Conversa com leitores: a estranha “coincidência” nas mortes de Jango, Lacerda e Juscelino na ditadura militar

José Carlos Werneck:
Helio, você poderia explicar a morte de Jango, Juscelino e Carlos Lacerda, chamadas de “coincidência”. Acredita nisso?”.

Comentário de Helio Fernandes:
Jamais alguém poderá esclarecer essas mortes, realmente importantes e apesar de abusarem muito da palavra, rigorosamente HISTÓRICAS. Pode ser tudo, Werneck: coincidência, premeditação, planejamento do grupo dentro do Poder da ditadura, que não admitia de maneira alguma o fim desse regime desvairado.

Você examina a época e as circunstancias, e cabe qualquer interpretação, sem nenhuma credibilidade, mas com aparência de realidade.

***

PS – Por outro lado, cabem todas as dúvidas e são compreensíveis todas as controvérsias. Nenhum deles estava doente, Lacerda tinha 63 anos, morreu de um dia para outro, em maio de 1977.

PS2 – O médico Guilherme Romano (diretor da Casa de Saúde Santa Lucia), era amicíssimo de Juscelino e de Lacerda. Estava viajando quando Lacerda morreu. Ao voltar, disse em entrevista pública: “Se eu estivesse aqui, o ex-governador não teria morrido”.

PS3 – João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976, quase com a mesma idade de Lacerda, 58  anos. Não tinha nada, queria vir para o Brasil, (textual) “correndo todos os riscos”.

PS4 – Juscelino era o mais velho, morreu com 74 anos, nasceu em 1902, foi embora em 1976. Deixou a Presidência da República em 1961, lançou a candidatura para um novo mandato (que nunca mais houve) em 1965, estaria com 63 anos.

PS5 – JK adorava viajar de avião, detestava carro, a não ser para viagem curta. Durante a campanha, viajamos quase um ano num Constelation alugado.  JK dormia profundamente, num trajeto tipo Rio-São Paulo. Por que morreria num acidente de carro, com uma passagem de avião no bolso?

PS6 – Você vê, Werneck, que as interpretações são todas válidas.  Com um  fato IRRESPONDÍVEL: os três eram candidato a presidente, o que não interessava á ditadura, que pretendia o que aconteceu: A ABSOLVIÇÃO DA TRANSIÇÃO.

PS7 – Por outro lado, não há uma só testemunha. Tudo é estranho, surpreendente, favorecendo o grupo que queria mais ditadura, chamado ora de DURO, ora de INSENSATO, mas capaz de tudo.

PS8 – Minha conclusão é obvia: desde 1976, a primeira morte, até agora já se passaram 34 anos. Por que acreditar que alguma coisa será esclarecida?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *