pode ser auditavel para saber se mantido íntegro, sem ingresso de dados antes ou depois.

    Mesmo hackers que invadem sistemas somente modificam aquilo que está na rede.

    Os votos permanecem nos disquetes que são colocados na urna pelo Tribunal Eleitoral, emitida a Zerézima, em seguida recebe os votos na seção, sendo depois, com encerramento, emite-se o BU, é retirado e transmitido seus dados pela Zona Eleitoral/TRE ao TSE.

    • Nessa etapa final que teria a possibilidade de atividade de hacker.

      Mas importa saber:

      Os dados são transmitidos com criptografia ponta a ponta?

      Passa por servidor de terceiros?

      Com pouco tempo de transmissão, acredito não seja suficiente para invadir e descriptografar.

      Uma vez iniciada a transmissão, os técnicos podem acompanhar. Podendo-se auditar os registros dessa transmissão.

      Já diferente podemos supor que teria êxito se o sistema invadido fosse o TSE e permanecesse o hacker dentro do sistema de forma oculta e sua presença passasse despercebido, e com as chaves substituísse os registros.
      Mas a substituição dos registros deixa rastros. Qualquer atividade deixa. Logo, uma auditoria poderia identificar.

  2. Num pais em que a fraude, o roubo, o logro, as trapaças estão presentes em tudo o que se faz, é espantoso e inacreditável que só as eleições feitas, por meio eletrônico, com um histórico de “invasões”,
    seja a única coisa séria e honesta neste pais.
    Desde o tempo antigo, eleições são motivos de denúncias de fraudes, mas agora são tidas como a coisa mais séria do pais? Fala sério, diria o Bussunda.

  3. Caro C.N e comentaristas

    Não sou especialista em eletrônica, mas como mesmo diz o Chig Lig, no Brasil em que se frauda e rouba tudo, só as urnas e a eleicao são invioláveis e como diria o Bozo, inroubaveis?

    Difícil, muito difícil acreditar

    Por outro lado, como se alternaram no poder , PSDB, PT e BOZO, quem seriam os gestores desta sistemática de fraude? A que interesses serviriam? Como são acionados? Onde ficam em período de hibernação?

    Ou diferentemente de tudo o que se pensa, o eventual sistema de fraudes ocorre de maneira sistemática e organizada para manter intacto, (com pequenos arranhões superficiais para dar impressão de mudanças) o verdadeiro poder que esta no congresso elegendo sempre uma quantidade segura de deputados e senadores ligados a imobilidade secular?

    Assim teríamos verdadeiros Leopardos de Lampedusa ” cuidando para que tudo mude para que tudo fique como está”” e o povo ah o povo vai se enganando pensando que muda algo votando no presidente de plantão.

    De vez em quando por motivos vários ( grana, tedio, sadismo etc) aproveita e engraxa o sistema de fraude , ajustando a eleição de algum presidente.

    Loucura, imbecilidade, senilidade ?

    Provável mas o fato é de que a defesa encarniçada de um sistema, assegurando sua inviolabilidade é muito suspeito.

    A volta ao sistema puro de voto impresso seria um retrocesso certamente. Fui escrutinador, presidente de mesa apuradora, fiscal de partido e as possibilidades de fraude eram inúmeras.

    Mas , desde o projeto pioneiro do deputado gaúcho Pompeo de Matos, acho que logo após o advento da urna e agora o de Bolsonaro (que acredito mantem a sua essência) me pergunto:

    Por que não fazer???

    Por que não imprimir o voto, colocar na tradicional urna, lacrar e aguardar?

    por que não auditar (após a publicação dos resultados obvio, para evitar a nao pre programação das urnas a serem auditadas, no sistema defendido por CN) um numero de urnas e conferir facilmente o resultado?

    Creio que a discussao também é diversionista.
    A fraude, creio, não ocorre na urna, mas na compilação e totalização.

    Assim os resultados poderiam ser manipulados e nao se saberia onde aconteceu.

    Na eleição de 2014, os sinais de fraude foram notórios. Tofolli presidente do TSE, interrompeu a contagem quando Aécio estava na frente ( o sistema ficou fora do ar kkkk)

    Só Tofolli e ministros ou técnicos numa sala inviolável (rezando pela volta do sistema ?????) e 40 minutos depois, Aecio ex governador, tradicionalíssimo politico de Minas, que estava na frente, retorna perdendo no estado e esta diferença permite sua derrota no pais todo, para o partido do presidente do Tse, fechado rezando na sala??

    Tudo meio surreal

    A história pode não ser exatamente assim mas foi parecida.

