Copa e Olimpíada atraem agência de publicidade dos EUA

Pedro do Coutto

Matéria de Mariana Barbosa, Folha de São Paulo de sexta-feira, 4, revela que a agência de publicidade americana Pereira O’Dell, do grupo ABC, cujo conselho é presidido por Nizan Guanaes, vai realizar em maio, em Nova Iorque, um seminário sobre marketing esportivo no Brasil. O objetivo é reunir empresas de propaganda americanas e patrocinadores para uma ofensiva de comunicação comercial em torno da Copa do Mundo no Brasil em 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Sinal claro de que o mercado brasileiro de publicidade encontra-se em expansão. E está mesmo.

A mesma Folha de São Paulo, porém na edição de quinta-feira, reportagem de Guilherme Chammas, revela que as inversões na área de publicidade no Brasil, em 2010, cresceram nada menos do que 19% em relação a 2009, atingindo a cifra total de 76,3 bilhões de reais. Chammas chama a atenção para os avanços anuais sucessivos. Em 2008, crescera 21% em relação a 2007. Em 2009, subira 7% sobre o exercício anterior. Finalmente em 2010, elevou-se 19 pontos no confronto com o total publicado em 2009.

Não foi efeito apenas das eleições. Tanto assim que em 2008 aumentou 21% em relação a 2007. Trata-se, como se constata, de um ritmo bem definido. Uma tendência consolidada e que tem origem numa política melhor no plano de salários e numa flexibilização maior do crédito, dois fatores que ocorreram no governo Lula. Não se sabe onde vai parar essa flexibilização do crédito. Mas esta é outra questão. Ela existe e seu projeto torna-se objeto do
 desejo de uma empresa como a Pereira O’Dell.

A propósito da existência concreta dos fenômenos, lembro a frase clássica do grande físico ítalo-americano, Enrico Fermi, chefe da equipe que  construiu a primeira bomba atômica da história. Pouco depois de Hiroshima e Nagasaki, surgiram as primeiras versões da chegada de extraterrestres ao nosso Planeta. Jornalistas americanos foram entrevistar Fermi para saber sua opinião. Ele respondeu: “Não acredito” Por quê? Indagaram os repórteres. Fermi rebateu: “O que existe aparece. Vocês já viram algum marciano por aí?”

O que existe aparece e assim apareceu uma oportunidade excepcional para que principalmente grandes empresa, nacionais e internacionais, invistam no esporte. Lógica perfeita a colocada por Nizan.  Não só porque o Brasil, pentacampeão do mundo, é o país do futebol, mas também porque os confrontos esportivos são transmitidos pela televisão. E a televisão abre uma perspectiva enorme. Não só pelo patrocínio comercial das transmissões. Também pela visualização das marcas fixadas nos uniformes e nos estádios.

Este ângulo da questão revela a existência de um mercado publicitário dentro do outro. São dois, portanto. Assim, não há apenas mensagens diretas. Há igualmente as indiretas. A influência da televisão foi – e tem sido – fundamental para o extraordinário desenvolvimento do marketing esportivo. Basta dizer que todos os times do Rio e São Paulo jogam com o nome de anunciantes nas camisas. Não fosse a receita que recebem via TV, os clubes não teriam recursos para colocar as equipes em campo.

A força da televisão está expressa na reportagem de Guilherme Chammas. Dos 76,3 bilhões de reais aplicados no ano passado, as televisões participaram com 53%, os jornais 21%, as revistas com 9, a TV a cabo com 8, o rádio com 4,5% e a internet com esta mesma fração. Em matéria de transmissão esportiva, a televisão é insuperável. Através da emoção, o esporte cresce com ele. É um fato.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *