Convenções partidárias na Inglaterra e nos EUA, humilhação para o Brasil. Aqui, os PRÉ-candidatos de hoje, serão efetivados, sem participação do povo

Quinta-feira, pela primeira vez na História da Inglaterra (e 50 anos depois da iniciativa pioneira nos EUA), os candidatos britãnicos debateram pela televisão. São três pretendentes a primeiro-ministro (a eleição mais importante do país): o trabalhista Gordon Brown, atual premier, o conservador David Cameron e o liberal-democrata Nick Glegg.

O debate televisado (e não televisionado, como gostam de dizer erradamente), tem “formato” inteiramente diferente do que é utilizado no Brasil e nos EUA, onde é obrigatório, importante e decisivo. Sem experiência em fazer debates pela TV, os três partidos britânicos levaram quatro semanas de negociações para acertar como seria o programa, realizado em Manchester. Entre as mais de 70 regras acertadas estava o óbvio: a determinação de que a plateia de 200 pessoas presentes no auditório não poderia aplaudir as respostas dos candidatos.

Nesse primeiro debate, os dois favoritos para vencer o pleito de 6 de maio,  Cameron e Brown (o atual primeiro-ministro), e o liberal Glegg discutiram sobre cortes de orçamento, impostos e reforma política. Um segundo programa, marcado para o dia 22, deve focar em política externa e o último, a ser transmitido no dia 29, na economia.

O primeiro debate entre presidenciáveis aconteceu nos EUA, entre Nixon, franco favorito, e Kennedy, muito moço, os dois então senadores. (Cumpriram a tradição quase rotina dos presidentes serem senadores ou governadores). Levaram dias e dias com assessores “exigindo detalhes”, ainda não havia experiência.

Antes realizaram-se as convenções do Partido Democrata e do Republicano, mobilizando o país inteiro, E não foram as primeiras grandes convenções que tinham todos os poderes, embora, lógico, ainda não houvesse rádio ou televisão. As mais notáveis convenções ocorreram em 1800, quase em cima da inauguração da capital, ainda não Washington, pois o presidente não queria seu nome. Ficou sendo Washigton DC, até ele morrer.

J. Adams, presidente que tentava a reeleição, enfrentou na convenção o fortíssimo Thomas Jefferson, legenda no Partido Federalista. Os dois, fundadores da República. (O Partido Democrata só seria criado 40 anos depois, até hoje se revezando no Poder com o Republicano). Jefferson venceu a convenção e a eleição.

Poderia citar várias convenções que demonstraram o Poder dos partidos. Prefiro citar apenas duas, ambas na Inglaterra. Margareth Thatcher foi escolhida primeiro-ministro, 4 vezes pelo Partido Conservador. Cumpriu 12 anos dos três mandatos iniciais, mais 1 ano do quarto, foi derrubada pela convenção interna. Em vez de 16 anos, cumpriu apenas 13.

Mais tarde viria Tony Blair, do Partido Trabalhista, considerado a grande revelação dos últimos tempos, que aparentemente ficaria longo tempo no Poder. Cumpriu 1 mandato, eleito para o segundo, foi retirado do Poder, por causa do vexatório apoio a Bush na “guerra do petróleo”, rotulada de “guerra contra a bomba nuclear do Iraque e o domínio de Saddam Hussein”.

Agora, no Brasil, estamos em plena campanha para a sucessão do presidente Lula. Todos são chamados de pré-candidatos, farsa, fraude e mistificação para iludir o cidadão-contribuinte-eleitor. Em junho ou julho, esses PRÉ serão transformados em EFETIVOS, sem que a comunidade tenha voz. Tem voto, mas geralmente não sabe o que fazer com ele.

Sem convenção esclarecedora e definidora, Serra e Dilma serão referendados. (Desculpem a palavra, como não foram escolhidos por ninguém, ficam suspensos no ar, e o cidadão também suspenso, só de decidir, opinar ou interferir, com a “cúpula de meia dúzia”, que responde pela coletividade).

Duas excelentes figuras, como Marina Silva e Plinio de Arruda Sampaio, (ele com tudo para ser um grande presidente) serão confirmados, mas sem o direito de serem votados. E Ciro Gomes, voluntariamente inscrito como linha auxiliar de Lula e Dilma. Esse é o quadro nacional.

***

PS – Lancinante e decepcionante, se comparado com o de outros países. Incluam aí também a França, a partir da eleição de De Gaulle.

PS2 – Deixo de comentar o espetáculo da convenção dos EUA, com Obama e Hillary disputando arduamente, está ainda bem atual e visível.

PS3 – E Hillary, senadora derrotada, para ser secretária de Estado, teve que renunciar a 4 anos e 1 mês no Senado. Aqui, daria a vez a um suplente, acumularia.

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