Convém ler algumas “reflexões seculares no Natal”, de Eurípedes Alcântara

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Charge do Ivan Cabral  (ivancabral.com)

Mário Assis Causanilhas

Nesta época do ano, em meio a tanto radicalismo e divisão entre nós e eles, é recomendável e leitura dos últimos parágrafos do artigo “Reflexões seculares no Natal”, publicado neste sábado, dia 21, em O Globo pelo experiente jornalista Eurípedes Alcântara, que foi diretor de redação da revista Veja.

“A narrativa sobre Jesus entendida como matriz da literatura realista dos dois últimos milênios talvez seja uma das reflexões mais interessantes a se fazer no Natal. Outra reflexão inescapável vem da religião secular de nosso tempo, a política. São as surpresas, pelo menos para os analistas tradicionais, brotando com insistência das urnas em diversos países, quase sempre penalizando as correntes de esquerda.

Não terão os partidos de esquerda se enfatuado demais com seus banqueiros, seus empresários campeões nacionais, seus artistas e intelectuais “orgânicos” e seus dogmas do século XIX, tornando-se, assim, donos de um discurso condescendente, distanciado da realidade das pessoas comuns?

A esquerda vai precisar muito mais do que, na expressão de Auerbach, encontrar um sermo humilis, um discurso humilde. Vai precisar entender, entre outras coisas, que ser engajado em ativismo racial não é condição necessária para ser considerado negro ou que um gay governista também sofre discriminação e agressões físicas.

Talvez a maior barreira a separar os recentes derrotados nas urnas seja a dificuldade de entender a imensa energia potencial existente nas ilhas de insatisfação no centro do espectro político convencional. Há radicalismo no que se chama, não sem certo desdém, de moderação. Quantas “surpresas” nas urnas ainda precisarão aparecer até que os partidos políticos aprendam a captar e atender às demandas das pessoas comuns.

Não se trata de cristianismo. Trata-se de decifrar os novos códigos da “mulher e do homem esquecidos” de William Sumner, aqueles que, em todos os tempos, acordam cedo, pegam no batente, voltam para casa cansados, comem, caem na cama e começam tudo de novo no dia seguinte, dia após dia. Aqueles que só são lembrados quando é preciso arrecadar mais impostos ou obter seu voto.”

2 thoughts on “Convém ler algumas “reflexões seculares no Natal”, de Eurípedes Alcântara

  1. Muito boa a análise quanto ao entendimento do expectro político. Já definiu isso bem o Cel. Golberi. O expectro político no Brasil se apresenta em forma de ferradura. Os extremos de aprumando e distantes do centro. O povo comum.

  2. O Autor Sr. MÁRIO ASSIS CAUSANILHAS nos traz algumas “Reflexões Seculares no Natal” do Jornalista EURÍPEDES ALCÂNTARA dirigido aos Partidos de Esquerda do Brasil.

    Notando no Mundo o crescimento do Conservadorismo (Direita), e até mesmo da extrema-Direita, se pergunta: Por que o discurso da Esquerda se “descolou” tanto do pensamento da Média do Povo, especialmente dos mais Pobres?

    Depois de 14 Anos de Governos de Esquerda no Brasil (PT-Base Aliada), embora a nosso juízo seguindo a Estratégia correta de Nacional-Desenvolvimentismo Semi-Estatal, por má Administração, congelamento de preços Administrados especialmente em Combustíveis e Energia Elétrica, etc, por aumento constante do Deficit Público e Endividamento, e perda de CONFIANÇA do Mercado que gerou grande evasão de Capitais, etc, o Brasil chegou em 2016 com +- 13% de Desemprego Oficial, +- 5% de Desalentados +- 10% de Sub-Empregados Conta-Propistas, e +- 40% da Capacidade Instalada Ociosa.

    Recebendo o País em Depressão, a nosso juízo o Governo TEMER-MEIRELLES fez bom Governo, revertendo a Depressão em crescimento de 1% aa. Tarefa dificílima essa Reversão, mas foi conseguida.

    O Governo BOLSONARO/MOURÃO Conservador de Direita, que teve grande vitória nas urnas, continua as Reformas de Ajuste Fiscal e ainda está indeciso entre uma Estratégia Liberal Laissez-Faire, ou um Nacional-Desenvolvimentismo Mitigado.
    A situação de forte Crise Social no Chile, País que seguia a Estratégia Liberal Laissez-Faire por +- 30 Anos, embora rendendo bom crescimento causou fortíssima concentração da Riqueza e da Renda a ponto de Convulsão Social e isto levou o Governo BOLSONARO/MOURÃO a colocar “as barbas de molho”.

    Tem razão o Governo BOLSONARO/MOURÃO em usar o Ministério da Fazenda (Economia) para ir reduzindo o tamanho do Estado na Economia que atinge SUFOCANTES +- 36% de Carga Tributária) + 6% de Deficit Nominal ( o que leva em conta o CUSTO da Dívida Pública), incríveis 42% do PIB, mas não deve seguir uma Estratégia de Liberalismo Laissez-Faire puro como quer o Ministro PAULO GUEDES, sob pena de acabar com o resto de Indústria Nacional que ainda resta e voltarmos a ser uma Economia Agro-Pecuária como éramos todo o século XIX até quase a metade do XX.

    Deve portanto o Governo BOLSONARO/MOURÃO a nosso juízo optar por uma Política Nacional-Desenvolvimentista Semi-Estatal MITIGADA, com bom Protecionismo em relação ao Exterior e grande CONCORRÊNCIA interna, dar AUTONOMIA TOTAL as Empresas Estatais e Mistas e Não interferir nos Preços de Mercado. Diversificar ao máximo nossa pauta de Exportações e aumentar ao máximo nossas Exportações.

    Depois do Ajuste Fiscal deveria visar, lógico que com as devidas adaptações, ao Governo MÉDICI-DELFIM NETTO dos anos 70, ou o mais próximo possível.
    Claro que as circunstâncias são outras, mas o Modelo a perseguir deveria ser aquele. Máxima INDUSTRIALIZAÇÃO e preferência para o CAPITAL BRASILEIRO.

    Não é necessário “saber nada de Economia Política” para saber que é isso que o POVO quer.
    Emprego – Salários – Prosperidade.

    Fazendo isso a Esquerda ficará contida por muito tempo, caso contrário….

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