Conversa com leitores-eleitores, sobre Serra e Dilma (dois sem-projetos) e a necessidade da reforma político-partidária

Antonio Aurelio: “Jornalista, anularei meu voto, como o senhor. Mas quero dizer que o Serra merece consideração, ele combateu a ditadura, da mesma forma que o senhor. Desculpe”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não precisa pedir desculpas para expressar sua convicção, civilizadamente como fez. Só que Serra (e muita gente) não combateu nada. E mente muito. Disse que falou no comício de João Goulart na Central do Brasil, inverdade. Pode até ter ido, era público, mas falar não falou.

Logo em abril de 64, se “mandou” para o Chile, sem perigo, sem perseguição, sem complicação. Alguns tiveram que ir embora, ou seriam mortos. Ficou algum tempo no Chile, foi para os Estados Unidos, tratado maravilhosamente durante alguns anos, viajou para a França.

Nos EUA e na França, disse que completou vários cursos, que não aparecem. (Esses cursos exatamente iguais aos de Dona Dilma). Em 1977, ainda em plena ditadura, voltou ao Brasil, coordenou a candidatura de FHC ao Senado. Este que também adora faltar com a verdade, disse, “fui cassado”.

Várias vezes desafiei o ex-presidente a mostrar como pôde conciliar a cassação com a candidatura. (O próprio Serra queria ser candidato a deputado estadual em 1978, não conseguiu, estava cassado).

Portanto, diferença enorme entre o comportamento deste (é DESTE e não DESSE, como tem saído) repórter, que não saiu do Brasil, da prisão, dos sequestros e desterros. Na verdade, Serra deve tudo ao golpe. Se não tivesse havido 64, o que teria sido da vida e do futuro de Serra? Como adora dizer que foi muito pobre, teria que estudar à noite e trabalhar durante o dia. Trabalhar em quê?

IMPRESSÃO DE ESTAR
MUDANDO DE POSIÇÃO?

Ulysses: “Helio, dá a impressão de que você está mudando de posição, não é mais tão lulista ou dilmista. É verdade? Suas considerações a respeito de Lula não se considerar derrotado se Serra for eleito, reconheço, são brilhantes. Mas não é a tentativa de justificar antecipadamente a derrota de Dona Dilma? Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Ulisses, brilhante é a tua análise da minha análise. Não posso estar mudando de posição, pela razão muito simples e continuada de que sempre fui contra Dilma e contra Serra. E não mudei em nada, acho os dois exageradamente medíocres para chegarem a presidente. Sem projetos, programas, idéias, o que farão?

Dona Dilma afirmou que gastou 40 bilhões em saneamento, e esse continua a ser um dos grandes e mais vergonhosos problemas. Serra também se diz inovador e realizador nos mais diversos setores, mas nada aparece. E olhem: foi prefeito da capital e governador de São Paulo, orçamentos fabulosos, abaixo apenas do orçamento da União.

REFORMA PARTIDÁRIA
E O PARLAMENTARISMO

Geraldo Moura da Silveira: “Só o sistema parlamentarista fortalecerá, de fato e direito, os partidos, pois o presidencialismo de coalização – vigente no Brasil – traz em si o gene da corrupção. Estão aí os governos Collor, FHC e Lula para provar esse fato. Nossos partidos não passam de cartórios de lobistas com mandato”.

Comentário de Helio Fernandes:
É possível, é possível, Geraldo. Antes de mais nada, precisamos de total e rigorosa reforma partidária. E aí, incluída a escolha do Parlamentarismo. Mas não basta a escolha, é preciso convicção para sustentá-lo.

A Constituição de 1988, era completamente parlamentarista. No plenário se transformou em presidencialista, ficou então essa dualidade.

Antes, em 1961, para que Jango pudesse tomar posse, os militares impuseram, “Parlamentarismo com Tancredo”. Jango demitiu Tancredo, nomeou Brochado da Rocha primeiro-ministro. Em 6 de janeiro de 1963, o presidencialismo voltou.

E não se esqueçam: o Parlamentarismo teve sempre como defensor, Afonso Arinos de Mello Franco. O mais importante parlamentar que conheci em toda a vida.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *