Copa América: Chile provou que futebol não se ganha na véspera

Argentina não ganha um título há 22 anos

Pedro do Coutto

Na decisão da Copa América 2015, a seleção do Chile, ao se tornar campeã, provou mais uma vez que futebol não se ganha na véspera. Decide-se no campo da luta até porque futebol de exibição, que nos enche os olhos, é uma coisa; futebol de competição outra muito diferente. A história do esporte está plena de exemplos de craques cujas atuações deslumbram nos seus times, mas nas seleções não são os mesmos. A camisa pesa nos desempenhos que exigem coragem, menor preocupação consigo mesmos, desinibição diante das dificuldades que encontram pela frente. Enfim, uma partida por um campeonato é diferente de uma decisão internacional.

Neste caso ninguém vence na véspera e inclusive a tática pode neutralizar a técnica, uma vez que o futebol é um dos poucos esportes nos quais um adversário pode intervir diretamente no desempenho de outro. Esta realidade, por si, abre uma janela para o infinito. Ninguém vence de véspera, disse eu há pouco, vacinado que sou por ter assistido, em 1950, nós perdermos a Copa do Mundo para o Uruguai, no Maracanã, Estádio Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues e que, no Jornal dos Sports, que desapareceu no tempo, liderou a construção da arena monumental, palco do rumor e clamor de grandes multidões em delírio.

Mas estou me afastando do tema. Retorno a ele. O Brasil era grande favorito e perdeu em 50. A Hungria era favorita e perdeu em 54, a final para a Alemanha de Fritz Walter, autor de 3 gols. Em 52, Santiago do Chile, no Panamericano, o Uruguai era favorito contra o Brasil e o escrete de Zezé Moreira derrotou a celeste por 4 a 2. Para não alongarmos demais a série, em 98, Paris, éramos favoritos contra a França. Perdemos por 3 a 0. Vale não esquecer que Ronaldo Fenômeno, que havia sofrido uma convulsão na véspera, teve a entrada em campo exigida por uma empresa patrocinadora do selecionado. Começa a chegar à superfície a corrupção na CBF, agora amplamente comprovada pelos fatos.

ARGENTINA FAVORITA

Na Copa América deste ano, a Argentina, de Leonel Messi, entrou no Estádio Nacional, na condição de franco favorito. Havia, dias antes, derrotado o Paraguai por 6X1, time para o qual o Brasil fora desclassificado nos pênaltis. Goleadas fora das decisões não querem dizer muita coisa. Recorro à memória e volto atrás. A estrutura da competição era diferente da de hoje em dia. Quatro equipes se classificaram e se enfrentaram entre si.

Vencemos a Espanha por 6X1 e a Suécia por 7X1. O país vivia momentos de festa. O Uruguai empatara com a Suécia, 2X2, e vencera a Espanha nos cinco minutos finais por 3X2. Se o empate permanecesse, seríamos campeões, mesmo perdendo, porque valia o critério de saldo de gols. A decisão dramática para nós foi a 16 de julho. Na véspera, sábado, a Cinelândia vivia cenas de carnaval. Milhares sequer dormiram e foram para o Mário Filho assistir maias uma goleada. Aconteceu o Contrário. Jogo fechadíssimo, a tática uruguaia bloqueando os espaços. Perdemos. Futebol se ganha no campo. Como novamente comprovou a seleção do Chile no desfecho contra a Argentina. Messi não era o mesmo Lionel do Barcelona. Coisas do mundo de eterna magia do futebol.

SERVIDORES DA JUSTIÇA FEDERAL

Desejo agradecer as manifestações endereçadas a mim e a este site por servidores da Justiça Federal. É o que de melhor pode acontecer na vida de um jornalista profissional. Muito obrigado, por mim, e por este site dirigido por Calos Newton, companheiro de muitas jornadas.

5 thoughts on “Copa América: Chile provou que futebol não se ganha na véspera

  1. Permita-me Sr.Pedro do Couto discordar apenas de um pequeno detalhe. Não vejo porque o Brasil era franco favorito em 1950. Pego-me pela história pois nem sequer era nascido à época. Aquela altura o Uruguai já campeão mundial em 1930, bicampeão olímpico em 1924 e 1928, e octocampeão sul-americano( 1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935, 1942). A meu ver, eles eram a melhor seleção do mundo. Perdemos para os melhores, lutando e jogando bem. Por isso, o povo brasileiro deve desculpas aquela geração de 50. Diferentemente do vexame que aconteceu há 1 ano atrás.

  2. Permita-me também apontar um equívoco sobre a copa de 1962. O Brasil não jogou com o Uruguai, portanto não houve vitória sobre a celeste por 4 a 2. O Uruguai foi desclassificado nas oitavas.
    A vitória de 4 a 2 foi contra o Chile, dono da casa. Mesmo assim ele não era o favorito pois havia perdido nas oitavas para a Alemanha. Era apenas o dono da casa.

  3. Aranha, nosso querido amigo Pedro do Coutto jamais erra. Tem uma memória de elefante, como se dizia antigamente. O equivoco foi meu, que “empastelei” o texto do Coutto, que se referia ao campeonato Panamericano de 1952, em Santiago, quando o Uruguai era favorito contra nós.

    Nosso amigo Coutto é mestre em Política, Economia e Futebol. Se o jornalismo tivesse uma Academia Brasileira de Letras, ele seria imortal sem fardão.

    Abs.

    CN

  4. Belo artigo este sobre futebol do Pedro do Couto.
    Muito bom quando fala do escrete do Zezé Moreira.
    Usou um termo muito representativo e hoje fora de moda “escrete”!
    Atualmente temos “vips integrantes de esquemas milionários internacionais” comandados pelo “professor”!
    A camisa não pesa mais.
    Que diferença!

  5. Por favor Pedro do Couto, sou seu leitor e brigo com economistas com os seus artigos nas telas e mãos! Depois de 36 anos de serviço público vou receber 200 Reais de Pasep, não entendo aonde foi meu dinheiro!!! Claro tenho que perguntar ao Sarney, por favor uma matéria para esclarecer não só a mim, mas a todos os servidores!!!!

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