Convém deixar que Bolsonaro se enrole na sua própria teia e consuma o próprio veneno

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Rosângela Bittar
Estadão

O clima de Brasília está irrespirável. O ambiente funde o medo da morte, impregnado na nova expansão da pandemia, com o desvario constante do homem que domina os palácios da capital. A cidade se transformou, desde o início, em campo de provas da negação da ciência, da vida e do bom senso. Um novo apocalipse.

Falsidades e mentiras são multiplicadas a cada dia da gestão Jair Bolsonaro. O presidente insiste em atacar, violentar, agredir instituições e pessoas. Convém deixar que se enrole na sua própria teia e consuma seu próprio veneno. O que importa verdadeiramente é a sobrevivência dos cidadãos.

MANOBRAS INÚTEIS –  Podem-se listar as manobras rocambolescas de Bolsonaro. O pedido de impeachment dos ministros do Supremo não se deve a uma solidariedade fraternal ao ex-deputado preso Roberto Jefferson. Afinal, até o presidente sabe que não foi mera liberdade de expressão o que ele cometeu.

A série de fotos e desaforos do ex-deputado pelas redes sociais, armado até os dentes, ameaçando autoridades, não deixa dúvidas. Os provocadores, porém, aos ouvidos de Bolsonaro, lembraram que, depois de Jefferson, o próximo alvo poderia ser Carlos Bolsonaro.

E ao reagir furioso ao encontro do ministro Luís Roberto Barroso com o vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro deu curso a seu traço marcante, de aplicar a tudo a teoria da conspiração.

TRAMAR A DERRUBADA – Bolsonaro avaliou que tal reunião se destinava a tramar sua derrubada da Presidência, deixando o poder com o vice. Foi do que se queixou, sem meias-palavras, a membros do Judiciário.

Ao mesmo tempo, a insistência com que repete que não haverá eleição no ano que vem, ameaça respaldada pelo general-ministro da Defesa, não define como e com quem dará o golpe. Um novo AI-5? Como ficariam os mandatos dos deputados e senadores? Os governadores terão seu tempo prorrogado? O Centrão, que se alimenta de eleições, concordará em extingui-las?

Com estas e muitas outras imprecisões e omissões, Bolsonaro conseguiu desviar a atenção do desastre do seu governo. Em todas as áreas, mas, em especial, na gestão da pandemia, que não acabou.

MORTE DE FAMOSOS – A resistência da Covid 19 tornou-se tão incômoda aos seus planos eleitorais que o presidente nem sequer menciona mais a sua querida cloroquina. E a mobilização da sociedade está sendo insuficiente para conter as sucessivas ondas de insegurança geradas em cada palavra, gesto ou movimento do presidente.

A constante morte de famosos lembra que a pandemia persiste e exige novas ações de combate. Outros países mais bem posicionados que o Brasil no enfrentamento da crise já estão retomando mecanismos extremos, como o lockdown. A pandemia se mostra viva e mutante. Até tirou a máscara do quarto ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga.

Posando de bom moço que nada devia à sociedade pelos malfeitos de seus antecessores, Queiroga entrou firme na campanha eleitoral da reeleição. Até transgrediu o plano nacional de imunização, reduzindo as doses de vacina devidas proporcionalmente a São Paulo. Mesquinharia incompatível com a gravidade da situação e mais uma questão para a Justiça arbitrar.

TODOS OS PAPÉIS – Ocupado apenas com seu destino e seu previsível fim, Bolsonaro inventa um enredo em que ele mesmo é o mocinho, o bandido, o padre, o pastor, o médico, o juiz de paz, o prefeito, o governador e a tropa de ataque à cidadela sitiada.

O que é mais mortal? Este Bolsonaro ou o coronavírus? A doença, é verdade, aproveita-se das populações mal governadas e abandonadas à própria sorte. Mas as instituições também precisam ampliar o seu papel de resistência, pois as convulsões diárias do faroeste bolsonarista não merecem tanta atenção.

3 thoughts on “Convém deixar que Bolsonaro se enrole na sua própria teia e consuma o próprio veneno

  1. O maligno se enfraqueceu tanto, que se pisar num palito de dentes ele cai.

    Acho que dá tempo do Impeachment do genocida, as manifestações de 12 de Setembro vão ser um sucesso!

    Vamos aniquilar com os insanos.
    Vamos para a rua!
    Seremos MILHÕES!!

    Queremos bolsolouco fora do poder. A história já o tem como o pior presidente do Brasil.

    Ah! O zero quatro já tá de mansão nova.
    A explicação de como isso foi possível é esfregando roubalheira na nossa cara. Ou seja, não tem explicação.

    É A FAMÍLICIA ROLOLÂNDIA!!

    É insuportável ver essa gente meter a mão. Já perderam completamente todos os escrúpulos!

    O negócio é aproveitar agora porque depois TODOS VÃO PRA JAULA!!

    JL

    P.S. Ainda me lembro do genocida em campanha… parecia que realmente queira mudar este fabuloso país.
    Que destino, que cilada, votei nesta merda e não consigo me conformar.

  2. Do Diário do Poder

    O Brasil se aproxima da marca de 65% da população vacinada contra a covid-19, com ao menos uma dose, e ultrapassou a média dos 27 países que compõem a União Europeia. Após superar EUA e o bloco europeu, o objetivo é alcançar países que apresentam bom desempenho de vacinação isoladamente, como o Reino Unido, o primeiro país a vacinar contra o coronavírus, em dezembro. A plataforma Our World in Data informa que no Reino Unido 70,2% receberam ao menos uma dose.
    Exemplo brasileiro
    Desde 6 de agosto, o Brasil aplica mais doses por habitante que toda a União Europeia. Desde o dia 18, são mais doses em números absolutos.
    Conta de somar
    Brasil tem, segundo o Vacinabrasil.org, cerca de 129 milhões de pessoas com primeira dose e 4,7 milhões com dose única: total de 133,7 milhões.
    Totalmente imunizados
    O Brasil chegou também à marca de 60 milhões de brasileiros totalmente imunizados. É mais que Reino Unido ou Alemanha, mas 28,5% do Brasil.
    Referências sul-americanas
    A América do Sul inteira tem pouco mais de 53% da população vacinada, bem abaixo do percentual brasileiro, do chileno (75%) e uruguaio (76%).

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