Conversa com o leitor, sobre a candidatura presidencial do general Lott

Francisco Berta Canibal: “Gostaria de um comentário seu sobre a candidatura do general Henrique Teixeira Lott. Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Foi um cidadão íntegro e um general importante, mas custou a se destacar. Tendo nascido em 1894, foi candidato a presidente da República em 1960, muito tarde.

Hesitou bastante, até mesmo na escolha da carreira. Neto e bisneto de generais da Inglaterra, pretendia ser militar, mas da Marinha, o que não concretizou. Achava que não seria bem recebido, a Marinha tinha fama de elitista. (O que era verdade, mas muito tempo antes, quando ainda era a única arma, antes dos motores e na época das galés).

Foi importante num dos mais tumultuados tempos da História brasileira, marcado pela disputa acirrada do Poder entre civis e militares. A partir de 1950 esteve no centro dos acontecimento, ultrapassou até mesmo seu estilo discreto e sem exibicionismo, quando ninguém “tinha os famosos 15 minutos de fama”.

Imprimiu sua “marca” ao episódio Café Filho, quando não aceitou o ato de demissão, resistiu e continuou Ministro da Guerra. (Também, jamais o Poder mudou de mãos tão rapidamente). Café Filho era vice, substituído pelo presidente da Câmara Carlos Luz, o vice da Câmara Flores da Cunha assumindo, o presidente do Senado Nereu Ramos ficando como presidente interino e logo depois eleito pelo Congresso, presidente efetivo, até a posse de Juscelino.

Em 1960, Lott foi candidato a presidente da República, com um adversário favoritísimo, (Jânio Quadros, que teve 5 milhões e 600 mil votos), o ex-governador de São Paulo (Ademar de Barros, com 2 milhões e 200 mil), e ele Lott, obtendo mais de 3 milhões e 800 mil.

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PS – Em 1965, podia ter sido governador da Guanabara, na sucessão de Carlos Lacerda. O candidato Flexa Ribeiro tinha o apoio do governador, mas faltavam votos.

PS2 – Lott tinha votos, mas o Exército (principalmente Golbery e o general Orlando Geisel) queriam perder a eleição, e poder dizer aos militares: “Estão vendo? Sempre que houver eleição, seremos derrotados”. Esse “refrão” servia para acabar com as eleições constitucionais e diretas.

PS3 – Como não queriam Lott candidato a governador, Geisel e Golbery rapidamente aprovaram no Congresso uma excrescência: O DOMICÍLIO ELEITORAL. Como Lott morava em Teresópolis e a eleição era na Guanabara, ficou impedido.

PS4 – Justificavam e conseguiam tudo. O DOMICÍLIO ELEITORAL só é inquestionável com o VOTO DISTRITAL.

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