Conluio entre vigaristas

Carlos Chagas
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Não foram ainda corrigidos certos vícios que vem do governo Lula. Um deles é a interferência da euforia exagerada nas estatísticas divulgadas a respeito da criação de novos empregos. Ainda esta semana tomamos conhecimento, por informação oficial, da criação até agora, este ano, de 280.799 postos de trabalho, com certeira assinada. Os números poderão estar certos, mas o reverso da medalha é maliciosamente escamoteado: quantas demissões ocorreram no mesmo período? Não erra quem supuser ao menos 100 mil, dentro da injusta relação  praticada entre capital e trabalho.
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Mas tem pior. Por conta dessa ilusória criação de novos empregos,  movimentam-se porta-vozes das elites econômicas para evitar a crítica de que não vem cumprindo suas obrigações, já que os investimentos sociais da iniciativa privada deixam a desejar, fora as exceções de sempre.
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Virou moda na Fiesp e congêneres defenderem-se dizendo que eles criam empregos e pagam impostos. Vamos com calma: criam mas também suprimem empregos. E se pagam impostos, não é com a facilidade,  a abnegação  e o patriotismo que afirmam. A classe média e os pequenos empresários não tem outro remédio que apresentar-se ao leão, ou melhor, o leão ronda implacavelmente suas casas e escritórios. Os maiorais, no entanto, contestam, discutem e levam suas obrigações à barra de tribunais administrativos e da Justiça, quando não sonegam.  Ganham tempo precioso e salvam recursos monumentais. Basta ir ao site da Receita Federal para se ter notícia de que mais de um trilhão de reais deixou de entrar nos cofres públicos.
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Apesar disso, são os maus pagadores os primeiros a celebrar as informações decorrentes da  exagerada euforia do governo.   Uma espécie de conluio  entre vigaristas.�

DE OLHO NA PREFEITURA

O ex-presidente Lula reúne-se hoje com os prefeitos do PT que governam cidades paulistas com mais de 100 mil habitantes.  De início  um reparo:   por que discriminar os  companheiros de municípios menores?
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A finalidade do encontro, genericamente, é reforçar o partido com vistas às eleições do ano que vem. Precisam aumentar o número de seus alcaides, hoje 70, no total, em especial para diminuir a influência do PSDB no estado.
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Na prática, as atenções voltam-se para a prefeitura da capital, onde o prefeito Gilberto Kassab encontra-se de malas prontas para sair do DEM, fundar um novo partido e logo em seguida aderir ao PSB, ou seja,  virar governista e dilmista desde criancinha. O PT quer retomar o palácio do Anhangabaú, perdido por Marta Suplicy para José Serra e depois para Gilberto Kassab. Principalmente porque o atual prefeito tem direito a mais um mandato, tudo indicando que vai disputar a reeleição.
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Nomes não faltam para o confronto, mas se o PT insistir em Marta Suplicy ou  Aloísio Mercadante,o risco será de nova derrota. Um nome ganharia a eleição, mesmo se fizesse campanha na  África.  Será?

EXEMPLO

Do Japão, não se tem notícia de saques a residências, invasões de supermercados ou de multidões desesperadas percorrendo sem rumo as ruas das cidades mais atingidas pelos terremotos e tsunamis. Em ordem, sua  população  busca recuperar aquilo que a natureza levou, conformando-se com o grande número de vítimas   fatais. Mesmo a terceira tragédia, do vazamento em usinas nucleares, é enfrentada com estoicismo e coragem. Belo exemplo que deveria ser seguido em todo o mundo,  mesmo onde as catástrofes,  naturais ou causadas pelo Homem mostram-se bem menores.

CONFIRMAÇÃO

Confirma-se a informação de semanas atrás, a respeito de pretender o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, estabelecer ampla parceria com o Brasil para multiplicarmos nossa produção de etanol, que seu país importaria tentando  implantar, lá,  a mistura do produto com a  gasolina. Caberá à presidente Dilma Rousseff debater a questão das tarifas que oneram amplamente o etanol brasileiro.
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Outra notícia também confirmada: os americanos querem garantir  o compromisso  já celebrado de   receberem boa parte do petróleo a ser extraído do pré-sal.  A Petrobrás já vem recebendo muitos milhões de dólares por conta da operação futura, recursos utilizados no  difícil trabalho de  extração.

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