Conversa com os comentaristas Paulo Guedes e Luiz Carlos Pereira, sobre a missão dos jornalistas e a existência de “amestrados”, que se acomodam e se aconchegam à sombra de quem está no Poder.

Carlos Newton

Artigo postado aqui na “Tribuna da Imprensa” no domingo, a partir de reflexões sobre a função dos jornalistas, recebeu muitos comentários contra e a favor. Dois deles precisam ser respondidos, porque se basearam em argumentos equivocados.

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Paulo Guedes: “Lamentável o nível de desinformação quanto ao contrato de Luis Nassif com a TV Brasil. O contrato prevê, além da produção de um programa semanal – quem viu a temporada passada sabe da alta qualidade do programa, temas e produção – a participação do comentarista no telejornal da rede. Quanto ao blog, pode ser tudo, menos chapa-branca.

Quem o acompanha sabe das críticas, por vezes ácidas, que Nassif tece principalmente à política econômica, especialmente câmbio e juros. O que deve deixar o PIG azedo é a serenidade das críticas tanto a erros quanto a acertos, ao contrário da manada que se não houver sangue e ódio nas críticas, essas não servem”.

Desculpe, Guedes, mas a produção do programa é toda feita pela TV Brasil, que utiliza seus estúdios, cenários, contrarregra, produtor, assistente de produção, cinegrafistas, editores de áudio e de VT, cabomen, diretores de imagem etc. A única “produção” feita por Luis Nassif é telefonar para os possíveis entrevistados e convidá-los a participar, se é que o faz. Como diz o Helio Fernandes, “vá lá”.

Você diz que “quanto ao blog, pode ser tudo menos chapa-branca. Quem o acompanha sabe das críticas, por vezes ácidas, que Nassif tece principalmente à política econômica, especialmente câmbio e juros“.

Infelizmente, Guedes, você deve estar se referindo a um Nassif que existiu alguns anos atrás. O blog do Nassif, no último domingo, trazia as seguintes matérias: PAC impulsiona Arqueologia”; “Usinas com esmagadores duplicam receita”; “Extrativismo planejado pode gerar R$ 4,4 bi à Calha Norte”; “Extração ilegal de madeira cai 22% em todo o mundo”,  “Falta metodologia na alfabetização” e “Município consolida parcerias para cumprir CF”.

Na edição de ontem, segunda-feira, a manchete do blog de Nassif era Entrevista com Patrus Ananias” (que era ministro no governo Lula), seguida de Brasil deve retomar mineração de terras raras” e “Os 10 anos da reforma psiquiátrica no Brasil, com repetição de três matérias do dia anterior: Extrativismo planejado pode gerar R$ 4,4 bi à Calha Norte”; “Extração ilegal de madeira cai 22% em todo o mundo”, “Município consolida parcerias para cumprir CF.

Esse sensacional e empolgante “jornalismo independente” (viram alguma crítica ao governo?) tem os seguintes patrocinadores: Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Odebrecht e Braskem. Para quem não sabe, a Braskem é controlada pela Odebrecht, sócia da Petrobras na Copesul e na Petroquímica Paulínia S/A. Fica tudo em casa.

Guedes, você falou também no tal PIG, uma invenção de Paulo Henrique Amorim, e eu entrei no blog dele, para saber como andam as coisas por lá. Logo em arrependi. Aquilo não é jornalismo. Mais parece uma pregação fanática e facciosa, que não admite haver segunda opinião, Não critica nem debate, apenas agride e ofende, embora também conte com o generoso patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasul e do Sebrae. É duro constatar a que ponto caiu o PHA, um jornalista de talento, que chegou a ser Chefe de Redação do Jornal do Brasil. O blog dele é uma cloaca, só que esqueceram de dar a descarga.

Comparado ao blog antiético, destemperado e agressivo de Paulo Henrique Amorim, o blog de Nassif é infinitamente superior, muito mais sério e jornalístico, embora também esteja inteiramente construído num estilo “amestrado” e chapa-branca, onde não cabem críticas ao governo.

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Luiz Carlos Pereira: “O conceituado jornalista comete um gravíssimo erro em seu comentário. Nassif não pode ser considerado chapa branca, pois em seu blog veem-se muitas críticas e poucos elogios ao governo federal. Chapa branca verdadeira é a Rede Globo aqui em São Paulo, que esconde os enormes problemas e propagandeia as pequenas realizações dos (des)governos estadual e municipal, fazendo pesadas críticas apenas ao governo federal e aliados. Sugiro que, ao buscar informações, troque imediatamente da rede manipuladora para qualquer outro canal (pode ser até a Rede Brasil)”.

Acredito que você, Luiz Carlos, esteja cometendo o mesmo erro do Paulo Guedes, referindo-se ao Nassif de antigamente, aquele que escrevia uma coluna corajosa e verdadeira na Folha de S. Paulo, não ao Nassif que surgiu depois do milionário empréstimo obtido no BNDES, com juros subsidiados da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), abaixo da inflação. Hoje, por exemplo, a TJLP é de 5% ao ano, enquanto a inflação deve passar de 7%. Pegar empréstimo no BNDES e investir o dinheiro em títulos do governo (12% ao ano) é um bom negócio, rendendo 7% sem risco. Se Nassif tivesse feito isso, não teria quebrado a agência Dinheiro Vivo. Depois desse empréstimo, que nao conseguiu pagar, Nassif mudou muito. Leia o blog dele (blogln.ning.com) e faça sua própria avaliação.

Quanto à Rede Globo, você tem toda razão. Faz um jornalismo muito comprometido e aderente, quer dizer, adere a qualquer governo. Somente nas proximidades das eleições é que costuma mostrar a verdadeira face, como nos casos Proconsult, eleição de Collor etc. Abs. CN.

 

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