Conversa com comentarista, sobre o que Rui Barbosa faria se tivesse sido presidente

Selso: “Helio, se Rui Barbosa tivesse sido presidente, o Brasil de hoje seria outro?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não há resposta, apenas considerações, por causa dos títulos, credenciais, bravura cívica e moral do grande personagem. Foi candidato 4 vezes: 1910, 1914, 1918, 1919. A primeira, que campanha. Perdeu para o Marechal Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro e apoiado pelo presidente Nilo Peçanha. Perdeu por pouco.

Lançado em 1914, foi procurado por Pinheiro Machado (os dois eram senadores), que lhe fez a seguinte proposta: “Você será candidato único, pelo Partido Republicano, se compromete a fazer a reforma da Constituição?”

Rui, que fez o anteprojeto da Constituição e seu relator na Constituinte de 1890/91, era contra, achava muito cedo reformar uma constituição que ia completar 20 anos. Pediu 3 dias para responder, mas logo a seguir, fez violentíssimo discurso contra Pinheiro (presente e perplexo) e o Partido Republicano, terminou desistindo da candidatura, dizendo:? “Não  faço acordo ou concessão, nem para ser presidente”.

Já em 1918, novamente candidato, o Partido Republicano não tinha candidato. Apavorados, recorreram e pressionaram Rodrigues Alves, que muito doente, não queria aceitar. Mas apoiado pro São Paulo, Minas, Bahia, Estado do Rio, Rodrigues Alves aceitou, Rui se retirou, sabia que o candidato ia ganhar mas estava morrendo, teria que haver nova eleição.

Rodrigues Alves, nobre figura, convidou Rui para chefiar a delegação brasileira que participaria da “rendição incondicional da Alemanha”, em 11 de novembro de 1918, Rui recusou. Convidado, Epitácio Pessoa aceitou.

Ficou então respondendo pela Presidência, o mineiro Delfim Moreira, que como se dizia na época, sofria das “faculdades mentais”. Durante 11 meses, quem governou foi Afrânio de Mello Franco (pai de Afonso Arinos e de Virgilio), que presidiu o que se chamou de governo Mello Franco.

Rui então foi candidato, mas as forças “majoritárias” apoiaram Epitácio Pessoa, que se elegeu, estando em Paris, a Constituição permitia. A “plataforma” de Rui, nesse 1919 (já publiquei aqui) era fascinante, completa, com  projetos que ainda hoje, ninguém garante nem em compromisso de campanha.

*** 

PS – Não posso responder efetivamente, mas é lógico que se Rui tivesse sido presidente de 1919 a 1923, muita coisa positiva sobraria. Só que em 1923, Rui morria com 73 anos, 33 deles devotados à vida pública.

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