Conversa com leitor-comentarista sobre os primórdios da Segunda Guerra Mundial, o surgimento da URSS e o surpreendente fim da Guerra do Vietnã, a maior derrota sofrida pelos Estados Unidos.

Miguel Carqueija: “Hélio, sobre seu comentário em relação à Guerra do Vietnã, essa história é, hoje, muito mal conhecida. Não foram os EUA – independente dos erros que cometeram – que iniciaram o conflito na Indochina. A guerra começou em 1940, com a invasão japonesa; portanto como um segmento da II Guerra Mundial, que aliás nem iniciou em 1939, pois já em 1937 o Japão invadia a China e essas hostilidades depois se emendaram com tudo o que constituiu a Grande Guerra.
Posteriormente veio a guerra de independência contra a França, a divisão do país em dois e a infiltração do Vietcong no Sul, levando à intervenção norte-americana e de outras nações (o Vietcong, braço armado do Norte comunista, era abastecido por URSS, China, Tchecoslováquia). Quando os americanos se retiraram em 1975, a guerra não acabou (como as pessoas em geral pensam) pois o Vietnã unificado e agora todo comunista atacou o Camboja recém-dominado pelo sanguinário Pol Pot, e pela primeira vez duas nações marxistas brigaram entre si. O Vietnã só se retirou do Camboja em 1989 e, pelo que eu sei, houve conflito em solo cambojano até 1998, quando consta que Pol Pot foi liquidado. Nem tenho certeza se ainda existem hostilidades internas naquela região até hoje, pois é uma área esquecida pelo noticiário”.

Comentário de Helio Fernandes:

Muito bem, Carqueija, a Indochina está em guerra há tanto tempo, que é até impossível precisar. Mas a chamada Guerra do Vietnã, foi provocada, iniciada e desesperadamente concluída pelos EUA. Vários presidentes se envolveram, entraram e saíram com as hostilidades no auge, só a fuga em massa dos americanos de Hanói mostra que não era Indochina e sim Vietnã mesmo.

Que guerra começou em 1940? Se foi o ataque a Pearl Harbour, 7 de dezembro de 1941. E se você vai reverter ou recuar no tempo, lembrando a invasão do Japão à China em 1937, para “justificar” a Segunda Guerra Mundial, então é preciso muito mais do que isso.

1936 é muito mais importante e cruel, pois alemães, italianos e japoneses se aproveitaram militarmente da Guerra Civil da Espanha, para treinarem e se apresentarem ao mundo como invasores. Foi o aparecimento do que se chamou de nazi-nipo-fascismo. E não nos esqueçamos, o Japão, com grande população e quase nenhum território, já invadira a Mandchuria em 1905. Não é tão longe, Carqueija.

Essa invasão foi excepcional, por causa da terrível batalha de Porto Arthur, quando os japoneses apresentaram a espantosa qualidade de se “auto-imolarem”. (O que depois se tornou rotina entre os árabes, até hoje).

Nessa guerra, os “revolucionários da Rússia” criaram os comitês  identificados como S-O-V-I-E-T-S, que chegariam ao Poder antes de terminada a Primeira Guerra Mundial, 1917. Com o estranho acordo da “PAZ EM SEPARADO”, defendido pela Rússia, Alemanha e os aliados.

Confirmada essa PAZ EM SEPARADO, os alemães dispararam para defender Berlim. Os aliados dispararam para assaltar e “tomar” Berlim.

Os russos, depois de perderem 800 mil homens na batalha de Tannemberg, entraram em Moscou, acabaram com “a Mãe de todas as Rússias”, e estabeleceram a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). UNIÃO, pela primeira vez, depois dos 300 anos dos Romanoffs. REPÚBLICAS, era o que pretendiam. SOCIALISTAS, exatamente o regime que estavam implantando, nada de “comunismo ou marxismo”. SOVIÉTICAS, pois era o objetivo definitivo, a conquista tão esperada e jamais alcançada.

Desculpe, Carqueija, é difícil falarmos na Segunda Guerra Mundial, já que a Primeira não existiu, poucos países participaram. Os Estados Unidos entraram precisamente em 1917, quando o primeiro-ministro francês Clemenceau implorava aos americanos que mandassem óleo.

Os americanos tinham 13 mil homens na Europa, abasteceram os aliados. A Primeiro Guerra Mundial (como é chamada) só teve importância, quando acabou. Não por causa da vitória, mas porque em Versailhes, surgia, aí sim, a Segunda Guerra Mundial.

No Tratado de Rendição Incondicional, que os aliados impuseram à Alemanha, em 11 de novembro de 1918, as condições (irrefutáveis) eram discricionárias, draconianas, ditatoriais. A miséria que se implantou na Alemanha já estabelecia e deixava visível, que o primeiro aventureiro que aparecesse, dominaria o país e incendiaria o mundo. Foi Hitler.

***

PS – Foi a Suprema Corte dos Estados Unidos que acabou com a Guerra do Vietnã. Muitos generais americanos encheram ainda mais o peito com tantas medalhas. Mas sofreram a maior derrota da História dos EUA.

PS2 – Por que a Suprema Corte e não o Exército para dar fim a uma guerra? Pouca gente conhece (você conhece, tenho certeza) um homem chamado Daniel Ellsberg, jornalista, escritor, até mesmo a favor da Guerra do Vietnã.

PS3 – Trabalhava como estrategista para uma empresa ligada ao Departamento de Estado. Descobriu coisas importantes, foi ao Vietnã para confirmar, resolveu arriscar e revelar tudo.

PS4 – Tinha em mãos o que se chamou de “Documentos do Pentágono, ia mostrar ao país, foi preso, acusado de TRAIÇÃO, condenado à morte.

PS5 – Recorreu à Suprema Corte, tinha certeza de que sairia dali para o “corredor da morte. Multidão assistindo o julgamento.

PS6 – Por U-N-A-N-I-M-I-D-A-D-E, a Suprema Corte invocou a PRIMEIRA EMENDA, decidiu que, em vez de TRAIDOR, Ellsberg servia à Pátria.

PS7 – E o país inteiro, empolgado e emocionado, foi para as ruas, não havia mais guerra, nem condições para hostilidade.

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