Contratado pelo poder público não deve fazer doações, diz Cunha

Cunha bota pimenta na discussão da reforma política

Deu na Ag. Câmara

Em passagem por Belém nesta sexta-feira, o deputado federal e presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) disse que trabalha para que a reforma política seja aprovada pelo Congresso a tempo de valer já para 2016. Dando pitacos sobre o que deveria ser alterado no sistema eleitoral, ele defendeu que empresas contratadas pelo poder público deveriam ser proibidas de financiar campanhas. A informação foi publicada pela agência de notícias da Casa.

Embora a intenção aparente ser a de almejar o fim da influência econômica sobre os congressistas eleitos, a ideia, por si só, não impediria que a pressão por benefícios empresariais em troca de recursos para campanhas continue sendo praxe. Em outras palavras: forças econômicas não estão apenas interessadas em contratos vultosos com a Administração, mas também na aprovação de projetos de leis, emendas, medidas provisórias, proposições de toda sorte. E Eduardo Cunha sabe disso.

O próprio presidente da Câmara, em entrevista à Folha, disse que não se furta em ajudar distintos grupos no Congresso se ele entender que a causa é válida. “Muito procurado por grandes companhias, [Cunha] faz adendos em medidas provisórias e trabalha para agilizar a aprovação ou a derrubada de leis” que interessam a seus financiadores, escreveu o jornal. Um pente fino em suas contas de campanha revelam que o resultado desse voluntarismo chega em forma de créditos para o PMDB.

Na campanha de 2014, por exemplo, Cunha recebeu contribuiçãos da Telemont, que opera sistemas de internet banda larga. O deputado deu muita dor de cabeça ao governo Dilma Rousseff (PT) na tramitação do Marco Civil da Internet. A lei foi aprovada com dispositivos que contrariam os interesses do setor de telecomunicações, como o que impede a cobrança de um pedágio para facilitar ou dificultar o acesso a certos conteúdos web.

Cunha, ao longo de 2013, também atuou contra a chamada MP dos Portos, na tentativa de impedir o governo de realizar novos leilões para concessão dos terminais portuários. Segundo reportagem da revista Isto É, mais de R$ 240 mil foram doados pela AMC Holding (grupo Libra) à campanha do deputado em 2010. A empresa é responsável pelo Porto de Santos.

Ainda de acordo com a agência Câmara de notícia, Cunha disse que o sistema eleitoral brasileiro precisa ser alterado porque “Ninguém aguenta mais fazer uma nova eleição como foi feita a última”. “Segundo ele, o modelo atual gera distorções, como a eleição de deputados federais que obtiveram apenas 200 votos e a não eleição de outros que tiveram mais de 100 mil votos.” Ele é defensor do chamado distritão, em que são eleitos os deputados mais votados em cada estado.

2 thoughts on “Contratado pelo poder público não deve fazer doações, diz Cunha

  1. CN
    O pior é pedir dinheiro emprestado ao BNDES e depois fazer doações aos partidos políticos. Como pode um absurdo desses pedir emprestado e depois doar.

  2. Pelo que disse um dos implicados na Lava Jato, ninguem fazia doações. Eram sim achacados pelo representante partido dos trambiqueiros. Mas Cunha está certo.

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