Coordenador da Lava defende a opção de Sérgio Moro pelo “superministério”

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Dallagnol diz que Moro fez a opção certa, na hora certa

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, procurador da República Deltan Dallagnol, saiu em defesa do juiz federal Sérgio Moro e de sua decisão de aceitar o convite para assumir o superministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), na manhã desta quinta-feira, 1º.

“Há muito tempo falo que, hoje, é mais importante para o país mudar o ambiente que favorece a corrupção do que futuros resultados da Lava Jato”, escreveu Dallagnol, em longo texto publicado em rede social, três horas após o anúncio de que Moro havia aceito o convite feito por Bolsonaro – e que deixaria os processos da Lava Jato.

DECISÃO POSITIVA – “Minha avaliação pessoal – não estou falando neste post pelas equipes que trabalham na Lava Jato, que podem ter diferentes visões desse assunto – é de que a decisão é bastante positiva para a causa anticorrupção e para o País.”

De licença após o nascimento da filha no domingo, dia 28, Dallagnol compartilhou a notícia de que Moro havia aceito o convite publicado pela imprensa e que trazia uma foto do juiz no avião, a caminho do Rio, onde se encontraria com Bolsonaro, com o livro que apresenta o pacote de propostas de leis “Novas Medidas Contra a Corrupção”.

O procurador escreveu: “A foto é emblemática: o pacote das Novas Medidas Contra a Corrupção estava em suas mãos na viagem ao encontro do presidente eleito”.

70 MEDIDAS – A Transparência Internacional encabeçou o pacote de 70 medidas contra a corrupção – versão ampliada do pacote das 10 Medidas Anticorrupção que foi enterrado no Congresso, em 2017. O plano das Novas Medidas contra a Corrupção contempla propostas tanto preventivas, mais afinadas ao discurso das esquerdas, como punitivas, recorrentes da direita. Dallganol tem sido um ativista defensor das medidas. Em entrevista ao Estadão, Dallagnol disse que a corrupção tem impactado negativamente nas eleições.

“O juiz Sergio Moro vai ao Ministério da Justiça por um bem maior: consolidar os avanços da Lava Jato e avançar contra o crime organizado, problemas extremamente preocupantes no nosso país, assim como defender o fortalecimento da democracia, que é pressuposto da luta contra a corrupção.”

MESMAS LEIS – Dallagnol lembrou que tem ressaltado que “o ambiente de leis favoráveis à corrupção ainda é o mesmo de antes da Lava Jato”. Citou casos de “prescrição, nulidades, lentidão e penas lenientes favorecem a impunidade”.

“A mensagem do sistema de justiça criminal é de que a corrupção compensa e inúmeros casos do passado provam isso. Nada das leis que favorecem a impunidade mudou até hoje. O que houve foi um caso que fugiu da curva da impunidade, a Lava Jato.”

O coordenador da Lava Jato afirma que “há muito espaço para avançar contra a corrupção”, como recuperação de valores, transparência, melhoras no sistema político e eleitoral, incentivo ao compliance, fortalecimento do controle interno e externo. “Tudo isso precisa ser feito e o ministro da Justiça tem uma posição privilegiada para articular essas mudanças.”

MORO NA JUSTIÇA – Para Dallagnol, “como Ministro da Justiça, o juiz Sergio Moro poderá impactar ainda órgãos muito importantes para o controle da corrupção, como a Polícia Federal, a CGU e o COAF, ampliando sua influência positiva dos casos em Curitiba para todo o País”.

ANÁLISE CRÍTICA – O coodenador da Lava Jato também saiu em defesa de Moro e rebateu os ataques. “Neste momento, precisamos fazer uma análise crítica dos ataques que estão surgindo contra a reputação do juiz e da Lava Jato, como aqueles que acusam o juiz de ter, desde sempre, aspiração política.” Ele classificou de “ridículo” o argumento.

“Se o juiz Sergio Moro tivesse aspiração política, ele poderia ter se tornado presidente ou senador nas últimas eleições com alta probabilidade de êxito. Mentiras como essa serão repetidas, como outras já usadas no passado, mas não vão abalar a Lava Jato, em que atuam não só um juiz, mas 14 da primeira à última instância. A imparcialidade dos atos e decisões são garantidos pelo próprio sistema recursal.”

