Conversa com comentaristas, sobre sucessão nos EUA

Rafael Amoedo, PRJ, Arnaldo, Paulo Sérgio e muitos outros: “Helio, Jimmy Carter também foi presidente e não se reelegeu, como Bush pai”.

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpem, todos estão com a razão, e com a lembrança em perfeito estado. Não esqueci nem desconheci o período de 1976 a 1980, e a surpreendente eleição de Carter, tão surpreendente quanto a minha omissão.

Governando indiretamente de 1974 a 1976. Ford e Rockefeller tinham um acordo, naturalmente financeiro. Ford sabia que não tinha cacife para se eleger, apoiaria seu vice, um dos homens mais ricos dos EUA, e com um sobrenome dos mais odiados, as duas coisas por herança.

Rockeffeler tinha obsessão pela Presdiencia. E tendo sido três vezes governador de Nova Iorque, achava que poderia ser presidente, conclusão ou contestação bastante razoável. Só que como governador, uma vez ficou marcado pelo massacre de Attica, mandou atirar “para matar” nos presos em greve.

Na segunda vez, já candidato a presidente (antes de ser vice), anunciou o divórcio, “me apaixonei por uma mulher”. Não ganhou nem na convenção. E a questão de Attica, tão importante e relevante que a penitenciária teve que ser fechada.

O acordo valeu até a convenção Democrata. Quando Jimmy Carter foi escolhido, Ford explicou ao amigo vice: “Desse eu ganho, serei candidato”. Foi e não ganhou.

Eleito e empossado presidente, Carter falou para um jornalista brasileiro; “Meu estado é pobre, só produz amendoim, pequeno e inexpressivo. Se eu tivesse que comparar com algum do Brasil, diria que o Piauí”.

Correto, sério, fez o que podia, ficou quatro anos no Poder, seqüestrado pelos lobistas. Em 1980, não se reelegeu, o que não é ultrajante. Inexplicável e ultrajante mesmo é perder para Ronald Reagan. Ator canastrão, traidor e sem escrúpulos ou caráter, foi um dos principais delatores da fatídica subcomissão McCarthy. “Entregou” tanta gente que até Charles Chaplin teve que ir viver na Inglaterra.

Nos EUA não existe CPI, poderosas são essas subcomissões do Senado. Jimmy Carter deixou o governo em 20 de janeiro de 1981 (a nova data da posse, criada pela emenda de 1952), e se transformou num diplomata e conciliador, personagem internacional. Obrigado a todos.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *