Conversa com comentaristas, sobre dois assuntos: a Olimpíada e a tragédia anunciada das chuvas

Aroldo Teroz de Lima: “Senhor Jornalista, favor me esclarecer: na Olimpíada de 2016. que será na cidade do Rio de Janeiro, haverá jogos em Manaus como o senhor informou? Grato”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não é a primeira cidade que realiza Olimpíadas com jogos em outros estados. É que eles são muitos, se fossem só no Rio, demorariam mais do que o resto. No Rio, só o Maracanã e agora o Engenhão. Por isso o futebol será jogado em outros estádios, incluindo o de Manaus, que está sendo construído.

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 AS ENCOSTAS TÊM DONO

Ofelia Alvarenga:Helio, você, homem de cidade balneário (ao nível do mar), sabe o que é uma tromba d’água na serra, em região de montanhas? Não sabe, Hélio. Ainda que não houvesse uma única construção em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, as águas rolariam com igual intensidade, Hélio. Mas seria uma briga justa, a da natureza contra a própria natureza.
Os humanos são frágeis, Hélio, admiram essa natureza que de vez em quando lhes prega peças. Querem viver, conviver com ela, natureza, em lugares aprazíveis. Às vezes não deveriam, não poderiam construir nada aqui ou ali, mas o descaso das autoridades permite e/ou não fiscaliza. Quando a tromba d’água chega sem sobreaviso querem detê-la? Jamais conseguirão, é uma luta desigual, inglória.
As autoridades são omissas. Conhecem a força das águas e acham que também não conseguirão contê-la. Mas, ao invés de usar a lei para dizer, “olha, aqui não pode, aqui não dá”, deixam pra lá. E a desgraça se repete.
É preciso fazer um estudo sério do solo, do curso dos rios, do tipo de vegetação e também uma retrospectiva das enchentes anteriores. Ensaiar e ver o que acontece”.

Comentário de Helio Fernandes:
Teu texto, tuas recordações e lembranças, excelentes. Estou relendo, é ótimo. Desde pequeno, apesar de nascer e morar em cidade-balneário, fui sempre lembrado da invencível força da água, que você denomina muito bem de tromba d’água. Mais terrível do que isso, só o propagar, que palavra, do fogo. O homem pensa que pode tudo, menos contra a rebelião ou a revolta da natureza.

Mas precisamente por reconhecer a impossibilidade de vencer a água e o fogo, é que deveríamos exigir providências. Para perder por menos. E não deixar ninguém morar em encostas que já tem donos, pertencem à natureza.

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