LAVA JATO – Segundo o procurador, a Lava Jato seguirá em Curitiba com outros magistrados. “Há ainda bastante por fazer e será feito. Perde-se o grande talento de um juiz, mas a maior parte da equipe seguirá firme lutando contra a corrupção, como profissionais, na operação, e como cidadãos.”

Em nota oficial, Moro comunicou publicamente que ‘para evitar controvérsias desnecessárias, desde logo afasta-se de novas audiências’. No próximo dia 14, o ex-presidente Lula seria interrogado por Moro no processo sobre o sítio de Atibaia – o petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. A audiência, agora, deverá ser realizada pela substituta de Moro, a juíza Gabriela Hardt.

12 thoughts on “Coordenador da Lava defende a opção de Sérgio Moro pelo “superministério”

  1. Sérgio Moro é a maior “autoridade” no assunto Lava Jato. Se ele aceitou ser superministro da Justiça é porque sabe que precisa desse meio para aprimorar e aumentar o alcance do combate aos corruptos.

  2. S.O.S., Mundo Civilizado, é gravíssimo o que aconteceu no Brasil. A impunidade de Moro, será a desmoralização total do Judiciário. A IMPRESSÃO É QUE MORO AGIU A SERVIÇO DE DOIS SENHORES: ALCKMIN (PSDB), OU BOLSONARO (PSL), COM OS PÉS EM DUAS CANOAS, com Alvaro Dias do podemos, à moda varejão de ofertas, tb na parada, como terceira opção do então juiz de Lula ( o favorito das pesquisas cuja cabeça da chapa foi decepada pelo MM ). A meu ver, a adesão de Moro a Bolsonaro, logo depois do pleito, precedida de contatos anteriores, conforme declarado pelo próprio vice-presidente eleito, com o adversário do eleito preso pelo então juiz do fato, no curso das convenções que o escolheu candidato do seu partido, sob a jurisdição amigo do eleito, dentro do contexto político do país e das eleições, à moda cachorro perdigueiro que pega a caça e leva nas mãos do seu dono, ou a moda Herodes a quem Salomé pediu a cabeça de João Batista que lhe fora entregue de bandeja, a atitude de Moro enseja em tese, no mínimo, o delito de PREVARICAÇÃO, Artigo 319, do Código Penal, segundo o qual ” retardar, ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal “, valendo lembrar que no caso Lula fora arrastado para dentro de um processo como arena do sacrifício, até sob condução coercitiva com espetacularização midiática e repercussão política total, nacional e internacional, com visíveis segundas intenções político-eleitorais, processo esse atabalhoado, confuso, tumultuado, e pior ainda com o réu condenado sem prova cabal, sem tem a seu favor sequer o benefício da dúvida, conduzido como gado levado ao abate, fato gravíssimo em sendo um ex-presidente da república, que leva à conclusão assustadora sobre o que se passa dentro do judiciário, até porque se fazem isso com um ex-presidente da república, imagine o que fazem com os simples mortais. A meu ver, tornou inevitável a anulação do processo, bem como da própria eleição à vista de vício insanável, com a necessária prisão do juiz incurso em tese em prevaricação, ante a repercussão mundial do fato, que depõe contra as instituições brasileiras e contra o próprio Brasil. https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/373912/Ayres-Britto-Moro-no-governo-compromete-imagem-do-Judiciá

    • Como sempre o Lombriga de Leão publicando notícias do site mais sujo, imundo e corrupto do mundo. Se o 247 fosse um jornal não serviria nem para limpar banheiro de rodoviária pois sujaria mais ainda o piso. O Lombriga pensa que engana e aparece aqui na Tribuna com pelo menos três nomes, mas para ele só uma coisa: uma boa prisão em Curitiba.

  3. Jair Bolsonaro vai ignorar a lista tríplice na escolha do próximo PGR e vai nomear Deltan quebrando o ciclo esquerdista e/ou maleável e/ou seletivo neste importante órgão no combate à corrupção.

    Ouviremos muitos ranger de dentes em futuro próximo.

    O próximo alvo será o STF.

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