Conversa com leitores-comentaristas, sobre equívocos atribuídos a militares

José Erasmo Teixeira (Fortaleza, CE): “Sr. Helio, quando o tempo permite, leio os seus comentários, inclusive distribuo entre os mais próximos. Mas, em certos momentos, parece-me que todos os erros deste Brasil devem e são imputados aos militares por suas incursões ao Poder. Sou a favor do Brasil, na minha opinião há uma corrente de imputar as Forças Armadas e seus integrantes todos os erros. Qualquer um erra e erra muito, não há anjos, nem arcanjos, nem querubins”.

Comentário de Helio Fernandes:

Meus aplausos, José Erasmo, todos erram, civis e militares. Só que estes estão no Poder desde a República, que implantaram e deturparam, muito mais do que os civis. Usando tua classificação: “Erram e erram muito”. Civis e militares.

Lembranças e satisfação sempre com o Ceará. Quando completei 70 anos de jornalismo, fui homenageado aí, num clube espetacular (desculpe, esqueci o nome), mais de 3 mil pessoas presentes.

DIVERGÊNCIAS ENTRE MILITARES

Zeca: “Jornalista, o texto tem um equívoco pela generalização e pelo erro de fato. Não há divisão entre oficiais da ativa e da reserva, e os valores da instituição são os mesmos. Os oficiais da ativa podem ter divergências com alguns da reserva, mas essas divergências ocorrem também entre os oficiais da ativa, como em qualquer grupo. Agora dizer que “oficiais da ATIVA detestam e até repudiam os que passam para a reserva” é errado, pergunte aos oficiais da ativa e confira se eles têm esse sentimento que o Sr. generalizou. Obrigado pelo texto”.

Comentário de Helio Fernandes:

Desculpe, nunca vou saber o teu nome, esse é um dos mistérios da tremenda repercussão da internet. Não generalizo, mesmo tratando de generais. Hoje é possível que essa “divergência” não seja tão acentuada.  Mas sempre existiu.

No tempo em que os salários não eram depositados em conta, recebidos pessoalmente, sargento dizia para coronel, parecia impossível: “Entra na fila, tem gente na sua frente”. Como a base das Forças Armadas (e não só no Brasil), é a “hierarquia e a disciplina”, as divergências existiam muito mais do que você pensa (mas sabe).

***

PS – Exemplo indesmentível, apenas fato: dois coronéis (“full”. desculpe) muito amigos, um “ia” a general, já não ficava tão íntimo do outro, ainda coronel.

PS2 – Muitas coisas eram negadas a oficiais da reserva, privativas de oficiais da ativa, sem nenhuma explicação. Outro exemplo: a presidência do importantíssimo Clube Militar, era privativa de oficiais da ATIVA.

PS3 – Hermes da Fonseca, general, depois que saiu da Presidência da República (naquela época não passavam obrigatoriamente para a reserva), foi presidir o Clube Militar. Ex-presidente da República, já marechal e presidente do Clube, foi preso em 1923, porque seu filho Euclides era um dos líderes dos “18 do Forte” (de Copacabana). Morreu mesmo em 1923, episódio dramático, heroísmo de sua mulher, Nair de Teffé.

PS4 – Vargas, eleito pela primeira vez em 1950, sofreu campanha terrível  para não tomar posse m 1951.Oposição e golpe liderados por Golbery e Carlos Lacerda, então amicíssimos. Para garantir a posse, Vargas nomeou  Ministro da Guerra e general Estilac Leal, então presidente do Clube Militar.

PS5 – Os oficiais da reserva fizeram grande movimento para mudar a situação do Clube Militar. Lutaram muito, dezenas de anos, tinham pouca força, repetiam muito na caserna: “Capitão é capitão, coronel é coronel, general é general, e estamos conversados”.

PS6 – Um coronel mandava muito comandando um batalhão ou um regimento. Anunciavam a visita de um general, ficavam em pânico. Para terminar: os oficiais da reserva finalmente venceram, a presidência do Clube Militar é hoje, exclusiva de oficiais da reserva.

(Um abraço, não pude ser mais curto, na verdade preferiria ser mais explicativo).

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