    Nao foi provado, por que e muito difícil provar ai pode estar a fortaleza do sistema””.

    Ele é imune a fraudes mas somente para quem esta fora do sistema……..

    outra opção mais complementar poderia ser (além do voto impresso na urna tradicional de todas as urnas) , poderia ser a publicação em sites diversos da internet, do boletim de cada urna, logo após o encerramento da votação pelos componentes da mesa e fiscais do partido.

    Assim, salvo melhor e mais aprofundada avaliação técnica que nao tenho condições de fazer, qualquer cidadão ou organização poderia montar um software e somar os votos por cidade, zona eleitoral, estado e pais , confrontando depois com o apresentado pela justiça eleitoral.

    Tipo o que faziam as rádios e jornais no voto impresso e que acredito abandonaram se guiam apenas pelos resultados fornecidos pelo tribunal.

    Quanto aos custos de milhares de impressoras pelo amor de Deus!!!. Deve se rmenor que o salmão, lagostas e bebidas finas, servidos nos tribunais e casernas.

    Uma moderação mínima nestes luxos, certamente, financiara a lisura das eleições.

    Não gosto do Bozo, acho sua campanha de voto impresso uma copia mal feita do golpe de Trump mas acho que esta certo em instituir o voto que possa ser auditado, conferido e validado.

  4. Fraudar é bem mais fácil do que se imagina. A falcatrua é na computação das urnas eletrônicas. Individualmente é publicado um número mas estes são devidamente direcionado pelo programa.
    Trabalhei minha vida em processamento de dados.

  5. Não existe sistema infalível.
    Para mim, além de encarecer o processo e gerar demora, o voto impresso não garante nada.

    Qualquer um sabe que um esquema de segurança tem um aumento de custos exponencial, à medida que se aumentem as camadas para impedir um incidente, no caso fraude.

    Vale a pena gastar dinheiro público escasso para que tenhamos um pequeno ganho de confiabilidade? Quem garante que com votos impressos não haverá votos de cabresto, como antigamente?

  6. Caro Vidal

    Como seria este voto de cabresto, que não pode ocorrer no atual sistema???

    O eleitor nao levaria copia, apenas uma via impressa ficaria na urna.

    Qual a diferença para o atual sistema??

  7. É salutar essa discussão sobre o voto eletrônico. A sugestão do articulista seria um bom começo, mas a “dupla” votação, uma digital e outra com registro manual em cédula, não é uma boa escolha. Melhor acoplar uma impressora à urna, para que o eleitor confira visualmente o seu voto. Outra falha é a amostra (1000 urnas, na proposta do autor); sabe-se que atualmente um determinado número de urnas, acho que um grupo de 50, são “carregadas” com o software de um mesmo dispositivo (uma espécie de pen-drive), essa operação de carga da urna é mais uma vulnerabilidade; portanto, para a proposta dessa auditoria por amostragem ser mais realista, pelo menos uma urna desse grupo deveria ser “auditada”. Mas, o ideal é que paulatinamente acople-se impressoras a todas as urnas, como proposto na lei de iniciativa do então deputado Bolsonaro, aprovada e descumprida pelo supremo tribunal de facínoras (stf).

    Outro aspecto não abordado no artigo é a questão do código fonte do sistema eleitoral. Atualmente, o tudo é mantido em segredo pelos burocratas do TSE. Ou seja, o processo de apuração dos votos não é público e, numa democracia verdadeira, o ato de contagem de cada voto deve ser público, portanto transparente, para que cada cidadão possa acompanhar a contagem. Por isso, é mandatório que o TSE publique todo o código fonte do sistema para que a sociedade possa fsicalizar a apuração das eleições. Essa publicação do código traz um benefício adicional: permite que qualquer programador inspecione o código, descobrindo bugs, ineficácias e vulnerabilidades, tudo isso contribui para o aprimoramento do próprio sistema (essa prática é utilizada pelos desenvolvedores de software livre).

    Finalmente, para aqueles que desejarem se aprofundar um poquito más no assunto recomendo a palestra de 2018 do professor Diego Aranha:
    https://www.youtube.com/watch?v=0bAuf4osADg

  8. Este papo de que o resultado das urnas eletrônicas não pode ser auditado é conversa para boi dormir. As urnas fornecem um extrato que pode ser solicitado pelos partidos, mas quem quer mesmo saber a verdade? Talvez com base nesta “informação” o mito jure que se elegeu no primeiro turno, coisa que acredito não passe de mais um trololó inventado pelo cara.

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